segunda-feira, 24 de outubro de 2016

UM OLHAR SOBRE O 12º CONGRESSO BRASILEIRO DE ARTETERAPIA

O Não Palavra têm recebido importantes colaborações nos últimos anos e, em especial. nos últimos meses. É com grande satisfação que reconhecemos também a intensificação nos acessos aos nossos textos no blog, que atualmente ultrapassam a marca de 1.000 por publicação além das visitas à nossa fan page. Importante neste momento lembrarmos que há pouco tempo comemorávamos 10 leitores, choramos quando chegamos a 100!!!! 
Na última semana estávamos aborrecidas por não ter sido possível a nenhuma de nós estar presente no 12º Congresso Brasileiro de Arteterapia, em Salvador. Mas, como não poderíamos deixar um evento tão importante sem um registro no nosso blog, convidamos nossa colega arteterapeuta Luciana Pellegrini Baptista para compartilhar conosco o que viu por lá e nos contar sobre a sua oficina "Vestida de sua História" inspirada na artista mexicana Frida Khalo.
Seja bem-vinda Luciana!!!!

Flávia Hargreaves
(Equipe Não Palavra)
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UM OLHAR SOBRE O  12º CONGRESSO BRASILEIRO DE ARTETERAPIA
Por Luciana Pellegrini Baptista
contato: lucianapellegrinibr@yahoo.com.br


A abertura oficial do 12º Congresso Brasileiro de Arteterapia de Salvador ocorreu em 13 de outubro de 2016, à noite com apresentação de uma atividade cultural e palestra com Kaká Werá, que falou sobre a Natureza Integral do Ser. Representantes de vários estados participaram do evento.

Na manhã desse dia foram oferecidos vários minicursos de 8:30h às 17:30h. Um dos minicursos de que participei foi O Corpo Secreto: Técnicas expressivas coligadas ao trabalho corporal, de Irene Gaeta. A experiência fala de técnicas de relaxamento que promovem a amplificação da consciência, facilitando a expressão. 

No dia 14, antes do início das mesas redondas, fomos recepcionados por um conjunto musical que espontaneamente nos levou a formar uma grande roda. Vejo este momento como a abertura artístico expressiva do Congresso. Nessa oportunidade cantamos “modinhas” populares, entrando no clima dos estudos sobre a terapêutica através da Arte, que ensina que a Arte pode aliviar sintomas, pode curar e levar o paciente a melhor entender o que o aflige, possibilitando novos olhares, novas posturas, nova forma de viver. 

Após esse ritual de abertura, iniciaram-se os trabalhos com a palestra: Arteterapia no Brasil: 30 anos de Formação e Transformação, proferida por Angela Philippini e Selma Ciornai, duas das precursoras da Arteterapia no Brasil, a primeira no Rio de Janeiro e a segunda em São Paulo. Dentre os fatos narrados na construção desse projeto foram destacadas algumas ações, como o 1º Congresso de Arteterapia do Mercosul, de âmbito internacional, ocorrido no Rio de Janeiro, em 2005; a criação da UBAAT (União Brasileira das Associações de Arteterapia), que teve seu Manifesto de Fundação criado em 2003 e oficialmente fundada em abril de 2006 em fórum de São Paulo[1] e o cadastro da Arteterapia como ocupação, sob o nº 2263-IO. Uma das curiosidades sobre as experiências iniciais com a Arteterapia ocorreram após a Segunda Grande Guerra, com Viktor Lowenfeld, devido ao grande número de pessoas traumatizadas com os sofrimentos por que passaram. 

Encerrada a palestra, assistimos a uma performance que concluiu aquele momento inicial com uma poesia de Fernando Pessoa, emocionando a plateia. Após breve intervalo, os participantes dirigiram-se às salas cujos temas lhes interessavam. Minha opção foi a mesa temática 3, que abordava questões referentes aos Desafios na formação profissional do Arteterapeuta, tema que se subdividiu em três falas: a primeira, de Cristina Lopes, A criatividade como alimento para a atuação em Arteterapia.  A palestrante deu apoio à sua fala, recorrendo a artistas e escritores ligados ao tema, oferecendo opções de leituras, filmes, como "O abraço da serpente", músicas como as de Flávio Venturini e Adriana Calcanhoto e citações valiosas. A segunda, de Andrea Graupen, Éticas- circunscrevendo processos de cuidado, falou sobre a geração beat, pela liberdade de expressão que os caracterizava, identificando-os com o Surrealismo, em suas manifestações expressivas. A terceira, de Edna Lopes, Educação continuada: reconstruções no cotidiano, propõe reflexões sobre rupturas e reconstruções e o faz, trazendo-nos Guimarães Rosa que recria a língua, de forma personalíssima e a coloca na boca de seus personagens, dando outro vigor ao discurso.

Também participei de outras mesas temáticas com temas como: Arteterapia e diversidade; Expressão mítica do inconsciente: Os orixás; O caminho de Avalon: Simbologia e Amplificação Simbólica; Arteterapia, Saúde e Educação; Significado da Arte na evolução do Ser; Arteterapia desenvolvendo a criatividade para o bem estar do idoso e do tema livre com os temas: A Arteterapia como caminho para sensibilizar, acolher e aprender com as diferenças e Estimulação cognitiva de idosos com Alzheimer através da Arte.

Sobre Oficinas em Arteterapia



No segundo dia, coordenei a oficina Vestida de sua História. Acerca dessa proposta apresento minhas motivações. Oficinas são recursos utilizados de forma a proporcionar experiências de determinados conceitos terapêuticos, através de processos de criação sugeridos, e recorrer aos mitos sociais, conhecendo suas trajetórias. Estes elementos dão sentido à proposta da terapia através da Arte. Mitos sociais são pessoas do nosso cotidiano que têm em suas habilidades maior facilidade na utilização de materiais artísticos e expressivos. Segundo Schaverien, em seu livro The Revealing Image: Analytical Art Psychotherapy in Theory and Practice [2] “as pessoas com certo treino em arte são geralmente mais conscientes dos processos inconscientes que emergem durante seus trabalhos.” Ele diz ainda que “seus sensores internos são muito mais vigilantes” e complementa: “Um artista pode se defender com sua arte tanto quanto uma pessoa que é boa com as palavras pode defender-se com o uso das mesmas”.

Na oficina proporciona-se em menor tempo e intensidade o que acontece no processo terapêutico em Arteterapia, ou até demonstra-se alguma condução sobre determinado conceito quando esta é direcionada para um público de profissionais do meio. Nesta modalidade de terapia com a Arte, a comunicação verbal tão costumeiramente conhecida é substituída pela atividade expressiva, junto com o material artístico. Um terceiro elemento entra, pois, nesta relação, o material. Portanto a proposta da Arteterapia com as técnicas expressivas e os materiais artísticos possibilitam uma outra forma de terapia: “propiciar a posse de uma outra forma de comunicação (entre sujeito e seus conteúdos internos, entre o sujeito e a expressão destes conteúdos e entre o sujeito e o arteterapeuta).  A oficina vai utilizar a expressão e material artístico promovendo uma pequena experiência do que ocorre no processo arteterapeutico. Arteterapia implica uma situação de ajuda, auxílio a um outro que está em situação de sofrimento ou desconforto.  

Entre os materiais artísticos conhecemos os de Artes Plásticas, como tinta, argila, lápis pastel, aquarela, papéis de diferentes texturas, massa de modelar, etc. Quanto às técnicas expressivas, as artísticas, corporal, relaxamento, imaginação ativa, imaginação dirigida, etc.

Enfim, o coordenador da oficina escolhe um tema para ser vivenciado pelo grupo, utilizando técnicas expressivas e materiais artísticos, para que o mergulho no tema lhes permita o aprendizado e o aproveitamento em benefício próprio, resignificando seus próprios conflitos e sofrimentos. A escolha do tema é intencional e pode se dar a partir de um conceito de Psicologia que mais faça sentido ao coordenador (no meu caso a Psicologia Analítica), a história de vida de um artista, pintor, ator, de modo geral, pessoas ligadas à Arte e que as vivenciaram como forma de superação.

Vestida de sua História, Frida Khalo e a Arteterapia



Em 15/10, dando continuidade ao meu relato,  segundo dia do Congresso, apresentei minha oficina: Vestida de sua história, que traz como tema um pouco da história de Frida Kahlo, pintora que teve saúde frágil, motivada por doenças da infância e grave acidente em sua juventude, que comprometeram toda a sua vida. Nesta oficina minha intenção era que os participantes se utilizassem da performance para vivenciar alguma experiência sobre Frida Kahlo e que, nesta condição, superassem como ela o fez, através da Arte, seus conflitos e complexos mais latentes. Frida, a partir de suas pinturas e características no vestir-se tipicamente, dando identidade ao que arquetipicamente cultuava, superou anos de sofrimento em cirurgias e tratamentos para em sua condição de existência sofrida e dolorosa, ressignificá-la através dos pincéis, tintas e telas. Precursora, que rompeu com padrões estabelecidos e criou sua própria história, Frida foi uma mulher adiante do seu tempo. Nascida em 07 de julho de 1907, filha de pai alemão e mãe mexicana, descendente da cultura indígena Terruana, do México, teve atuação como militante política. Casada com o muralista Diego Rivera, manteve sempre suas convicções.

Tanto no vestir-se como no ato de pintar buscava a salvação da frágil condição de saúde que a vida lhe reservara e apesar de ter suas obras indicadas para fazer parte do movimento Surrealista, então em voga, recusou a oferta. Dizia que pintava sua realidade, marcada por muito sofrimento, conforme as telas demonstram. Para Frida que tinha uma boa relação com o pai, pintar aliviava suas dores. Pintando, a artista dava outro sentido à sua existência, superando a fragilidade e os tratamentos dolorosos.

Minha intenção ao compartilhar neste texto meu olhar sobre as oficinas de Arteterapia, tendo participado no Congresso dos dois lados desta experiência, coordenando e vivenciando, foi levar ao conhecimento das pessoas um pouco do que significa esta prática tão comum na Arteterapia e que são oferecidas ao público por diversos ateliês profissionais e ateliês formadores de arteterapeutas. Convido a todos aqueles que ainda não a vivenciaram que fiquem atentos aos eventos promovidos pela Arteterapia para que possam experimetá-la.
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Luciana Pellegrini Baptista é Psicóloga CRP-0514647, especialista em Arteterapia, membro da diretoria da AARJ, com experiência em atendimentos no Hospital Naval de Natal/RN, APAE/RN e, atualmente, no Hospital dos Servidores, no projeto do INCORPORARSE. Coordena, ainda, o projeto Criatividade e Arteterapia na Aprendizagem, na Fundação das Operárias de Jesus.

Referências Bibliograficas:
SEI, Maíra Bonafé e GONÇALVES, Tatiana Fecchio - Arteterapia com grupos: aspectos teóricos e práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010



[1] Arteterapia com grupos: aspectos teóricos e práticos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.
[2] Id,ibid,p.29-37

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

MINHAS CAMADAS

Hoje,  o Não Palavra traz uma convidada muito especial que também esteve conosco participando do II Ciclo de Palestras, em setembro de 2016, apresentando o tema ARTETERAPIA NAS EMPRESAS
Desta vez, Rosângela Rozante compartilha conosco a sua reflexão sobre a importância do arteterapeuta se debruçar sobre sua produção de imagens revisitando-a e dando continuidade e estreitando sua relação com o fazer em Arte.  

Flávia Hargreaves
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MINHAS CAMADAS
Por Rosangela Rozante *
contato: caminhodoself@globo.com
home page:www.caminhosdoself.com.br


Olá pessoal que acompanha o Blog de Arteterapia  Não Palavra! Gostaria de compartilhar com vocês que "Minhas Camadas" em parte aqui representadas por imagens de meu acervo pessoal, foram surgindo como reflexão de minha trajetória expressiva, no enfoque dado à aula PENTIMENTO, do Ateliê de Artes  para Arteterapeutas”(1)  coordenado por Flávia Hargreaves.  É muito bom passear pelo lugar de aluna e entrar em contato com coisas que eu venho propondo aos meus alunos e clientes em Arteterapia nos meus 30 anos de trabalho como Arteterapeuta e formadora de Arteterapeutas.   Vivenciar é confirmar a importância da Arteterapia a todo o momento como possibilidade de transformação constante. Que bom que pude viver plenamente como entrega, as emoções de rever imagens minhas mais antigas com imagens minhas que foram surgindo no percurso natural do curso. Uma análise reflexiva ao meu processo criativo, que prezo tanto e que me faz sentir que estou viva e  acreditar que esta criação é energia psíquica.


Creio que todo terapeuta deva de vez em quando sair do seu lugar e vivenciar o que propõe. Jung nos alerta que o inconsciente se manifesta através de desenhos, pinturas, músicas e arte em geral. Ele ressalta que “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos". Olhar as imagens de um passado retrocedendo no relógio do tempo há mais ou menos  20 anos e refletir sobre ele através de imagens recentes, me fez olhar para o futuro – por isto chamei de “Minhas Camadas”. E, relembrando Nietzsche – “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”. A Jornada continua. A vantagem de prestarmos atenção ao movimento interior destas imagens é que facilita o nosso processo de individuação, que é a passagem do exterior para o interior, da periferia para o centro, colocando em movimento as habilidades inatas da nossa psique para a plena realização da nossa existência. Toda criação é genuína e atemporal.


Arteterapia é um processo alquímico de transformação dos conteúdos psíquicos que se expressam através da arte. Jung sustentou que a psique em seus aspectos conscientes está presente de maneira imediata e inegável. O mundo imediato da experiência não é como poderíamos supor, o mundo da matéria, mas sim o mundo de imagens mentais e sensações. Todo experimento é psíquico, até mesmo uma dor física, pois ela pertence à experiência pessoal do individuo. Poder dialogar com nossas memórias afetivas é sempre re-significar.


O que são camadas? São marcas deixadas, que podem ser encobertas por outras camadas ao longo do tempo. Rever estas camadas é um exercício de entrar em contato com processos internos que podem ser manifestos por diversas técnicas expressivas realizadas no passado, e no presente e que favorecem ao processo de individuação necessário, unindo passado – presente e futuro.  Eu sou dona de minha jornada e faço escolhas nela e, com certeza, elas se mostraram se mostram e continuarão se mostrando em meu processo de autoconhecimento.


O grupo de colegas arteterapeutas que vieram a compor a turma 13 deste curso (número bem sugestivo) abriu espaço com certeza para este meu movimento.  Uma disponibilidade interna maravilhosa que uniu corações, trouxe confiança e troca. Houve um momento em que Flávia pegou a batuta numa condução única, ainda isolada. Porém com o passar do tempo, cada uma de nós se tornou maestro de sua própria jornada. Vejo isto, como o objetivo que o terapeuta deve estar sempre atento, para propor ao seu cliente: Seja dono de seu processo.  Embora não fossemos um grupo terapêutico, não perdemos o afeto, o vinculo e a troca necessária para criar, construir e transformar. As considerações à buscas por fora, vieram naturalmente.  Queridas Flávia Hargreaves, Eliana Moraes, Rosane Quatrone, Regina Diniz, Luciana Pellegrini, Tania Salete, Dione Couto, Beatriz Abreu, Patrícia Acácia e Lucia Palermo. Espero que a arte sem preconceitos, livre de rótulos, bela pelas emoções trazidas que favorecem ao autoconhecimento; sempre engrandeçam à nós e a nossos clientes. Hoje vocês fazem parte de minhas camadas. Obrigada!

*Rosangela Rozante é psicóloga, especialista em Arteterapia, Análise Junguiana e Ciclo de Desenvolvimento Humano. Ex-Coordenadora Geral do curso de Pós Graduação Lato Sensu em Arteterapia da faculdade de Filosofia de Campos/RJ. Diretora e Coordenadora de Cursos de Introdução/Formação em Arteterapia do Espaço Terapêutico Caminhos do Self. Membro da diretoria da AARJ.
(1) O "Ateliê de Artes para Arteterapeutas" é um projeto criado para dar oportunidade aos alunos do curso "Conhecendo os Materiais e Aprendendo a Usá-los" darem continuidade aos trabalhos iniciados no curso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GRIMBERG, Luiz Paulo. JUNG – O Homem Criativo. São Paulo: Ed. FTD,  2003.
JUNG. C.G.  A Natureza da Psique. Petrópolis: Ed. Vozes, 2000.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processo de Criação. Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1974.
PAIN, Sara e Jarreau, Gladys. Teorias e Técnicas em Arteterapia. Ed.  Artmed, 1996.
PHILLIPINI, Ângela.  Linguagens e Materiais Expressivos em Arteterapia: Uso, Indicações e Propriedades. Rio de Janeiro: Ed WAK, 2009.
STEIN, Murray. Jung: o mapa da alma. Tradução Álvaro Cabral. São Paulo: Ed. Cultrix, 2006.
IMAGENS
1ª imagem - colocada ao lado do título foi retirada de http://pt.oboulo.com/resumo-do-livro-psicologia-da-educação-matemática-teoria-e-pesquisas-55785.html
Demais imagens são do acervo da autora.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ATELIÊ ARTETERAPÊUTICO – Experiência, sentido e reflexões para um aniversário



Por Eliana Moraes
elianapsiarte@gmail.com

“Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para arriscar e humilde o bastante para aprender.” Clarice Lispector

Os textos deste blog em geral são escritos na primeira pessoa, pois sua proposta inicial é registrarmos nosso dia a dia de estudo, prática e reflexões. Mas hoje em especial o texto se configura autobiográfico. As pessoas próximas a mim sabem o quanto faço da ocasião do meu aniversário uma experiência*, cada ano em sua singularidade.
Na última semana completei 32 anos de idade e esta data me convidou a celebrar minha biografia, sobretudo neste último ano. 2016 trouxe intensos movimentos, provocando grandes transformações em minha vida, externas e internas. E só Clarice, escritora que frequentemente me presenteia com seu dom, poderia ilustrar este meu processo de vida, não tão doce mas profundo, destacando dois verbos que o resumem: arriscar e aprender.
Mas todo este processo só foi possível como foi, porque nele existia um “espaço sagrado”: o curso “Conhecendo os materiais e aprendo a usá-los” que em seguida caminhou para o “Ateliê para Arteterpeutas” mantido pela Flávia Hargreaves. 
Sou arteterapeuta e trabalho diariamente oferecendo a arte como meio de linguagem e agente de transformações para meus pacientes. Mas este ano tive a privilégio de ter um espaço que eu autorizasse e confiasse para que eu investisse meu tempo e energia em um encontro pessoal com os materiais e ter uma experiência com minha própria produção de imagens. Este lugar me deu a oportunidade de, em meio à tantos pontos de interrogação, revalidar o sentido da Arteterapia para mim, não “somente” pela teoria buscada e estudada, mas por vivê-la. E sim, eu acredito na Arteterapia!
Durante o processo de gestação deste texto, que se estendeu por três semanas, pude  revisitar meus trabalhos desde maio até aqui, e ao colocá-los lado a lado pude contemplar como todo meu processo foi registrado nas imagens produzidas neste espaço sagrado, em paralelo com os acontecimentos da minha biografia. Símbolos que nasceram de forma espontânea, estimulados pelas potências de cores e formas.


Através da pluralidade das técnicas e materiais oferecidos o elemento base das imagens, o triângulo amarelo sem ponta com sua base em um círculo azul e com alguma participação do laranja, foi emergindo,  repetindo-se, desenvolvendo-se, caminhando, ressiginificando-se, até chegar na última semana, uma imagem de integração: uma forma que busca equilíbrio e raízes – meu desejo para os próximos tempos.

Esta sequência de trabalhos é o registro de um intenso processo, carregado de símbolos espontâneos, com profundas elaborações internas e externas, espelhado pelas imagens que transbordaram de mim.
Embasamentos teóricos
Envolvida com tantas reflexões e buscando compreender um pouco mais sobre este processo tão pessoal, encontrei estruturação teórica em uma autora que tanto tem me feito pensar nos últimos tempos, Fayga Ostrower:
“... criar corresponde a um formar, um dar forma a alguma coisa... Toda forma é forma de comunicação ao mesmo tempo que forma de realização. Ela corresponde, ainda, a aspectos expressivos de um desenvolvimento anterior na pessoa, refletindo processos de crescimento e de maturação cujos níveis integrativos consideramos indispensáveis para a realização das potencialidades criativas.” (OSTROWER, p 5)
“Acompanhando o nosso fazer... a tensão psíquica se transmuta em forma física. Desempenha, assim, a função a um tempo estrutural e expressiva, pois é em termos de intensidade, emocional e intelectual, que as formas se configuram e nos afetam.” (OSTROWER, p 28)
“Trata-se de formas significativas... porque através da matéria assim configurada o conteúdo expressivo se torna passível de comunicação.” (OSTROWER, p 33)
Naturalmente este processo proporcionou um efeito singular em minha análise pessoal. Sinto-me bem acolhida por meu analista, que mesmo lacaniano, acolhe amorosamente quando digo que a imagem tem um papel fundamental em minha linguagem. A teoria da arte nos ampara nessa percepção de que a palavra é uma forma de expressão, mas  não a única:
“Traduzir em formas mentais, não significa necessariamente pensar com palavras... a palavra é uma forma e, por ser forma, abrange níveis de significação... além das verbais existem outras formas. São ordenações de uma matéria, formas igualmente simbólicas cujo conteúdo expressivo se comunica.” (OSTROWER, p 35)
Percebo que aqueles que de fato experimentaram um encontro com a Arteterapia vivenciam com mais clareza os limites da palavra. E em seu processo terapêutico sentem a necessidade de materializar e dar forma às suas questões. Em Fayga encontrei a expressão que me responde sobre o papel da produção de imagens dentro de um setting terapêutico, pois ela funciona como a:
 “... objetivação da linguagem pela matéria constitui em referencial básico para a comunicação... A matéria objetivando a linguagem, é uma condição indispensável para podermos avaliar as ordenações e compreender o seu sentido... Sem ter a matéria presente, isto é, sem condições de objetivar a linguagem, as eventuais contribuições subjetivas se desvalorizam, ou seja, não chegam a se concretizar.” (OSTROWER, p 37)
Para o arteterapeuta, fazer um mergulho em sua própria produção de imagens e demorar-se neste diálogo consigo mesmo é essencial para sua estruturação e contornos pessoais mas também para lhe dar subsídios para sua atuação no setting arteterapêutico e evitar:
“... um fenômeno chamado de ‘síndrome de clinificação do arteterapeuta’... descrita como um processo através do qual o arteterapeuta ‘gradualmente absorve as habilidades características de outros clínicos, enquanto, ao mesmo tempo, o investimento e a prática da arte declinam’. (Allen, 1992)

Afastando-se da sua especificidade (a utilização da arte como terapia), o profissional tenderia a lançar mão de intervenções verbais cada vez com mais frequência, descaracterizando o seu trabalho, caindo na interpretação das imagens produzidas pelo paciente. Enfatizando a verbalização, o terapeuta desestimularia o investimento do paciente na produção plástica que se tornaria cada vez mais rudimentar. O potencial transformador da linguagem plástica se esvazia neste contexto, já que cada vez menos energia envolvida na produção de imagens e sem energia não pode haver transformação.” (SANTOS, 31)
Concluo agradecendo à Flávia Hargreaves por sustentar este espaço sagrado e às minhas companheiras de ateliê, que juntas constelamos um fenômeno  grupal, sobretudo, de generosidade.

* Ver texto escrito nesta mesma época, ano passado: “Salvador Dali e Manoel de Barros em diálogo por um aniversário” < http://nao-palavra.blogspot.com.br/2015/10/salvador-dali-e-manoel-de-marros-em.html >
Referências Bibliográficas:
OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. 12ª ed. Petrópolis, Editora Vozes, 1997.
SANTOS, Marco Antônio. O ateliê e a construção da identidade do arteterapeuta in Revista Imagens da Transformação, vol 1. Belo Horizonte, Editora LUZAZUL Editorial, 1994.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

REFLEXÕES EM BUSCA DE UM MÉTODO

Por Flávia Hargreaves
fmhartes@gmail.com



Temos constantemente compartilhado neste espaço olhares diversos sobre a Arteterapia, entendendo que esta profissão se abre para muitas abordagens com experiências bem sucedidas pelo mundo. O próprio grupo Não Palavra se encontra no “desencontro”, na convicção de que a riqueza da Arteterapia está nesta pluralidade das psicologias e dos inúmeros caminhos oferecidos pela Arte. Nos encontramos no estudo, na curiosidade, na colocação de perguntas que ainda não sabemos responder, e para isso buscamos pessoas, olhamos para o lado, seja para rever o antigo, seja em busca de novidades, sempre aprendendo com a experiência do outro em diálogo com a nossa.

Neste momento sinto necessidade de rever, parar, organizar para poder seguir. Em 2008 concluí minha formação em Arteterapia com Ligia Diniz, e em 2010, a Licenciatura em Artes Visuais, UFRJ. Passando os olhos nestes últimos 8 anos, vejo que o trabalho que desenvolvo como professora e como arteterapeuta se distancia muito do modelo aprendido. Reconheci no meu movimento na vida um sentimento constante de inadequação, de insatisfação, de sempre achar que pode ser melhor ou, pelo menos, diferente. Certa vez uma pessoa muito próxima, que me observava meio quieta, me ligou e eu comecei a reclamar com um mau humor crescente, ao que ela respondeu prontamente: - Graças a Deus, você está de volta!;  levei um susto, mas é por aí... Quem me conhece, sabe [e agora deve estar dando uma gargalhada!].

Mas deixando as reclamações de lado, no tocante a Arteterapia, sigo buscando respostas. Porém, não mais para uma definição da Arteterapia como disciplina, como profissão, como mercado de trabalho ou questões acerca do seu reconhecimento, legislação, etc. Hoje, às vésperas dos 50 anos, como não poderia deixar de ser a pergunta se volta para mim: O que a Arteterapia representa na minha vida e, principalmente, de que modo eu a coloco em prática? E esta é a reflexão que pretendo compartilhar com vocês neste espaço.

Minha prática como arteterapeuta entende Arteterapia como uma modalidade terapêutica em que o cliente é convidado a se experimentar em um movimento próprio de um ateliê de artes, que é por princípio uma oficina, um lugar de trabalho, um lugar onde a materialidade ganha novos significados.

Nesta perspectiva tudo começa com um ambiente que oferece possibilidades, para alguns será uma novidade, para outros significa estar em casa, ou ainda um lugar conhecido a ser recuperado. Estar em um ateliê desperta emoções e reações diversas. Cada um tomará o seu tempo para criar intimidade com o lugar, com os materiais disponíveis e com os muitos convites que o aguardam. Entrar neste lugar, significa se abrir para o convite dos materiais prontos para serem transformados em outra coisa. Mas em quê? Não sabemos, mas é aí que reside o mistério e a beleza.

Em busca de um método...

Sim, é necessário reconhecer o método. Busco, na maioria das vezes, a expressão espontânea a partir da experimentação livre dos materiais sem uma técnica a priori. A busca de um meio e de uma linguagem que consiga materializar “melhor” os conteúdos que precisam ser expressos podem variar muito. A escolha pode ser feita pela estranheza, pode ser um desafio, outras vezes movida pela segurança, pelo prazer, ... , são muitos os modos e os porquês. E é justamente por isto que a escolha do material e o modo de manipula-lo deve estar nas mãos e na responsabilidade do “cliente”, cabendo ao arteterapeuta tornar isto possível.

Cliente?

O termo cliente sempre me incomodou por remeter a ideia de um negócio, e também a uma certa dependência. Segundo o “pai google”, na antiga Roma, “CLIENTE” era “o indivíduo que estava sob a proteção de um patrono”, o que confirma a perspectiva da dependência. Decidi que não quero mais esta palavra, mas qual a substituiria? “ARTISTA”? Também descartei o termo por vir impregnado de julgamentos e exigências que não cabem na perspectiva terapêutica, muito embora possa produzir “coisas” que muito facilmente poderiam ser consideradas obras de arte. Faço esta distinção enfatizando a intenção com a qual a “coisa” é criada.

Então, cheguei à palavra “AUTOR”. Voltando ao “pai google”: “o que origina algo; agente; indivíduo responsável pela criação de algo, inventor, descobridor.”  Bem, acho que esta eu consegui responder.

Recapitulando...

Então temos um AUTOR em um LUGAR DE TRABALHO com muitas POSSIBILIDADES à disposição para CRIAR coisas de modo livre e espontâneo, sem o receio de julgamentos, que irão expressar suas emoções, seus conflitos, suas necessidades, etc. Estas "coisas" que podemos chamar de "imagens" precisam ser entendidas em todo o seu processo de construção, contemplando “o que” e o “como” foi feito, com todas as suas idas e vindas, hesitações, palavras ditas, gestos, foco, tempo, empenho em cada momento, em cada parte da "coisa/imagem".

Mas a Arteterapia seria então somente a experiência vivida no ateliê na produção espontânea de "coisas/imagens"?

Não. É importante que o autor veja o que produziu, como produziu e se (re)pense e se (re)veja na vida a partir da sua produção acompanhado pelo arteterapeuta. Esta conversa é fundamental para que se caminhe no processo terapêutico, o que não é uma interpretação de imagem. É preciso que se tome o tempo necessário para ficar em contato com a coisa/imagem para que o sentido se revele.

Mas como eu disse existem muitos “modos”, e estes muitos “modos” se estendem à minha atuação como arteterapeuta. Descrevi o modo espontâneo que tenho como principal, ou até mesmo meta, porque visa a autonomia do "cliente", e por isto "autor", no setting e fora dele, ou seja a meta inclui em dado momento o indivíduo ter alta.

Muitos modos... um método flexível?

Voltando aos “modos”, nem sempre funciona a proposta espontânea. Algumas vezes ou em dada circunstância entendo que cabe uma proposta mais diretiva como, por exemplo, fazer uma boneca, uma colagem sobre algo, ou uma ação como quebrar, amassar, rasgar, etc. Já tive esta experiência algumas vezes com resultados surpreendentes.

Não há uma regra, ou um modo certo que funcione para todos. Mas um aspecto que tem se tornado importante na minha prática é que além de entender o cliente como autor do seu processo, responsabilizando-o pela "coisa/imagem" criada a ponto de ser capaz de encará-la, proponho que ele reconstrua todo o processo identificando com verbos todas as ações realizadas naquela construção. Ele precisa desconstruir e reconstruir a imagem dentro de si para descobrir o seu sentido. Tudo o que foi necessário fazer, por isso a oferta de possibilidades no fazer do ateliê deve ser ampla, para que ele possa suar, fazer força, fazer, desfazer, refazer até que esteja satisfeito com sua coisa/imagem, ou seja, com a sua obra.

Concluindo...

Como escrevi no início desta reflexão é preciso olhar para os lados, dialogar e aprender com os que já caminharam mais e por outros lugares, para não cairmos na armadilha de reinventar a roda. E os encontros não faltam para esta nova empreitada de estudo que agora se volta para a estruturação e identificação do meu método de trabalho em Arteterapia, talvez eclético como aponta a leitura de Judith Aaron Rubin cujo material me foi apresentado por Tânia Maria Netto, que tem me orientado nesta empreitada.

Referências:
RUBIN, Judith Aaron. Approaches to Art Therapy. Theory and Techinique. Third edition. Ed. Routledge. New York, 2016.

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

OBSERVAÇÕES DA CLÍNICA - Histórias que curam em Círculos de Mulheres

Por Maria Cristina de Resende
crisilha@hotmail.com

Neste final de semana tive a oportunidade de participar de um encontro entre mulheres. Fui convidada a facilitar um Círculo de Mulheres e no dia seguinte uma Oficina sobre plantas e flores medicinais também somente com mulheres, ambos em Miguel Pereira, RJ. São trabalhos que realizo há 7 anos na Ilha do Governador, onde tenho consultório de Psicologia e Arteterapia, e pela primeira vez levei este trabalho para outras terras.

Celebração das Fases da Lua, amplamente associada aos ciclos da mulher e da vida

Lá, tive a oportunidade de experimentar um profundo encontro entre muitas mulheres experientes, sábias na vida, com muitas histórias para contar, com muitas feridas para curar – compreendendo cura como um reequilíbrio mental e emocional a partir da tomada de consciência de si mesma – e eu me via ali, como a mais nova e aquela que estaria levando esse trabalho para proporcionar tal movimento de cura e reconexão para elas.

Em muitos momentos fiquei olhando aquelas mulheres, com suas histórias, muitas vezes com a dor marcada na voz e fiquei me vendo com elas, acolhendo e pensando: “Como posso ajudar este grupo?”.

Estamos na Primavera e quando buscamos histórias para falar sobre esta estação chegamos a histórias como as de Coré e Deméter, de Ostara, de deusas jovens, em seus aspectos de donzelas que ajudam o inverno frio e gelado a florescer. O inverno por sua vez, é marcado pelas deusas velhas, anciãs, como Deméter em seu caráter de velha e melancólica pela perda de sua filha querida. A terra então se renova quando a força da jovem chega à superfície e traz um sopro de calor, traz sementes brotando e flores se abrindo, uma lufada de vida após um tempo de frio e escuridão.

O Retorno de Perséfone - Frederic Leighton, 1891

Para este momento de ciclos das estações, na natureza e na nossa vida, penso que as forças invocadas são as do Puer e do Senex, uma dupla, ou melhor, uma sizígia[1] arquetípica que nos ensina sobre o equilíbrio entre o velho e o novo, entre o florescer e o recolher, entre o começar e o manter, entre a ação e o pensamento, entre a coragem e o medo. E quando escutamos histórias de vidas que são cheias de invernos e primaveras, cheias de atos de coragem e de medo, cheias de momentos de ação e momentos de estagnação, penso que o próprio ato de contar essas histórias numa roda já se torna terapêutico, já promove uma escuta de si mesma e um ato de reflexão sobre sua caminhada.

Na Arteterapia temos um braço que falamos pouco aqui no blog, mas que tem sua força, que são as Contações de Histórias, as fábulas, os mitos, os contos e a partir dessas histórias desenvolve-se um trabalho terapêutico, e depois desse final de semana me peguei pensando em como trabalhar tantas histórias fortes, engraçadas, dolorosas e lindas que por si só já nos oferecem muito material para trabalho.

Em um ateliê de Arteterapia temos recursos diversos para amplificar e resignificar momentos dramáticos de uma caminhada, como a linha do tempo, as técnicas com tecido e costura, a própria contação de histórias, e outros tantos movimentos com uso de materiais plásticos ou não. A Gestalt-terapia também nos oferece técnicas muito interessantes para trabalhar esses momentos de difícil compreensão e elaboração, que são as teatralizações feitas por outros participantes do grupo, que encarnam as pessoas a serem trabalhadas e revivem a cena, dando possibilidades criativas para a elaboração do problema.

Sendo assim, me vi dentro deste grupo como aquela que talvez possa fornecer um espaço ritualístico e terapêutico para mulheres que buscam um recontar de suas histórias, um espaço onde falar sobre si já traz a força da cura e da consciência, uma lufada de novos ares que proporcionam a todas nós caminhar sobre as estações, sobre as “deusas” e todos os aspectos que elas nos têm a ensinar. E deixo a reflexão sobre esta percepção nos grupos terapêuticos, onde ouvimos caminhadas às vezes muito mais longas que a nossa e o quanto isso também nos é curador, enquanto terapeutas. O quanto de respeito devemos dedicar a estas pessoas que chegam até nós e nos confiam a alma mais profunda, compartilhando suas vivências e confiando na nossa entrega e dedicação em ajudá-las. E para nós Arteterapeutas, antes mesmo de sabermos o máximo possível sobre cada técnica e material, é preciso ouvir, é preciso estar ali, estar junto, estar ao lado, como Nise da Silveira nos ensinou tão lindamente, o estar ao lado por si só já tem seu potencial de cura.

Agradeço todas as mulheres que fizeram parte dessa caminhada, como Fernanda R. R. da Rosa, Roberta Salgado, Sandra Carvalho, e aqui, neste espaço de leitura e reflexão, agradeço a Eliana Moraes e Flavia Hargreaves por estarem ao lado construindo este conhecimento que vai além da teoria, mas também de vida, pois partilhamos o que nos afeta em nossa prática diária, o lidar com o outro, a dança da vida!


A Dança - Henri Matisse, 1909




Caso tenha dificuldades em postar seu comentário, nos envie por e-mail que nós publicaremos no blog: naopalavra@gmail.com


[1] Quando usamos o termo sizígia, pegamos emprestado da astrologia o termo de conjunção, ou seja, quando dois planetas estão lado a lado no mapa natal, não são opostos trazendo energia complementar, nem quadrados um ao outro trazendo energias conflitantes. Estão juntos, lado a lado, atuando o tempo todo num entrelaçar de forças.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SOBRE OS CURSOS ONLINE NÃO PALAVRA


Por Eliana Moraes
elianapsiarte@gmail.com

Gostaria de fazer um comunicado às pessoas interessadas nos cursos  online produzidos por mim e veiculados pelo projeto, Não Palavra, em parceria com o site, Centro de Humanas Episteme“Introdução à Arte como técnica terapêutica”, “O fenômeno da projeção em Arteterapia” e “Grupos em Arteterapia”. 
As mídias virtuais e os cursos EAD são instrumentos de ensino ainda novos para a Arteterapia, assim como para muitas profissões. Como toda novidade, seu uso ainda não foi regulamentado pelos órgãos institucionais competentes que regem os profissionais da Arteterapia, o que é perfeitamente natural.
Sendo assim, venho informa-lhes que estou suspendendo, temporariamente, os cursos  online hospedados no site Episteme. Aguardarei que tais diretrizes sejam divulgadas, oficialmente, para que eu possa apresentar esse projeto de cursos livres EAD, em Arteterapia, nos formatos em que vierem a ser aprovados pelo conjunto de normas a ser criado para esse fim.
Espero que, em um futuro breve, eu possa  continuar a contribuir desta forma para o enriquecimento e crescimento da Arteterapia em nosso país. E permaneço trabalhando para a união de esforços de nossa categoria profissional, no sentido da divulgação de sua importância para a saúde mental de nossa sociedade.