Por Juliana Mello – RJ
Em Tcc utilizamos o termo Distorção Cognitiva para identificar pensamentos disfuncionais, que afetam o nosso funcionamento cotidiano. Como o próprio nome já diz, é uma distorção da realidade, um “erro” de processamento da informação, que acabam por justificar as nossas crenças sobre nós mesmos, as outras pessoas e o mundo/futuro, interferindo no nosso pensamento e comportamento. Para Rhena Branch e Rob Willson:
“Pensamentos distorcidos são deslizes de
pensamentos que todo mundo tem de vez em quando. [...] Os pensamentos
distorcidos desviam do caminho adequado ou induzem à distorções dos fatos”. (2012,
19)
Neste
texto, quero apresentar a Distorção Cognitiva chamada de Tudo ou Nada, também
conhecida como 8 ou 80, Dicotômico ou Preto e Branco.
Mas
por que é tão importante identificar essa Distorção?
Em
nosso dia-a-dia, precisamos ficar atentos as inúmeras possibilidades que surgem
de realizar coisas e de resolução de problema. A pessoa que apresenta essa
Distorção, acaba por ficar engessada a duas únicas possibilidades extremas: é
ou não é. Não existe um meio termo, uma flexibilidade cognitiva. É um
pensamento radical sobre as situações, que geram angústias e conflitos para a
pessoa, e consequentemente, para o ambiente que o cerca.
Aqui,
a pessoa acredita que uma situação exclui totalmente a outra. Pensamentos como
“ou gosta de mim ou não gosta”, “Ou eu faço como programado, ou não faço nada”,
“Se eu não tirar a maior nota, então sou um fracasso” estão sempre presentes,
fazendo com que a pessoa desista de algo ao primeiro sinal de resultado não
programado pelo seu pensamento. Como prejuízo, podemos perceber principalmente
sintomas de ansiedade, podendo se desenvolver para o pânico, e sintomas
depressivos.
Como
a Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha com esta Distorção?
· - Identificar no
dia-a-dia quando a Distorção está “acontecendo”;
· - Buscar por
evidências que comprovem e que não comprovem os pensamentos;
· - Buscar
pensamentos alternativos para a situação, ampliando as perspectivas;
· - Perguntar para as
pessoas o que elas pensariam sobre tal situação, para auxiliar no aumento de
repertórios cognitivos;
· - Pensar o que
falaria para um amigo, caso a situação fosse com ele;
· - Fazer uma análise dos prós e contras, isto é, do custo-benefício em se ter um pensamento Tudo ou Nada.
E
como a Arteterapia pode ser facilitadora neste processo?
Através
de técnicas que nos permitam trabalhar possibilidades, explorar formas e nos
tragam para a ação, isto é, agir diante das análises que fizemos dos nossos
pensamentos.
O
trabalho com tintas é um método muito eficaz nessa busca por flexibilizar nossos
pensamentos, encontrando o “meio termo” que nos permita fluir entre os extremos,
auxiliando a desenvolver nossa capacidade de sermos mais razoáveis em nossas
questões, aumentando nosso potencial criativo na resolução de conflitos e na
busca por resultados. Além disso, conseguimos visualizar na prática criativa as
possibilidades intermediárias, como se fossem degraus, passo-a-passo, entre uma
extremidade e outra.
Podemos trabalhar com o preto e o branco, e, através da junção dessas cores em termos de quantidade, criar um degradê que possa aproximar os extremos, o Tudo e o Nada, formando escalas de cinza. Ampliando o repertório de possibilidades de cores, e consequentemente percepções e pensamentos. A proposta do trabalho foi criar as possibilidades e integrá-las através do Mandala.
Uma outra possibilidade é através de polaridades cromáticas (cores primátias), criar uma terceira cor. Abaixo segue a polaridade amarelo e vermelho.
Outra possibilidade é escolher uma cor e, acrescentando o branco, procurar variedades de tonalidades para aquela mesma cor.
Para
finalizar, quero citar Eliana Moraes em seu livro Pensando a Arteterapia:
“A partir de uma proposta aparentemente
simples, sobre quanta profundidade podemos experimentar e agir [...] a
disponibilidade para fazer elos entre partes que parecem não dialogar, mas de
cujo encontro nasce um novo; o investimento de energia psíquica para criar e dá
forma a essas cores e contemplar a beleza de sua integração”. (2019, 94)
Bibliografia
BENEVENUTO,
Nayara. Distorções cognitivas: saiba o que são e como mudá-las. Disponível em: https://casule.com/blog/distorcoes-do-pensamento-saiba-porque-causam-problemas-e-como-as-mudar/
Acesso em 26/06/2022.
BRANCH,
Rhena; WILLSON, Rob. Terapia Cognitivo-Comportamental para leigos. Rio de
Janeiro: Alta Books Editora,
CARTAXO,
Vanina. Baralho das Distorções: Enfrentando as armadilhas dos pensamentos. . 1º
edição. 2º Edição. Curitiba: Sinopse, 2012.
MORAES, Eliana. Pensando a Arteterapia volume 2. Rio de Janeiro: Semente Editorial, 2019.
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Sobre a autora: Juliana Mello
Juliana,
ResponderExcluirseu texto já está fazendo pipocar um monte de ideias na minha cabeça. E que vontade de experimentar as tintas, misturas e graduações.
Parabéns pelo texto !
Abraços aí, Claudia Abe