segunda-feira, 5 de março de 2018

AUTOESTIMA NA VELHICE: O QUE A NEUROCIÊNCIA E A ARTETERAPIA DIZEM A RESPEITO DISSO?


Juliana Ohy - SP
julianaohy@gmail.com
Site: www.julianaohy.com.br


Quando ainda estava pensando sobre que tema escrever, coincidentemente ou não, começaram a surgir comentários e dúvidas de pacientes, artigos e reportagens sobre, além de outros estímulos. Aí pensei: “Talvez seja importante escrever sobre ela: A autoestima”.


Um hábito que tenho é, sempre que inicio um novo tema, dou o start pela etimologia do termo ou da palavra. 

Assim, autoestima é uma palavra originária do grego e do latim, onde AUTÓS (grego) significa A SI MESMO e AESTIMARE (latim) significa VALORIZAR, APRECIAR. 

Do dicionário: 
Autoestima é “característica da pessoa que se valoriza, estando satisfeita com sua maneira de ser, com sua forma de pensar ou com sua aparência física, expressando confiança em suas ações e opiniões: o aumento da autoestima pode melhorar a qualidade de vida”. 

            Segundo teorias da psicologia, autoestima é um componente do processo de desenvolvimento e maturação da personalidade, sendo construída a partir da interação social.

            Muitos fatores estão ligados a autoestima de forma positiva: senso de identidade, papel social que desempenhamos, valores, experiências vividas, conquistas. Mas também alguns fatores podem influenciar negativamente, tais como: fracassos, auto percepção (influenciada pelo julgamento que faz da percepção do outro sobre você), rejeição, humilhação.

            A velhice é um momento em que a interação social, naturalmente, fica mais escassa, seja pela falta de atividade na rotina, seja porque o idoso já não sente que tem um papel social importante a cumprir (e a nossa sociedade infelizmente ainda acredita nisso). Além disso, a perda de entes queridos próximos e prejuízos físicos e cognitivos, afastam o idoso da imagem real do que ele sempre foi. Essa diminuição significativa da interação social na velhice pode acarretar em graves prejuízos na autoestima.             

Mas onde está a autoestima no nosso cérebro? 


A autoestima está localizada entre áreas límbicas e o córtex frontal do cérebro. Toda a rede neural associada à autoestima é construída através da linguagem, da reflexão e de experiências anteriormente aprendidas (CHEDID, 2017).

“O principal objetivo do nosso cérebro é manter-se vivo, e isso inclui a manutenção de um sentido positivo do Eu. Todos queremos ser alguém validado pelos outros e isso só será possível se tivermos segurança emocional e uma autoestima autêntica” (CHEDID, 2017).            

Um estudo publicado sobre níveis de autoestima e performance cognitiva aponta que pessoas inseridas em ambientes com estímulos apresentam melhores índices de autoestima e a interação ambiental exerce papel relevante no comportamento dos idosos. Assim, as atividades realizadas através do grupo de convivência contribuem para uma melhoria das capacidades cognitivas, aumentando os níveis de autoestima (PORTO et al, 2011).

Na Arteterapia, ao entrar em contato com a arte, temos a ampliação da consciência física e mental, facilitando o autoconhecimento, autoconfiança e resgatando a autoestima, possibilitando que o indivíduo ressignifique a própria vida.

            O que é muito importante sabermos é que com o envelhecimento, os sistemas neurais são sim alterados, mas não são os únicos responsáveis pela performance cognitiva do idoso; o ambiente exerce papel relevante no comportamento desses indivíduos e na autoestima.

Consequentemente, com uma boa interação social, atividades que estimulem a criatividade e a autoconfiança, através da Arteterapia, há o surgimento de novas conexões neuronais, contribuindo para um envelhecimento saudável, com idosos mais confiantes e um cérebro mais ativo.

 Referências Bibliográficas

 CHEDID, Kátia. O que a neurociência tem a dizer sobre a autoestima em tempos de “baleia azul” e “13 reasons why”. InfoGeekie, 2017. Disponível em: < http://info.geekie.com.br/neurociencia-autoestima/.

PORTO, Ivalina et al. Correlação entre níveis de autoestima, performance cognitiva e de memória em idosos: uma visão ecológica. AMBIENTE & EDUCAÇÃO-Revista de Educação Ambiental, v. 15, n. 1, p. 187-206, 2011. Disponível em: < https://furg.emnuvens.com.br/ambeduc/article/view/993/923.



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Sobre a autora: Juliana Ohy


Formação:
Psicóloga, Neuropsicóloga, Arteterapeuta, Psicopedagoga, Especializada em Psicogeriatria e Mestre em Saúde Mental e Doutoranda em Ciências da Saúde.

Área de atuação/projetos/trabalhos:
Fundadora do Synapse: Centro de Estimulação Cognitiva. Autora do livro: Jogos Cognitivos: Um olhar multidisciplinar pela editora WAK. Professora dos cursos Arte e Cognição: Estimulando o cérebro através da arte e Jogos Cognitivos. Membro da equipe e professora do curso Neurociências da Educação do CBI of Miami. Palestrante na área de Neurociências, Gerontologia e Arteterapia.

Autora do livro "Jogos Cognitivos: um olhar multidisciplinar"


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