segunda-feira, 19 de agosto de 2019

“O OLHAR QUE NÃO SE PERDEU”: Diálogos arteterapêuticos entre pai e filha


Por Claudia Maria Orfei Abe - São Paulo / SP                                                                           leonardo.claudia@gmail.com
Relato aqui neste blog, uma experiência incrível que tive utilizando criatividade e manejo arteterapêutico. Momentos únicos, uma construção de memórias entre pai e filha.

Meu pai tem 85 anos, dentista aposentado, viúvo há 2 anos, diagnosticado com doença de Alzheimer em estágio inicial, quando foi realizado este trabalho. A doença está progredindo. Já não lembra que tem bisneto, está esquecendo do neto, do nome do meu marido ... tem horas que não fala “lé com cré”... às vezes sua escrita tem erros de português ou não tem nexo.

Por conta disto, tenho feito com ele estimulação através de atividades arteterapêuticas.

Este ano participei do curso “Apreciação Estética: Arte e Natureza”, oferecido gratuitamente pela Prefeitura de São Paulo, na UMAPAZ (Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz). Fiquei encantada com as aulas e vi ali uma oportunidade de levar o conteúdo das aulas para o meu pai, apreciador de arte quando criança.

Escolhi algumas obras apresentadas durante o curso e usando um pouco do manejo arteterapêutico, ele produziu os trabalhos e compartilhamos.

As imagens das obras originais que serviram de inspiração, os leitores poderão buscar na internet.



Seguem seus trabalhos:

1. As formas vegetais da natureza, 2019.
Gravetos s/ papel.
Inspirado em: Rivers and Tides, vídeo do artista Andy Goldsworthy.



“Só tive que arrumar círculos devido a matéria prima ser semicircular. Tive que fazer círculos, não ia endireitar. Fiquei alegre pela oportunidade de fazer montagens semicirculares e a beleza do marrom sobre o branco.”

2. Harmonia da natureza dos galhos, 2019.
Colagem de ramo vegetal s/ papel.
Inspirado em fotografia impressa de mandalas de folhas coloridas.



"já pode ir colando? Não pode fazer uma coisa muito firme... o jeito era encostar o galho e ver só onde encostava no papel e colar... porque se colocar algo por cima (peso) perde a graça... tem que ficar as folhas naturais... prender só o principal... deixar solto... as folhas estão todas à vontade... não está como uma gravura assim pintada... se puser mais coisa tira toda a beleza dos galhos que está bom.. .não é uma pintura. Deixar a coisa natural ".

Ele ergue o trabalho e mostra que as folhas têm que ter movimento.

3. Copos e taças do vinho, 2019.
Esferográfica em sulfite.
Inspirado em Natureza Morta de Caravaggio.


Com este tema, fez também um exercício de escrita criativa...

4. Ser humano observando a natureza, 2019.
Esferográfica e lápis preto aquarelável s/ papel.
Inspirado em pintura da paisagem de Caspar David Friedrich.


Utilizada a técnica de desenho rápido em cinco minutos.
No dia seguinte, peguei a obra dele e perguntei: “O que você acha desta obra? Conhece ao autor?” Ele fez que não. Daí mostrei sua assinatura. Ele reconheceu e deu uma risadinha.

5. Sol, nuvem e montanhas, modernamente construídos, 2019.
Colagem s/ papel.
Inspirado em pintura da paisagem de Julian Opie.


Nesta atividade, ele se levanta, caminha até a cristaleira e pega um cálice para riscar o molde do sol. Ao término de cada atividade, ele fala: “Muito obrigado pela oportunidade”.

Como finalização do curso, cada aluno apresentou um trabalho para a exposição lá nos corredores da UMAPAZ. Por sugestão da amiga Rita Maria, reuni os cinco trabalhos realizados por meu pai, ele deu o título a cada trabalho, e na obra final, coloquei o título “O Olhar que não se perdeu”. Meu marido falou que o título deveria ter a palavra OLHAR, então eu criei o título, considerando que meu pai perdeu praticamente a visão do olho direito por causa de glaucoma.



Consegui levar meu pai para ver a exposição, num sábado, no meio de um feriado, com a UMAPAZ em silêncio, e praticamente vazia. Ele não lembrou que fez, mas reconheceu seu nome nos títulos e sua assinatura nas obras.

Com minha ajuda, ele confeccionou o caderno do artista, que acompanhou a obra.


Após o encerramento da exposição, lemos juntos os recados escritos no Caderno do Artista. 

“Agora eu quero fazer um trabalho para agradecer as pessoas que foram apreciar minhas obras. Mas quero fazer algo planejado”.

Para mim, além de todo esse processo vivido, o principal é inspirar pessoas a construírem memórias com os seus idosos. No Alzheimer, o que importa é o momento vivido porque logo em seguida ele será esquecido...
Ele que era um apreciador de artes quando criança, agora é um apreciador das artes.

_________________________________________________________________________

Sobre a autora: Claudia Maria Orfei Abe



Arteterapeuta e Farmacêutica

Farmacêutica-Bioquímica graduada pela UNESP Araraquara-SP.
Especialista em Farmácia Homeopática pela USP-SP.
Especialista em Organização de Serviços em Dependência Química pela UNIFESP-SP.
Especialista em Gestão da Assistência Farmacêutica pela UFSC-Universidade Federal de Santa Catarina-SC
Especialista em Arteterapia e Criatividade pela Faculdade Vicentina-PR  
Focalizadora de Danças Circulares pela Prefeitura do Município de São Paulo-SP

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

PROCESSOS CRIATIVOS COM MANCHAS: Do Surrealismo à Arteterapia



Eliana Moraes (MG) RJ
naopalavra@gmail.com
Instagram: @naopalavra


Minha porta de entrada para o estudo da História da Arte em diálogo com a Arteterapia se deu a partir do movimento Surrealista: movimento artístico que buscava alcançar expressões do inconsciente através de processos criativos que fugiam da razão. 
Quando falamos em Surrealismo, automaticamente nosso pensamento se dirige a Salvador Dali. Mas vale muito reconhecer que antes dele, este movimento foi bastante potente e rico, além de bastante inspirador para nossas práticas em Arteterapia. 
André Breton, líder do movimento surrealista era médico psiquiatra e poeta, e escreve seu manifesto em 1924. Era estudioso de Freud, que se encontrava em pleno desenvolvimento da teoria psicanalítica, do conceito do inconsciente e o método da associação livre.
Freud, estabeleceu a “cura pela fala” e como parte do método catártico,  pedia que o paciente falasse, sem restrições ou censuras, tudo o que atravessasse a sua mente, com ou sem sentido, visando alcançar seu objeto, o inconsciente. Breton aplicou para fins artísticos o que Freud cunhou como a regra fundamental da psicanálise: a associação livre de Freud inspirou o automatismo surrealista. 
Entretanto: 
“Seria um equívoco... pensar que em virtude de suas origens aparentes na teoria psicanalítica, o espírito de pesquisa científica presidisse aos primeiros anos do surrealismo. A despeito da homenagem prestada a Freud, é evidente que o uso que eles fizeram de suas técnicas de livre associação e interpretação de sonhos foi em muitos aspectos oposto às suas intenções... Encorajar deliberadamente os desejos indisciplinados do homem é contrariar frontalmente a psicanálise de Freud, que tinha por finalidade curar distúrbios mentais emocionais do homem... Freud recusou-se certa vez a colaborar para uma antologia de sonhos organizada por Breton, argumentando que não conseguia vislumbrar em que uma coletânea de sonhos, sem as associações e as lembranças da infância do sonhador, poderia ter de interesse para alguém. O que os surrealistas viam era a imaginação em seu estado primitivo e uma expressão pura do ‘maravilhoso’.” (ADES in STANGOS, 117-118)

Freud e os surrealistas tinham um interesse em comum: o inconsciente. Porém, havia uma bifurcação: Freud possuía um interesse médico/científico. Já os surrealistas buscavam técnicas artísticas de acesso ao inconsciente. A Arteterapia alcança uma interseção entre os dois, pois tem o interesse em técnicas expressivas de acesso ao inconsciente e seus efeitos terapêuticos. 
O Surrealismo nos anos 20: o automatismo
Antes das pinturas surrealistas mais conhecidas do grande público, nos anos 20 a grande contribuição do movimento foi o processo criativo baseado no automatismo ao qual Breton definiu no Manifesto de 1924: 
“Surrealismo – automatismo psíquico puro, por meio do qual alguém se propõe a expressar – verbalmente, utilizando a palavra escrita, ou de qualquer outra maneira – o verdadeiro funcionamento do pensamento, na ausência do controle exercido pela razão, livre de qualquer preocupação estética ou moral.” (BRETON in BRADLEY, 21)
Originalmente um movimento formado por poetas, o automatismo era inicialmente uma empreitada literária. Somente em 1925 houve um programa surrealista para as artes visuais com “Surrealismo e a Pintura” de Breton.
Entretanto, na imagem, o processo automático precisou se reinventar: 
“... a natureza absoluta do automatismo surrealista: poesia, prosa e supostamente a pintura deveriam se originar do encadeamento das primeiras palavras ou imagens que ocorressem à mente...

Para as artes plásticas... o veículo... era a mancha, mais do que a palavra...

A parafernália da pintura a óleo... tendia a dificultar a espontaneidade do impulso... Os pintores surrealistas tiveram que buscar um outro caminho para o maravilhoso.” (BRADLEY, 21) 


Sendo assim, o caminho encontrado pelos pintores surrealistas para a experimentação do automatismo na imagem, se deu com as manchas e suas múltiplas possibilidades. 
Alguns processos experimentados
- Manchas de tinta (explorando o elemento cor)
Contrariando o processo de pintura habitual, ao qual o artista partia de uma ideia temática pré-concebida, os surrealistas abriam-se para “borrões de tinta” aleatórios para dali encontrarem seus temas.  
“Sabe-se que Miró trabalhou de modo similar, mas a partir de um começo ainda mais arbitrário: diz-se que certa vez ele iniciou uma pintura ao redor de manchas de geléia que tinham atingido a tela” (BRADLEY, 22) 
- Decalque/monotipia (explorando o elemento cor)
Os artistas também experimentaram espalhar guache, nanquim ou tinta a óleo numa superfície lisa e não absorvente, como o vidro.  Em seguida, o papel ou a tela eram aplicados sobre a base entintada, e ao serem retirados, retinham a tinta colorida, criando fundos que poderiam ser trabalhados. 
- Frottage: (experimentando texturas)
Resultado de imagem para frottage ernst

Max Ernst criou um método mais ou menos automático que posteriormente era traduzido para a pintura a óleo:  ele criava um padrão para o fundo friccionando o lápis ou o carvão no papel,  posto sobre uma superfície áspera ou irregular qualquer, como fez certa vez, sobre uma espinha de peixe. A partir deste padrão, criou uma imagem que foi traduzida, já de forma mais racional e técnica, para uma pintura. O artista chamava este processo de “ver em”. 
- O desenho automático (explorando o elemento linha)

Resultado de imagem para andre masson


Andre Masson adotou o automatismo surrealista e deu início aos seus desenhos à pena e a tinta, logo depois do seu encontro com Breton. Seus desenhos automáticos estão entre os mais notáveis produtos do surrealismo. No processo, a pena move-se rapidamente, sem ideia consciente de um tema, traçando uma teia de linhas firmes, das quais emergem imagens que são, por vezes, aproveitadas e elaboradas, outras vezes deixadas como sugestões. 


Uma variação deste processo, ele fez com areia, ao qual o movimento da linha era feito com a cola e posteriormente a areia era acrescentada. 


Manchas: do Surrealismo a Arteterapia



O imenso e variado repertório de trabalhos com manchas em Arteterapia tem sua raiz na História da Arte no Surrealismo. Com este processo trabalhamos o automatismo em imagens. São processos indicados quando a ideia é abrir mão do racional e da escolha consciente do tema, do processo e das imagens resultantes. Quando rebaixamos o controle racional, manifestações e expressões inconscientes são acessadas, e as as manchas servirão como  estímulos projetivos espontâneos a serem trabalhados. 

A prática nos mostra que o processo criativo que busca expressões inconscientes através da não racionalização, não escolha e não planejamento, abre caminho para o surgimento de símbolos espontâneos, e por isso muito potentes quando acolhidos e elaborados. Naturalmente faz emergir a questão do paciente (através do fenômeno da projeção) causando muitas vezes uma surpresa por parte do autor. Consequentemente também possui um potencial de resistência, que deve ser acolhido pelo terapeuta. 

São interessantes também para pacientes presos à estética exterior e ao “belo reconhecido” para que saiam do processo criativo a partir do escolhido. Interessantes também para clientes/pacientes iniciantes da Arteterapia, inseguros em produzir uma imagem. 

Em um próximo texto, darei seguimento ao diálogo dos artistas surrealistas com a Arteterapia, abordando outra grande contribuição deste movimento para nossas práticas: as imagens oníricas. 

Referências Bibliográficas: 
BRADLEY, Fiona. Surrealismo. 
STANGOS, Nikos (org). Conceitos de arte moderna.
_________________________________________________________________________________

Sobre a autora: Eliana Moraes



Arteterapeuta e Psicóloga.
Especialista em Gerontologia e saúde do idoso e cursando MBA em História da Arte.


Fundadora e coordenadora do "Não Palavra Arteterapia".
Escreve e ministra cursos, palestras e supervisões sobre as teorias e práticas da Arteterapia. 
Atendimentos clínicos individuais e grupais em Arteterapia. Nascida em Minas Gerais, coordena o Espaço Não Palavra no Rio de Janeiro.
Autora do livro "Pensando a Arteterapia" CLIQUE AQUI

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

SOBRE A ARTE E OS SORRISOS DE GENUÍNA GRATIDÃO


Suzane Guedes - RJ
olharparasi@gmail.com

Uma das alegrias de morar no Rio é me deparar vez ou outra com a arte na rua. Uma arte que nem sempre foi “de rua”, mas que com os desdobramentos políticos e sociais está cada vez mais presente nos espaços públicos. Artistas que querem dar a voz, literalmente, ao seu talento e não encontram espaço para expressá-lo. E essa falta de espaço vai sendo observada inclusive nos pequenos espaços que eles ocupam e fazem destes, grandes palcos e marcam seus lugares.

Nos trens dos metrôs isso fica visível e claro. Fazer do pouco o muito, do pequeno o grandioso. E a arte não é mesmo trabalhar com a criatividade, resiliência e adaptação? Quem teve a oportunidade de fazer um curso de teatro sabe da importância da improvisação. Na arte e na vida.

E num desses dias, entre minhas idas e vindas em vagões, me deparei com uma arte que não costumo enaltecer ou mesmo olhar com mais demora, mas parei para observar. Uma arte hip hop de alguns jovens que faziam barulho, mas em harmonia, e seus corpos dançavam como se tivessem elástico e muito ritmo. Nossa que incrível! A energia que eles emanavam contagiava os que estavam presentes e dispostos a presenciar. Tirou-me de um estado de desligamento e me convidou a entrar no clima e na vida real para além de meus próprios pensamentos e reflexões. Trouxe-me um sentimento de genuína gratidão por estar ali, vivenciando a vida na arte.

Pausa no texto que se iniciou em janeiro de 2019 e não foi concluído. 
Interessante, não?

Chegamos em junho do mesmo ano de 2019 com uma notícia de tirar o fôlego e nos depara no real da nossa política atual. “O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) considerou inconstitucional a Lei Estadual 8120/2018, que regulamentava performances artísticas em estações de barcas, trem e metrô.” A decisão foi divulgada após uma ação movida pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), hoje senador, como informado por vários meios de comunicação.

"A cada um cabe escolher, de acordo com os seus valores e convicções, que tipo de arte e em que momento pretende assisti-la, não sendo razoável ou proporcional qualquer imposição, haja vista a possibilidade de simplesmente pretender exercer seu direito ao sossego, o que não é possível, diante da exposição a gritarias e ruídos estridentes de aparelhos musicais", escreveu o desembargador relator Heleno Ribeiro Pereira Nunes, do Órgão Especial do TJ-RJ.



Direito ao sossego... Essas palavras fizeram eco em meus ouvidos perante a disparidade que encontramos nossos meios públicos de transporte: que sossego? Desde quando andar em um transporte público na cidade do Rio de Janeiro é exemplo de sossego? Não querendo entrar em questões políticas, mas já entrando, pois arte é também um ato político, um ato de conexão e transferência.

 Inclusive em arteterapia, como bem coloca Eliana Moraes no texto “O manejo do fenômeno da projeção em Arteterapia”, do livro Pensando a Arteterapia, o material utilizado na produção arteterapêutica faz também um papel de contratransferência na relação terapeuta-cliente, e acredito sim, que a arte de rua também tem esse papel a nos tirar de nossas próprias projeções pessoais e sociais e conhecer o novo, novos sons, novos movimentos e que sejam, novos ruídos, para além dos nossos barulhos internos e das violências externas e medos cotidianos.

Fico pensando no que senti no metrô naquele dia do hip hop que me convidou a sair de mim e ir a outros mundos e o quanto me fez bem. Fico me lembrando das pessoas que também observo sendo espectadoras da arte nos locais públicos e os quantos sorrisos de genuína gratidão a arte desperta. Fico pensando em quantas vezes eu pude sentir alegria com a arte e em quantos desdobramentos já vi meus clientes sentirem boas emoções também através da arte, muitas vezes tendo sido convidados a experimentar pela primeira vez materialidades que eles não tinham vivência ou conforto algum. Fico pensando o quão potente a música é e nos desperta de estados de ânimos esvaziados nos reportando a estados de alma cheios de vivacidade. Fico pensando se quando os autores e executores das leis viajam para fora do país, se eles dão suas costas às artes ou admiram como superficiais, mas genuínos espectadores.

Meu convite sempre será para a simplicidade, genuinidade e sensibilidade. E existe caminho melhor que pela arte?

Com amor, Suzane Guedes.

Referência Bibliogrática:

MORAES, Eliana. Pensando a Arteterapia. Divino de São Lourenço, ES: Semente Editorial, 2018.

___________________________________________________________________

Sobre a autora: Suzane Guedes


Suzane Guedes é Psicóloga (CES-JF), Especialista em Psicologia e Desenvolvimento Humano (UFJF) e Arteterapeuta (POMAR).
Colunista no blog O psicólogo Online, no qual escreve sobre Autoestima.
Atua nas cidades do Rio de Janeiro e Três Rios-RJ com atendimento clínico presencial a crianças, jovens, adultos e idosos; ministra grupos e oficinas terapêuticas. Também trabalha como orientação psicológica online.
Suzane acredita na psicoterapia e arteterapia como grande ferramenta de auxílio à transformação e desenvolvimento pessoal e social.