segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

SÉRIE DO IMPRESSIONISMO À ARTETERAPIA: Um convite à extroversão


Paul Cézanne "Mount Sainte Victoire"

naopalavra@gmail.com
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No percurso do grupo de estudos “Teorias da Arte e Arteterapia” em algum momento nos deparamos com o movimento impressionista e nele mergulhamos por alguns meses. Impulsionada por este estudo, hoje inicio uma série de três textos pelos quais compartilho possíveis contribuições do movimento impressionista para a prática do arteterapeuta. 

O Impressionismo

O Impressionismo foi um movimento artístico que iniciou-se na França, entre 1860 e 1870. Nasceu com a ligação de Monet e Renoir e, como movimento, apresentou-se pela primeira vez ao publico em 1874, com uma exposição de “artistas independentes” no estúdio do fotografo Nadar. 

Estes artistas tinham em comum a aversão a arte acadêmica e a recusa dos hábitos e métodos de ateliê, sendo assim, realizavam um estudo ao vivo, direto e experimental. Rompendo as quatro paredes da academia, trabalhavam de preferência às margens do Rio Sena, propondo-se a exprimir a sensação visual e representar da maneira mais imediata e flagrante a impressão luminosa e a transparência da atmosfera e da água. De fato, o termo “Impressionismo” nasceu de um comentário irônico atribuído a uma pintura de Monet chamada “Impressão, nascer do sol”, mas no fim das contas, o nome foi adotado pelo  grupo de artistas. 


Claude Monet "Impressão, nascer do sol"

Os impressionistas ocupavam-se exclusivamente da sensação visual, e defendiam que a experiência da realidade que se realiza com a pintura é uma experiencia plena e legitima.   

Este movimento que rompeu decididamente as pontes com o passado, abriu caminho para a pesquisa da arte moderna. Neste momento de conversão histórica, o pensamento analítico do artista estava sendo substituído pela sua visão. Conhecida como uma pintura “retiniana” os pintores impressionistas eram verdadeiros pesquisadores da impressão óptica do que era luminoso e transitório, no instante daquela impressão, e como resultado na imagem, a cor era exaltada e a forma, de certa maneira, negligenciada.    

Do Impressionismo a Arteterapia


"Nascer do sol" Trabalho de Arteterapia 

A articulação entre a História da Arte e a Arteterapia tem sido uma das minhas grandes paixões. Através da História da Arte instrumentalizamos nossa escuta para a cultura, o social que nos compõe e para o indivíduo que nele está inserido e nos procura “em dor”. 

A clínica da Arteterapia me apresenta um perfil de pacientes que são um grande desafio para a clínica da psicologia, uma vez que esta se sustenta prioritariamente a partir da linguagem verbal: pacientes que demonstram um grande esvaziamento, empobrecimento, embotamento, como em quadros depressivos graves. Ou de forma mais ampla, pacientes que fizeram um extremo investimento de energia psíquica para dentro, qual seja, um movimento de introversão. Este esvaziamento se faz apenas de forma aparente, pois no mundo interno são sujeitos em ebulição, mergulhados em seus conteúdos psíquicos e pensamentos obsessivos. Desta forma, o muito externo se mostra ameaçador. Segundo Jung: 

“Quanto maior a multidão, maior se torna a resistência. Não está de modo algum ‘com ela’ e não tem nenhum prazer no ajuntamento entusiasmado. Não se mistura bem. Tudo o que faz, o faz a seu modo, pondo barricadas contra a influência de fora... Sob condições normais, é pessimista e preocupado, porque o mundo e os seres humanos não são nem um pouco bondosos, e sim o esmagam...

Estes esforços vêem-se constantemente frustrados pelas impressões avassaladoras recebidas do objeto; este continuamente impõe-se a ele contra a sua vontade, fazendo surgir nele os mais desagradáveis e intratáveis efeitos, perseguindo-o a cada passo. Uma tremenda luta interior se faz necessária a cada passo para ‘continuar em frente’. (JUNG in SHARP, 1991, p 100 -101)

No trabalho com este perfil de pacientes, podemos tomar como inspiração a história dos pintores impressionistas, que não se contentaram com os interiores da academia e em um ato simbólico, se deslocaram para fora e se lançaram às experiências com a natureza. Seus olhares curiosos não estavam mais para os modelos, objetos e técnicas acadêmicas, mas passaram a buscar suas impressões ao olhar para o exterior. 

"Paisagem" Trabalho de Arteterapia 

A primeira possibilidade que aqui visualizamos, quando for possível ao paciente, se dá ao estimularmos que ele  exercite seu olhar para fora. Atendimentos externos, seja no pátio da instituição, aos arredores do consultório ou até mesmo abrindo a janela: um olhar para além das “quatro paredes”. Vale ressaltar que em nossa contemporaneidade, o excesso de informações e a aceleração da vida cotidiana também nos rouba a capacidade de contemplação, a oportunidade de demorar-se em observar a natureza e os acontecimentos ao redor. Interessante destacar também, que em tempos de hiperinvestimento em “realidades virtuais” em uma contemporaneidade atravessada pela cibercultura, o investimento em deixar-se impressionar pelas percepções sensoriais trazem experiências de vida.  Exercitar um olhar impressionista a cada dia é um desafio para todos nós. 

Voltando ao cenário da introversão, a clínica nos mostra a verdadeira luta interior travada pelo sujeito no eixo “para dentro” e “para fora”. A relação com o próprio terapeuta e a formação do vínculo, já se configura um grande desafio. O diálogo então, um penoso trabalho. A arte, assim, se apresenta como um elemento terceiro, amenizador deste enfrentamento. O olhar e as forças projetivas são divididas, o que facilita ao sujeito baixar as resistências e em meio ao criar, se expressar.

Além disto, o criar naturalmente fará uma força contrária, um empuxo de conteúdos psíquicos “para fora”, ganhando forma, cores, concretude, matéria, contribuindo para um movimento de energia na direção do mundo exterior:

“A extroversão caracteriza-se pelo interesse pelo objeto externo, pela responsabilidade e pela pronta aceitação dos acontecimentos externos, pelo desejo de influenciar e ser influenciado pelos acontecimentos, pela necessidade de aderir e de ‘estar com’...” (JUNG in SHARP, 1991, p 63)

Cada trabalho produzido no setting arteterapêutico é efetivamente “um trabalho” para aquele sujeito com investimento de energia tão reduzida para os objetos. Aquele resultado, que muitas vezes se mostra empobrecido imageticamente, já demandou grande esforço e neste está nosso estímulo como arteterapeutas. A nós, cabe o desafio de ter paciência e empatia com este processo de reinvestimento de energia psíquica para o mundo externo. 

O diálogo com os pintores impressionistas nos convida à extroversão, nos inspira à experiências de vida e à nos deixarmos afetar e impressionar com aquilo que nos cerca. Nos próximos textos seguirei compartilhando aspectos deste riquíssimo movimento da História da Arte e suas possíveis aplicabilidades às práticas da Arteterapia. 




SHARP, Daryl. Léxico Junguiano, Ed Cultrix, SP. 1991.

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Sobre a autora: Eliana Moraes




Arteterapeuta e Psicóloga. 


Especialista em Gerontologia e saúde do idoso e cursando MBA em História da Arte.
Fundadora e coordenadora do "Não Palavra Arteterapia".
Escreve e ministra cursos, palestras e supervisões sobre as teorias e práticas da Arteterapia. 
Atendimentos clínicos individuais e grupais em Arteterapia. Nascida em Minas Gerais, coordena o Espaço Não Palavra no Rio de Janeiro.
Autora do livro "Pensando a Arteterapia" CLIQUE AQUI

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

PARA 2019, “A FÚRIA DA BELEZA”




Beatriz Milhazes

Por Eliana Moraes (MG) RJ
Instagram @naopalavra



“... Então, por favor,
É melhor não mexer nessa dor!
Parece descaso mas é um estrago
passar essa tarde mexendo no horror.
Parece loucura mas é uma tortura
matar essa tarde lembrando o terror.
É melhor não mexer com essa dor!
Com o dia rolando assim lindo e calado,
com as notas musicais de um teclado,
em meio à cidade do ofício e do riso,
do afeto e do lixo, não acho difícil
a gente pescar – a beleza
a gente sacar – a beleza
a gente firmar – a beleza
a gente espiar – a beleza
a gente se amar – na beleza,
pra gente gozar.
Então, por favor,
é melhor não mexer com essa dor!
Parece mentira mas dá ziquizira
roer esta tarde com ódio e bolor.
Parece bobagem mas é sacanagem
perder esta tarde brindando o rancor.
É melhor não mexer com essa dor,
que a tarde é linda, que a tarde é boa
e, antes que seja tarde, boa tarde, amor!”

Em “Boa tarde, amor”

Iniciei o período sabático vivido na passagem de 2018 para 2019 buscando um esvaziamento. Após um ano de muita atividade, faz-se necessário um desacelerar e silenciamento. Silêncio. Este é essencial como pausa, mas também como abertura de espaço para o novo. 

Em silêncio tentei ouvir o que o novo ciclo teria a me dizer e são em momentos como estes que as (memórias das) sincronicidades começam a aparecer. Lembrei-me que ao longo do ano, recorrentemente me impactavam algumas publicações do professor Marcos Quintaes que trazia como legenda “Só a beleza nos salvará”. Lembrei-me também que estudar sobre o conceito de Estética para a arte me tocou sobre aquilo que não é da ordem da futilidade, mas da experiência do Belo. No segundo semestre, me dediquei ao estudo sobre a artista brasileira Beatriz Milhazes, tida por alguns críticos como “um oásis do Belo na arte contemporânea”. Por fim, absolutamente não por acaso, no meu aniversário fui presenteada por uma pessoa tão querida, com o livro “A fúria da Beleza” de Elisa Lucinda (suas poesias ilustram este texto) e assim compreendi: meu coração está na busca pelo Belo. 

Hoje retomo um fragmento de meu primeiro texto de 2018 ao qual percebo que nele permaneço:
“Há algum tempo tenho investido na percepção dos fenômenos sociais da atualidade e estimulado arteterapeutas que me cercam para que exercitem seu olhar para os movimentos coletivos de seu tempo e do seu campo de influência, e assim orientem seu trabalho e propostas em Arteterapia. Emprestar seu corpo, sensações e intuições para a captação e tradução para a esfera objetiva os movimentos da humanidade, compõe a função do artista ao longo da história. Conscientizando-se desta função, podem os arteterapeutas imbuídos desta sensibilidade, orientar suas práticas arteterapêuticas, em propostas estruturadas ou semi-estruturadas, para não oferecerem temáticas a partir de seus próprios desejos, mas oferecer os materiais e linguagens expressivas que as pessoas estão tão  carentes e nos pedem intuitivamente.” (MORAES, 2018)

Este caminho de desenvolvimento da sensibilidade artística é absolutamente íntimo e pessoal. E aqui reforço meu incentivo para que cada arteterapeuta participe deste esvaziamento de si e (se) ouça como pode exercer seu ofício, oferecendo os materiais e estímulos que o social nos pede. Neste texto compartilho minha experiência pessoal, que não é “a verdade” ou “a solução”, mas a minha contribuição: a experiência do Belo. 

A beleza como resistência 



“Estupidamente bela
a beleza dessa maria-sem-vergonha rosa
soca meu peito esta manhã!
Estupendamente funda,
a beleza, quando é linda demais,
dá uma imagem feita só de sensações,
de modo que, apesar de não se ter a consciência desse todo,
naquele instante não nos falta nada.
É um pá. Um tapa, um golpe.
Um bote que nos paralisa, organiza,
dispersa, conecta e completa!
Estonteantemente linda
a beleza doeu profundo no peito essa manhã.
Doeu tanto que eu dei de chorar, 
por causa de uma flor comum e misteriosa do caminho...
Me tirou a roupa, o rumo, o prumo
e me pôs a mesa...
é  a porrada da beleza!...

Acontece as vezes e não avisa.
A coisa estarrece e abre-se um portal.
É uma dobradura do real, uma dimensão dele,
uma mágica à queima-roupa sem truque nenhum.
Porque é real...

Penso, as vezes que vivo para esse momento
indefinível, sagrado, material, cósmico,
quase molecular.
Posto que é mistério,
descrevê-lo exato perambula ermo
dentro da palavra impronunciável.
Sei que é dessa flechada de luz
que nasce o acontecimento poético...

Violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!”

Em “A fúria da Beleza”

Não há dúvidas, temos um ano bastante desafiador pela frente. Como terapeutas, somos convocados a atuar junto à indivíduos afogados em suas dores pessoais e coletivas. Como arteterapeutas, somos portadores de instrumentos expressivos, organizadores, orientadores e criativos através da arte. É necessário resistência, firmeza, tônus, atitude. Foi neste sentido que o título do livro de Elisa me capturou: “a fúria da Beleza”, com a força tal qual uma “porrada”. 
Beleza, reencontrei-me com esta palavra, tão desgastada e desconfigurada pelo senso comum – assim como a palavra “estética” para o campo da arte – como algo exterior, fútil, banal ou vulgar. 

No campo da filosofia, o termo estética se refere à uma dimensão da experiência e da ação humana, que possibilita caracterizar algo como belo, agradável, sublime, grandioso, alegre, gracioso, poético, ou então como feio, desagradável, inferior, desgracioso, trágico. Num sentido psicológico, refere-se às experiências e aos comportamentos emocionais que as coisas belas provocam nas pessoas, como sensação de enlevo, sensibilidade, afetividade, profundidade, “eternidade”.

Neste sentido, as vivências arteterapêuticas são grandes promotoras de experiências com a beleza. Através delas proporcionamos aquilo que é sensível, sublime, poético, profundas emoções e sensação de enlevo – que penso eu, hoje tão escassos em solo brasileiro. Quando repetimos o bordão “em Arteterapia a estética não é importante”, estamos usando esta palavra em um sentido comum. Como arteterapeuta, gosto de trabalhar com a perspectiva de Kandinsky, que fala do “Belo Interior” e é com este conceito que oriento meu paciente sobre a estética em Arteterapia.   

No livro “A arte como terapia” os autores abordam o receio recorrente quanto àqueles que buscam o “gracioso” na arte, como se significasse uma falta de envolvimento com a complexidade e os problemas sociais. Mais ainda, o medo de que o gracioso nos deixe entorpecidos e fiquemos pouco críticos e atentos às injustiças à nossa volta. Porém, defendem:
“A preocupação é que a gente se sinta alegre e contente com excessiva facilidade, com uma visão francamente otimista da vida e do mundo. Em suma, que nos sintamos esperançosos sem justificativa. 
No entanto... longe de termos uma visão cor-de-rosa e sentimental demais, durante a maior parte do tempo sofremos de excesso de melancolia. Temos grande consciência dos problemas e das injustiças do mundo – só que nos sentimos muito fracos e pequenos diante deles. 
A alegria é uma grande proeza, e a esperança merece celebração... Os problemas atuais, raramente são criados por gente com uma visão muito cor-de-rosa das coisas; os problemas do mundo nos são apresentados com tanta frequência que precisamos de instrumentos para preservar o ânimo.” (BOTTON & ARMSTRONG 13-16) 

No romance “O idiota” de Dostoiévski, o protagonista, moço tomado como um bobo, afirma que “somente a beleza salvará o mundo”. Sendo tolice ou não, minha oração em 2019 também vem em forma de poesia: 
“Deus salve as belezas corajosas!
Elas esparramam a atitude e
no seu jeito explícito
o seu Van Gogh.
Estilhaçam as pinceladas a tela da vida,
pintam ousadas, como um Dalí enlouquecido,
seu teor, seu clamor, seu alarido.

Deus salve as belezas corajosas
e proteja o coração de seus vencidos.”

Em “Reza forte” 


Referências Bibliográficas: 

BOTTON, Alain de & ARMSTRONG, John. Arte como terapia. Editora Intrínseca, Rio de Janeiro, 2014.

LUCINDA, Elisa. A fúria da Beleza. Editora Afiliada, Rio de Janeiro, 2006.

MORAES, Eliana. Para 2018, olhos de sementes: diálogos com a argila. Blog Não Palavra, 2017

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Sobre a autora: Eliana Moraes



Arteterapeuta e Psicóloga. 


Especialista em Gerontologia e saúde do idoso e cursando MBA em História da Arte.

Fundadora e coordenadora do "Não Palavra Arteterapia".

Escreve e ministra cursos, palestras e supervisões sobre as teorias e práticas da Arteterapia. 

Atendimentos clínicos individuais e grupais em Arteterapia. Nascida em Minas Gerais, coordena o Espaço Não Palavra no Rio de Janeiro.
Autora do livro "Pensando a Arteterapia" CLIQUE AQUI

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

MINHAS OFERTAS (AO MUNDO): Fechando 2018 à inspiração de Cora Coralina



Eliana Moraes (MG) RJ
Instagram @naopalavra

“Feliz é aquele que compartilha o que sabe e aprende o que ensina.” Cora Coralina

Feliz, assim recebo dezembro e o final de 2018. Para o Não Palavra Arteterapia, este foi um ano de muito trabalho e (a palavra que mais se repete em minha mente) consolidação. Neste ano germinaram muitas sementes há muito tempo plantadas, sementes que tinham seu tempo próprio para fazer germinar e brotar. Brotaram. 

Todo este processo, fundamentado no desejo de compartilhar os estudos e práticas daquilo que move meu senso de missão neste mundo: a Arteterapia. Em um ano tão conturbado em nosso social, a cada momento confirmava a certeza de que o mundo necessita de arte, e minha contribuição é oferecê-la através da Arteterapia, além de instigar arteterapeutas para que também o façam. Acredito que o conhecimento só se faz quando compartilhado. E acredito que o conhecimento da Arteterapia deve ser multiplicado por sua tamanha importância. Esta é a raiz do meu desejo: ofertar aquilo que aprendo.



Potencializando este caminho de ofertas, encontrei parceiros ao longo do caminho aos quais, sem eles, não seria possível. Neste ano o Não Palavra Arteterapia agregou em sua equipe a Laila Alves de Souza como gestora dos projetos e redes sociais e a Patrícia Serrano como gestora de materiais e arquivo. Larissa Kouzmin-korovaeff da Semente Editorial, parceira que generosamente abriu as portas para aumentar o alcance de minha escrita através do livro “Pensando a Arteterapia”. Além dos espaços virtuais, berço do Não Palavra, em 2018 expandimos territórios geográficos: além do Espaço Não Palavra em Copacabana, firmamos a parceria com Vera de Freitas do Espaço Venha Conosco na Tijuca- RJ e com a Regina Célia Rasmussen do Espaço Crisântemo de São Paulo.  

Quanto ao blog, o consolidamos como um espaço colaborativo. Um espaço de compartilhamento de reflexões, pensamentos, experiências. Neste ano, foram ao todo 42 textos, e esta construção só foi possível com a colaboração de Valéria Diniz, Juliana Mello. Laila Alves de Souza, Tania Salete, Daniele Pereira Schnorrenberger, Suzane Guedes, Vera de Freitas, Hellen Faria, Liane Esteves, Andréa Goulart de Carvalho, Fabiana Juvencio, Cristina Costa, Flávia Amancio de Oliveira, Juliana Ohy. Cada autor contribuiu com a sua abordagem teórica, sua perspectiva, seu olhar e estilo para a Arteterapia, que acredito ser tão rica, tão plural, tão potente!

Cabe mencionar também todos aqueles que participaram dos encontros, palestras, eventos e grupos estudos do Não Palavra ao longo do ano. Pude conhecer muitas pessoas interessadas, engajadas, investidas e desejosas da Arteterapia. Pessoas aos quais pude ofertar aquilo que construí e receber aquilo que me move. Toda gratidão à uma rede lindamente construída, tecida por afeto, comprometimento, idealismo e arte. 

Ao fechar este ano só posso agradecer a cada pessoa que colaborou para sua construção. Ao pensar no que dizê-las, me faltaram palavras, mas pude encontrar em Cora Coralina os versos que falassem por mim. Cada um destes versos resume aquilo que trago no peito e com eles damos início à um período sabático para o blog, que se estenderá até 4 de fevereiro de 2019. Neste dia, o blog Não Palavra retornará com novos textos, novas reflexões, novas energias e você faz parte desta construção. Por hora, é tempo de descansar e restaurar a terra para que acolha, sustente e alimente a muitos, em um ano que tanto nos solicitará. Até lá, que o som da poesia reverbere em nós! 

OFERTAS DE ANINHA (AOS MOÇOS)



Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
que vai ligando a família humana
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana.
Creio na superação dos erros
e angústias do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futuras dos erros e violências do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar. 

Cora Coralina

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Sobre a autora: Eliana Moraes



Arteterapeuta e Psicóloga. 
Especialista em Gerontologia e saúde do idoso e cursando MBA em História da Arte.
Fundadora e coordenadora do "Não Palavra Arteterapia".
Escreve e ministra cursos, palestras e supervisões sobre as teorias e práticas da Arteterapia. 
Atendimentos clínicos individuais e grupais em Arteterapia.Nascida em Minas Gerais, coordena o Espaço Não Palavra no Rio de Janeiro.
Autora do livro "Pensando a Arteterapia" CLIQUE AQUI