segunda-feira, 14 de agosto de 2017

TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL E ARTETERAPIA: UM DIÁLOGO POSSÍVEL



Por Suzane Xavier Rocha - RJ
suzane.psi@gmail.com


         Quando terminei minha Pós-Graduação em Terapia Cognitiva Comportamental, fiquei pensando em qual tema abordar no trabalho de conclusão de curso. Comecei a refletir  sobre alguns estudos que já tinha feito e  resolvi me aprofundar nas pesquisas sobre Arteterapia, assim decidindo fazer o trabalho “Terapia Cognitiva Comportamental e Arteterapia – Um dialogo Possível”.


A dificuldade de encontrar uma bibliografia específica e pesquisas sobre o tema fez com que eu buscasse em minha prática clínica e em estudos complementares algum embasamento para esta articulação que até hoje me instiga e ainda se encontra em aberto. O texto de hoje é um fragmento deste fluxo de pensamentos.

Vejo que a criação artística induzida pode facilitar o surgimento de expressões não verbais, dando espaço para a “não palavra” e também para ressignificações. A partir do uso das técnicas expressivas de forma diretiva, a expressão por imagem estimula ao paciente à criação em cima de um tema proposto.  Isso me fez perceber o quanto a comunicação paciente x terapeuta enriquece e favorece todo o processo.


A importância deste dialogo baseado em respostas mescladas pela presença de reestruturações cognitivas, está em possibilitar ao individuo abrir as cortinas densas que ocultam-lhe seus ‘ esquemas inadaptativos podendo propiciar a identificação até que possa aprender a descortiná-los, com seus próprios recursos, através de suas criações, permitindo um crescimento de ser e estar, no aqui e agora. 



Importante lembrar que a imagem é um símbolo interno e que é a primeira construção da realidade interna antes da palavra. O psicoterapeuta precisa não apenas dominar objetivos e procedimentos relativos ao uso de técnicas às quais pretende aplicar (da Arteterapia e da Terapia Cognitiva Comportamental), mas antes de tudo definir, com clareza, os meios de adaptação de um recurso técnico ao outro a fim de estabelecer os objetivos à mobilização de conteúdos internos.


Percebo que o paciente que experiencia o processo na Arteterapia tem capacidade de expressar a complexidade humana através da grande multiplicidade de significados que são revelados em seus trabalhos. Ou seja, a arte tem a capacidade de não somente criar, mas despertar, elaborar, perceber, podendo ser considerada uma mensagem onde terapeuta e paciente poderão compartilhar uma experiência única podendo refletir sobre seus padrões de pensamento e suas crenças sobre si mesmo, o outro e o mundo.


Ao terapeuta compete facilitar as suas descobertas, ajudando-o no trilhar deste caminho. Ele é observador e ao mesmo tempo participante deste processo. Os materiais expressivos e as técnicas comportamentais são utilizados como veículos desta jornada. Assim, expressando-se, verbalizando suas dores, suas dúvidas, suas angústias, seus medos, experimentando, criando, destruindo, construindo, reconstruindo, uma caminhada para o interior e para o exterior é feita.


Hoje concluo com Dalai Lama, em seu livro “Uma ética para o novo milênio”, (1999): “Se pudermos reorientar nossos pensamentos e emoções e reorganizar nosso comportamento, então poderemos não só aprender a lidar com o sofrimento mais facilmente, mas, sobretudo e em primeiro lugar, evitar que muito dele surja’’ (p 12)”.




Caso você tenha se identificado com a proposta do “Não palavra abre as portas” e se sinta motivado a aceitar o nosso convite, escreva para naopalavra@gmail.com

Assim poderemos iniciar nosso contato para maiores esclarecimentos quanto à proposta, ao formato do texto e quem sabe para um amadurecimento da sua ideia.



A Equipe Não Palavra te aguarda!



Referência Bibliográfica: 

CODIOLI, Aristides V.Psicoterapias Abordagem Atual .Artmed 1998

LAMA, Dalai. Uma ética para o novo milênio.


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Sobre a autora: Suzane Xavier Rocha 




Psicóloga, Pós Graduada em Terapia Cognitiva Comportamental 

Atuação: atendimento psicoterapêutico individual e grupo em Copacabana, RJ. 

Ministra palestras e treinamentos para empresas e públicos diversos

Um comentário:

  1. Com certeza a arte será a expressão do interno e pela terapia cognitivo comportamental a forma como se pensa, o que se sente e como se comporta estará inserido nela. A criação artística irá facilitar a exteriorização de pensamentos, transformar sentimentos e comportamentos em formas concretas. Cabe ao terapeuta em um trabalho conjunto e colaborativo guiar e facilitar a compreensão das cognições de seu paciente. Parabéns Suzane pelo texto.

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