terça-feira, 1 de dezembro de 2015

ARTETERAPIA EM INSTITUIÇÃO – Um relato



Por Eliana Moraes


Dando seguimento à reflexão sobre o processo de profissionalização da Arteterapia e suas implicações, hoje gostaria de retomar o ponto mencionado em texto anterior, sobre o potencial que a Arteterapia tem de desempenhar um bom trabalho em uma instituição e integrar uma equipe multi e interdisciplinar.

Esta foi uma percepção que me acompanhou e que foi ganhando força durante os cinco anos que trabalhei na UIP (Unidade Integrada de Prevenção), núcleo de acompanhamento do envelhecimento dos assegurados do plano de saúde do Hospital Adventista Silvestre, RJ. Retomando o ponto de vista:

Fui contratada como psicóloga, para exercer as funções da psicologia. Mas, por ter formação em Arteterapia, aos poucos fui introduzindo-a em atendimentos individuais, em seguida em dois grupos terapêuticos e por fim agregando seus elementos na oficina de Estimulação Cognitiva.

Sou testemunha de como a Arteterapia por si só, tem absoluta condição de desempenhar um bom trabalho dentro de um hospital (ou qualquer instituição), integrando uma equipe multi e interdisciplinar de saúde, inclusive em saúde pública. Mas ainda precisamos caminhar bastante para ocuparmos este lugar, para colocar-nos como profissionais autônomos que sabem dialogar com outros profissionais de saúde e de gestão sobre quais são os potenciais específicos que a técnica da Arteterapia pode agregar para aquele corpo de trabalho.

Creio que estamos em plena construção deste espaço e que cada arteterapeuta e estudante contribui para este caminho quando desempenha um bom trabalho em Arteterapia prioritariamente em favor dos clientes/pacientes mas também em diálogo com outros profissionais envolvidos no trabalho. Desta forma nossa profissão vai ampliando sua visibilidade, sendo validada, respeitada e requisitada. Sempre defendo para colegas arteterapeutas que para nós parece “óbvio” tantos benefícios que a técnica da Arteterapia traz para diversas propostas de trabalho. Mas acreditem, para outras áreas profissionais e para a grande maioria dos potenciais clientes/pacientes não é óbvio.

Neste contexto, hoje compartilho a experiência da exposição “Arteterapia para quê?” promovida pelos pacientes da UIP nesta semana, última de novembro de 2015.

Desde 2011, a Arteterapia esteve presente na UIP e chegada a hora do encerramento deste processo, os pacientes foram convidados a pensar em sua experiência individual com ela e a responderem a pergunta: “A Arteterapia lhe serviu para quê?”.

Percebemos que muitas pessoas já ouviram falar em Arteterapia, mas desconhecem de fato sua proposta e seu potencial. Confundem com aulas de artes, de artesanato, com os famosos livros para colorir... Entretanto, a Arteterapia se define como:

“o uso terapêutico da atividade artística... por pessoas que experienciam doenças, traumas ou dificuldades na vida, assim como por pessoas que buscam desenvolvimento pessoal. Por meio do criar em arte e do refletir sobre os processos e trabalhos artísticos resultantes, pessoas podem ampliar o conhecimento de si e dos outros, aumentar sua autoestima, lidar melhor com sintomas, estresse e experiências traumáticas, desenvolver recursos físicos, cognitivos e emocionais e desfrutar do prazer vitalizador do fazer artístico.”

Especificamente no trabalho com a terceira idade, a Arteterapia traz simultaneamente benefícios psíquicos como autoconhecimento, expressão, criatividade, a sensação de visibilidade, a ressignificação de experiências, pensamentos e sentimentos, e também benefícios cognitivos como a estimulação dos sentidos, da memória, linguagem, abstração, funções  executivas, praxia, dentre outros.

Entretanto, para além dos benefícios listados pela teoria da Arteterapia, a experiência com este processo é absolutamente individual e desperta benefícios singulares em cada um que se propõe a experimentá-lo. Sendo, assim, as respostas de cada paciente foram sintetizadas e traduzidas nas imagens que compuseram a exposição, através de variadas linguagens da arte, no preparo para o fechamento deste ciclo.

Através desta exposição convidamos ao expectador que contemplasse as imagens produzidas de forma tão pessoal e profunda, no desejo que despertasse a curiosidade sobre os benefícios que o processo criativo pode trazer dentro de um ambiente terapêutico e que consequentemente transborda para uma postura criativa diante da vida.

Da mesma forma acreditamos que a exposição contribuiu para que os demais profissionais da equipe de saúde e de gestão hospitalar pudessem visualizar e conhecer mais de perto os benefícios que a Arteterapia pode proporcionar e agregar para a promoção da saúde e a prevenção de doenças dentro de uma instituição hospitalar. 


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