Por Milena Cavalheiro de Siqueira - SP
O desenho de observação é uma técnica que pode ser utilizada
para fazer com que o idoso seja estimulado cognitiva, sensorial e
emocionalmente.
O
que é o desenho de observação?
É
uma técnica de desenho, onde há um objeto real que deve ser copiado com o maior
número de detalhes possível: cor, luz e sombra, proporção, textura, entre
outros. Essa forma de desenhar amplia a percepção visuoespacial, coordenação
motora e foco.
No
desenho de observação, também podemos utilizar fotos, quadros, imagens para que
sejam copiadas.
Nos
trabalhos com os idosos, essa técnica é muito útil, pois, trabalhamos
integralmente as funções cognitivas e executivas.
(Trabalho realizado em abril de 2026)
Por
que trabalhar com o desenho de observação com idosos?
O
trabalho com os idosos requer paciência e repetição. O desenho de observação,
proporciona, no momento do seu processo, a observação mais aguçada, auxilia no
foco, favorece a percepção visuoespacial e planejamento.
Ajuda
o profissional a avaliar as condições do idoso, ou seja, como ele se comporta
ante a esse processo. Se ele realiza planejamento, como trabalha com a proporção do objeto, se ele consegue
reproduzir as cores como elas são, enfim, conseguimos fazer uma avaliação mais
assertiva do processo de envelhecimento.
Com
essas considerações, proporcionamos também o processo de envelhecimento ativo,
tanto em idosos senescentes, quanto em idosos sênis e que estejam em ILPI’s.
Com
a repetição do exercício, ainda que a cada momento seja feita uma imagem
diferente, conseguimos instigar e manter as funções cognitivas, e dependendo do
paciente, conseguimos avanços, não só nessa técnica, mas como em outros
processos.
Percebo,
que os idosos participantes, antes de iniciarem ‘as suas cópias’, param,
analisam, medem, utilizam soluções para falta de ferramenta. A cada processo
novo, essas ações são novamente ativadas, para que o desenho se realize.
(Trabalho
realizado em Abril de 2025)
Percebo
evoluções na questão de foco, resolução de problemas, melhora na percepção
visuoespacial e construção de estratégias.
A
realização do desenho de observação, através da repetição acaba fazendo com que
o indivíduo se solte e apareçam as habilidades básicas de percepção e
coordenação motora.
Com
esse tipo de atividade, conseguimos fazer com que haja liberação da expressão e
a capcidade comunicativa aumenta.
Ampliar
a percepção, inclusive a cada atividade proposta, existe o aumento do
reconhecimento de detalhes, sejam eles, em cores, formas e até mesmo na
disposição no papel.
Quando
a mão ‘enxerga’ o desenho, o objetivo, suas formas, cores e proporções, estamos
fazendo com que haja a preservação da plasticidade neural. O processo estímula
a pesquisa, a curiosidade e a exploração por elementos novos.
O
desenho de observação pode ser um instrumento utilizado para o estudo de
proporções e morfologias.
Ajuda
na articulação do olhar, por conta das texturas e cores.
O
desenho de observação favorece a experiência visual, ampliando a percepção. Com
o trabalho dos idosos, ajuda no planejamento, observação das proporções e
dimensões.
Para
nós, profissionais, ajuda a avaliar como estão: a percepção visuoespacial e a
praxia ideomotora.
Em relação ao
desenho de observação, realizei um estudo de caso, com uma atendida com
Parkinson estabilizado e tenho percebido melhora na percepção visuoespacial e
coordenação motora.
(Esse
foi o primeiro trabalho da atendida, em 2023)
O
ato de desenhar envolve o pensar através das imagens visuais.
O
‘copiar’ o desenho, passa pelo filtro experiencial de quem está desenhando,
tornando-se uma ferramenta útil para a resolução de problemas do cotidiano.
Mesmo
através de um desenho de observação, conseguimos identificar a ‘personalidade’
do indivíduo através dos traços e utilização das cores.
O
desenho de observação, proporciona ao indivíduo um ‘saber ver’, ver através
daquilo que ele está enxergando, observando, percebendo.
“Forguieri
(1993) enfatiza que o pensamento abrange todas as funções mentais como o
entendimento, o raciocínio, a memória, a imaginação, a reflexão, a intuição e a
linguagem. E como linguagem e pensamento estão associados e o desenho é um tipo
de linguagem, este também está ligado ao pensamento. E como ainda salienta a
autora, o desenho não é só representação, mas uma forma de pensar, mesmo que,
segundo Gouveia (1998) o desenho seja conceituado e compreendido como uma
linguagem intuitiva, bem mais do que reflexiva”.
Quando
utilizamos o desenho de observação em nossos trabalhos, estamos estimulando a
memória, a percepção e a consciência do momento presente. Mesmo aquele
indivíduo com comprometimento cognitivo, no momento do desenho, ele se coloca
no momento presente, foca no que está fazendo naquele momento.
Pode-se
complementar com o que diz Piaget (1983, p.251): “a imagem e o aspecto
figurativo do pensamento derivam das atividades sensório-motoras, assim como do
aspecto operativo do pensamento”.
A
adaptação é um estado e não um estágio de registro. A percepção é afetada pela
seleção do que o indivíduo percebe.
“Os
processos cognitivos dizem respeito aos processos psicológicos envolvidos no
conhecer, compreender, perceber, aprender, etc. Eles fazem referências à forma
como o indivíduo lida com os estímulos do mundo externo: como o sujeito vê e
percebe como registra as informações e como acrescenta as novas informações aos
dados previamente registrados (ALENCAR, 1995, p.24)”.
Nesse
percurso, vejo o desenvolvimento não apenas nos nossos encontros, mas também no
cotidiano da atendida. Facilidade em resolucionar problemas, melhora na
percepção visuoespacial, praxia ideomotora, elevação de auto-estima e
bem-estar.
Referências Bibliográficas
EDWARDS,
Betty. Desenhando com o lado direito do cérebro. 2 ed. Rio de Janeiro. Ediouro,
2000.
RAMOS,
Geisel. Desenho de Observação. 1 ed. Pernambuco. Intersaberes, 2024.
FRANCISQUETTI,
Ana Alice. Arte-Reabilitação. 1 ed. São Paulo. Memnon, 2011.
RIBAS, Gilmar
Alfredo. Arteterapia e Parkinson. 1 ed. Paraná. Appris, 2020.
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Sobre a autora: Milena Cavalheiro de Siqueira
É atriz,
arteterapeuta, estimuladora cognitiva e mestranda em Gerontologia. Trabalha em
ILPI’s desde 2017. O trabalho desenvolvido com idosos surgiu de maneira
inesperada e apaixonante. Realiza atendimentos em Clínica de transtornos
alimentares e já trabalhou em clínica de desospitalização com atendidos de
diversas idades, ampliando a sua visão sobre as possibilidades de ampliação no
campo da Arteterapia e expansão da criatividade.
É movida pela
arte. Adora compartilhar conhecimento.
Atendimentos:
individual, em grupos. Hoje facilita grupos de estudo sobre Arteterapia e
Envelhecimento.






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