quinta-feira, 23 de abril de 2026

DESENHO DE OBSERVAÇÃO COMO FERRAMENTA PARA A MANUTENÇÃO DO ENVELHECIMENTO ATIVO

 Por Milena Cavalheiro de Siqueira - SP

                O desenho de observação é uma técnica que pode ser utilizada para fazer com que o idoso seja estimulado cognitiva, sensorial e emocionalmente.

            O que é o desenho de observação?

            É uma técnica de desenho, onde há um objeto real que deve ser copiado com o maior número de detalhes possível: cor, luz e sombra, proporção, textura, entre outros. Essa forma de desenhar amplia a percepção visuoespacial, coordenação motora e foco.

                        No desenho de observação, também podemos utilizar fotos, quadros, imagens para que sejam copiadas.

                        Nos trabalhos com os idosos, essa técnica é muito útil, pois, trabalhamos integralmente as funções cognitivas e executivas.

                       

                                                           (Trabalho realizado em abril de 2026)

                       

          Por que trabalhar com o desenho de observação com idosos?

      O trabalho com os idosos requer paciência e repetição. O desenho de observação, proporciona, no momento do seu processo, a observação mais aguçada, auxilia no foco, favorece a percepção visuoespacial e planejamento.

         Ajuda o profissional a avaliar as condições do idoso, ou seja, como ele se comporta ante a esse processo. Se ele realiza planejamento, como trabalha com a  proporção do objeto, se ele consegue reproduzir as cores como elas são, enfim, conseguimos fazer uma avaliação mais assertiva do processo de envelhecimento.

       Com essas considerações, proporcionamos também o processo de envelhecimento ativo, tanto em idosos senescentes, quanto em idosos sênis e que estejam em ILPI’s.

       Com a repetição do exercício, ainda que a cada momento seja feita uma imagem diferente, conseguimos instigar e manter as funções cognitivas, e dependendo do paciente, conseguimos avanços, não só nessa técnica, mas como em outros processos.

       Percebo, que os idosos participantes, antes de iniciarem ‘as suas cópias’, param, analisam, medem, utilizam soluções para falta de ferramenta. A cada processo novo, essas ações são novamente ativadas, para que o desenho se realize.

 

(Trabalho realizado em Abril de 2025)

                       

         Percebo evoluções na questão de foco, resolução de problemas, melhora na percepção visuoespacial e construção de estratégias.

         A realização do desenho de observação, através da repetição acaba fazendo com que o indivíduo se solte e apareçam as habilidades básicas de percepção e coordenação motora.

        Com esse tipo de atividade, conseguimos fazer com que haja liberação da expressão e a capcidade comunicativa aumenta.

    Ampliar a percepção, inclusive a cada atividade proposta, existe o aumento do reconhecimento de detalhes, sejam eles, em cores, formas e até mesmo na disposição no papel.

     Quando a mão ‘enxerga’ o desenho, o objetivo, suas formas, cores e proporções, estamos fazendo com que haja a preservação da plasticidade neural. O processo estímula a pesquisa, a curiosidade e a exploração por elementos novos.

                        O desenho de observação pode ser um instrumento utilizado para o estudo de proporções e morfologias.

                        Ajuda na articulação do olhar, por conta das texturas e cores.

                        O desenho de observação favorece a experiência visual, ampliando a percepção. Com o trabalho dos idosos, ajuda no planejamento, observação das proporções e dimensões.
                        Para nós, profissionais, ajuda a avaliar como estão: a percepção visuoespacial e a praxia ideomotora.

Em relação ao desenho de observação, realizei um estudo de caso, com uma atendida com Parkinson estabilizado e tenho percebido melhora na percepção visuoespacial e coordenação motora.

 


 


(Esse foi o primeiro trabalho da atendida, em 2023)

 

                        O ato de desenhar envolve o pensar através das imagens visuais.

                        O ‘copiar’ o desenho, passa pelo filtro experiencial de quem está desenhando, tornando-se uma ferramenta útil para a resolução de problemas do cotidiano.

                        Mesmo através de um desenho de observação, conseguimos identificar a ‘personalidade’ do indivíduo através dos traços e utilização das cores.

                        O desenho de observação, proporciona ao indivíduo um ‘saber ver’, ver através daquilo que ele está enxergando, observando, percebendo.

                        “Forguieri (1993) enfatiza que o pensamento abrange todas as funções mentais como o entendimento, o raciocínio, a memória, a imaginação, a reflexão, a intuição e a linguagem. E como linguagem e pensamento estão associados e o desenho é um tipo de linguagem, este também está ligado ao pensamento. E como ainda salienta a autora, o desenho não é só representação, mas uma forma de pensar, mesmo que, segundo Gouveia (1998) o desenho seja conceituado e compreendido como uma linguagem intuitiva, bem mais do que reflexiva”.

                        Quando utilizamos o desenho de observação em nossos trabalhos, estamos estimulando a memória, a percepção e a consciência do momento presente. Mesmo aquele indivíduo com comprometimento cognitivo, no momento do desenho, ele se coloca no momento presente, foca no que está fazendo naquele momento.

                        Pode-se complementar com o que diz Piaget (1983, p.251): “a imagem e o aspecto figurativo do pensamento derivam das atividades sensório-motoras, assim como do aspecto operativo do pensamento”.

                       A adaptação é um estado e não um estágio de registro. A percepção é afetada pela seleção do que o indivíduo percebe.

                        “Os processos cognitivos dizem respeito aos processos psicológicos envolvidos no conhecer, compreender, perceber, aprender, etc. Eles fazem referências à forma como o indivíduo lida com os estímulos do mundo externo: como o sujeito vê e percebe como registra as informações e como acrescenta as novas informações aos dados previamente registrados (ALENCAR, 1995, p.24)”.

 


 (Trabalho realizado em julho de 2025)

 

                        Nesse percurso, vejo o desenvolvimento não apenas nos nossos encontros, mas também no cotidiano da atendida. Facilidade em resolucionar problemas, melhora na percepção visuoespacial, praxia ideomotora, elevação de auto-estima e bem-estar.


Referências Bibliográficas 

EDWARDS, Betty. Desenhando com o lado direito do cérebro. 2 ed. Rio de Janeiro. Ediouro, 2000.

RAMOS, Geisel. Desenho de Observação. 1 ed. Pernambuco. Intersaberes, 2024.

FRANCISQUETTI, Ana Alice. Arte-Reabilitação. 1 ed. São Paulo. Memnon, 2011.

RIBAS, Gilmar Alfredo. Arteterapia e Parkinson. 1 ed. Paraná. Appris, 2020.

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Sobre a autora: Milena Cavalheiro de Siqueira

 


É atriz, arteterapeuta, estimuladora cognitiva e mestranda em Gerontologia. Trabalha em ILPI’s desde 2017. O trabalho desenvolvido com idosos surgiu de maneira inesperada e apaixonante. Realiza atendimentos em Clínica de transtornos alimentares e já trabalhou em clínica de desospitalização com atendidos de diversas idades, ampliando a sua visão sobre as possibilidades de ampliação no campo da Arteterapia e expansão da criatividade.

É movida pela arte. Adora compartilhar conhecimento.

Atendimentos: individual, em grupos. Hoje facilita grupos de estudo sobre Arteterapia e Envelhecimento.

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

"BATALHA NAS NUVENS" E A FLEXIBILIZAÇÃO DA TRÍADE COGNITIVA

 


"Batalha nas nuvens" Salvador Dali

Por Juliana Mello - RJ

A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha com a identificação de pensamentos, sentimentos e comportamentos, auxiliando na flexibilidade cognitiva, na regulação emocional e em comportamentos mais funcionais, através da aceitação do momento presente, com o compromisso de agir, dentro do que for possível no aqui e agora, na direção do que faça sentido para o paciente/cliente. E, quando nos deparamos com mudanças de ciclos, seja pelo ano novo, aniversário ou um novo momento na vida, é possível perceber inúmeros pensamentos automáticos, que geram emoções desconfortáveis, gerando conflitos internos causados, principalmente, pela ansiedade, pelo medo do novo e dificuldades em aceitar as situações como se apresentam e a dificuldades de agir de maneira funcional.

Como foi o caso da paciente/cliente O., que iniciou dois novos ciclos: um novo ano e seu aniversário, completando 61 anos. Ela apresentava resistência em ter algumas atitudes em relação a sua situação atual, cuidadora da mãe e não conseguia auxílio para ter um tempo e realizar suas coisas pessoais, pois acreditava que era óbvio o que ela sentia e que as pessoas em sua volta tinham que perceber, sem ela expressar sua necessidade e desconforto. Pensamentos rígidos como: “é um abuso eu ter que falar” sempre estavam presente em seu discurso. Além disso, tinha em mente que, na época em que falava o que pensava era vista como a diferente da família, falando que se identifica muito com a música “Ovelha Negra” da Rita Lee, cantora na qual gosta muito. Somando ao quadro, apresentava muita ansiedade ao sair na rua, consequência ainda da pandemia, principalmente em pensar que precisava atravessar a rua.

Com a Terapia Cognitivo-Comportamental, fomos trabalhando o comportamento gradativo para ir à rua e conseguir atravessar, pois foi o objetivo possível a ser trabalhado no momento e, assim, conseguia “a liberdade” para fazer as coisas rápidas e básicas. Fomos criando pequenas estratégias de enfrentamento, como ir a lugares perto e na mesma calçada, até conseguir atravessar. A ansiedade ainda estava presente, mas sentia-se feliz por conseguir atingir o objetivo proposto e, consequentemente, atravessar a rua.

Ao iniciar o ano, também fez aniversário e, pedi que ela trabalhasse cores e formas na escrita da idade dela. Ela desenhou uma casa, colocou elementos dentro e conseguiu expressar que gostaria que esses elementos estivessem também fora da casa. Com isso, sugiram pensamentos como: “O que fazer?”, “Preciso ter noção do que fazer para não me arrepender”, “Queria saber o que tem lá fora”, porém, ao pensar em sair, se sentia culpada. Com isso, pensamentos e sentimentos internos surgiram, mudando o foco de atenção que sempre era no comportamento do outro. Com esta casa e a vontade de passar pela porta, apresentei a imagem “Batalha nas nuvens”, do Salvador Dali. Sobre esta tela, Eliana Moraes escreve:

“Há uma porta em que alguém entra, transforma-se [...] senta-se e, como um filme, começa a revisitar sua biografia, seus conflitos, suas dores, suas batalhas internas. [...] Mas esta porta também é de saída, pois não é saudável que se entre neste lugar, tranque-se a porta e ali se permaneça contemplando as batalhas de forma inócua. Entrar nessa sala significa rever, repensar, ressignificar e se preparar para a vida que continua fora da sala.” (MORAES, Eliana, 2018, p.151)


A paciente O. gostou muito da imagem e com ela novos pensamentos foram surgindo: “Será que precisa brigar para passar?”, “Qual estratégia preciso para passar em segurança?”, gerando receio e medo. Mas também trouxe lembranças (que também é uma forma de pensamento em TCC) de situações em que fez mudanças na vida e que foram positivas. Na sessão seguinte trabalhamos na releitura da imagem, trazendo novos pensamentos e desejos, que antes preferia não pensar. Desenhou duas vezes, pois informou que a primeira ficou muito pequena. Traçamos novos micro passos para esses momentos, de coisas que ela queria fazer e que eram possíveis: cuidar das plantas, fazer a comida que ela gosta e que não estava se permitindo.


 

Nas sessões seguintes passou a falar que a imagem sempre estava na cabeça dela ao precisar tomar alguma decisão, além de ter conseguido conversar com a irmã sobre seus desconfortos, colocar alguns limites. No carnaval conseguiu participar de um bloco e não sentiu medo de morrer no meio da multidão, além de ter conseguido priorizar algumas vontade pessoais para se divertir. Tem voltado a pensar sobre mudar de casa, está aos poucos conseguindo fazer os cortes para sua costura em casa (antes só fazia no ateliê do curso) e conseguiu beber um drink que tanto gosta, sem achar que ia passar mal. Um pensamento que a tenha acompanhado junto a lembrança da tela Batalha nas Nuvens é “Eu vou para a guerra, eu vou conseguir”.

A partir da vivência com técnicas da TCC e da Arteterapia, a paciente O. pode entrar em contato com seus pensamentos e sentimentos difíceis, passando a reconhecer o que a estava paralisando. Aceitou que precisava agir na direção dos seus objetivos, um passo de cada vez, com compaixão consigo mesma, enfrentando seus medos em um processo gradual de flexibilização de pensamentos e, consequentemente, mudanças em seus comportamentos, regulando a intensidade das suas emoções.

 

Bibliografia:

MORAES, Eliana. Pensando a Arteterapia. Semente Editorial: 1ª Edição, ES, 2018.

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Sobre a autora: Juliana Mello



Psicóloga, Arteterapeuta e Coach

Atendimento clínico  individual e grupo om criança, adolescente, adulto e idoso.
Abordagem em Terapia Cognitivo- Comportamental e Arteterapia

Palestras e Workshop motivacionais.

GRUPO DE ESTUDOS: "TCC e técnicas expressivas"

segunda-feira, 6 de abril de 2026

KANDISNKY COMO INSPIRAÇÃO PARA COMPREENDER AS LINHAS DA LONGEVIDADE

 


 

 


composição 8, uma das obras de Kandinsky (1923)

 Por Débora Castro

@deborarteterapia


Trabalhar com o público 60+ utilizando a arteterapia como estímulo cognitivo é um mergulho sensível em histórias, memórias e afetos. Como arteterapeuta conduzindo esse grupo, percebo cada vez mais o quanto esse público merece ser despertado para olhar a própria jornada como linhas em movimento  linhas que contam, silenciosamente, tudo aquilo que viveram.

Inspirada por essa metáfora, em uma das sessões apresentei ao grupo as obras de Kandinsky.

Wassily Kandinsky foi um dos grandes pioneiros da arte abstrata e um artista que enxergava o mundo como um campo vibrante de emoções, sons e movimentos. Para ele, a arte não era apenas forma e cor, mas uma experiência interior  quase espiritual  capaz de tocar aquilo que não se vê, mas se sente.

Kandinsky acreditava que cada linha possui uma energia própria, cada cor carrega uma vibração, e cada composição é como uma música silenciosa que ressoa dentro de quem observa. Sua obra rompeu com a necessidade de representar o mundo de maneira figurativa e abriu espaço para que a arte se tornasse expressão pura do movimento da alma.

Em seus estudos, ele descrevia a linha como resultado de uma força: uma linha reta nasce de uma força única e direta; já as linhas curvas, onduladas ou espirais surgem quando diferentes forças se encontram, se chocam ou se harmonizam. Essa visão poética da linha como trajetória, impulso e transformação faz de Kandinsky um artista profundamente conectado à ideia de vida em movimento.

Ao olhar suas obras, percebemos que nada é estático. Tudo pulsa. Tudo se desloca. Tudo se transforma. Suas composições são convites para perceber o mundo interno, para reconhecer que nossas histórias também são feitas de curvas inesperadas, desvios, retomadas e cores que mudam com o tempo.

Por isso, Kandinsky dialoga tão bem com processos terapêuticos: ele nos lembra que a vida não precisa caber em formas rígidas. Ela pode ser fluida, vibrante, livre  como uma linha que se permite existir no papel sem pedir permissão para ser o que é.

Depois da apresentação do artista e suas obras, quis provocar o olhar e o sentir, então lancei a pergunta: “Nossa vida é uma linha reta?” 

Em sintonia, o grupo respondeu que não que a vida é feita de curvas, ondulações, espirais, desvios e retomadas. Cada fase, disseram, merece ser observada e valorizada.

A partir dessa reflexão, propus que cada participante criasse, a partir da linha inicial do próprio nome, um movimento livre pela folha, sem a preocupação de formar algo figurativo. Apenas deixar a linha existir. Depois, convidei-os a preencher os espaços vazios com novas formas, permitindo que a composição revelasse o movimento da própria vida  um fluxo vibrante, colorido e cheio de significado.            


                      



O resultado foi mais do que um exercício artístico: foi um encontro com a própria trajetória, com a beleza do que se transforma e continua pulsando.

                         


Ao final da atividade, no momento do compartilhamento, cada participante foi convidado a realizar uma escrita criativa sobre a própria linha da vida. Em seguida, cada um observou sua composição a partir de vários ângulos, percebendo que, assim como no desenho podemos enxergar diferentes imagens dependendo da perspectiva, também na vida podemos olhar cada movimento da linha, cada gesto e cada fase com novos significados.

Essa mudança de olhar permitiu ao grupo compreender que a vida não é fixa nem única: ela se revela de formas diversas conforme nos reposicionamos diante dela. Ao explorar essas perspectivas, cada participante pôde valorizar sua trajetória e reconhecer a potência de ressignificar experiências, entendendo que cada curva, cada espaço e cada cor fazem parte do fluxo vivo e contínuo da própria existência.

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Sobre a autora: Débora Castro




Sou Débora de Castro, educadora apaixonada pelo poder da arte e do conhecimento. Graduada em Pedagogia e Educação Artística, com pós-graduação em Psicopedagogia e Educação Especial e Inclusiva, sigo aprofundando minha jornada acadêmica como graduanda em Psicologia.

Com formação em Arteterapia (AARJ/1411), atuo há mais de 28 anos na área da Educação, compartilhando saberes como professora de Artes Visuais e História da Arte. Atualmente, dedico-me à coordenação de um grupo de Arteterapia para Mulheres e à condução de oficinas arte terapêuticas, tanto no formato online quanto presencial.

segunda-feira, 30 de março de 2026

MANEJO CLINICO E LETRAMENTO RACIAL

 


Por Sarita Elias - SP

O respeito à singularidade do sujeito é um dos pilares fundamentais do processo terapêutico. Na clínica, nossa escuta deve ser orientada para o todo: para o sistema que compõe o indivíduo e para os caminhos que o constituem enquanto um ser dotado de subjetividade, afetos, angústias e complexidades. Esse olhar é também sistêmico e analisa sua composição familiar, seu gênero, sua classe social e inevitavelmente a sua raça. 

No Brasil, a identificação racial é fenotípica (baseada na estética e leitura social) e não apenas genética. Essa leitura dita como o sujeito transita no mundo. Ser lido como pessoa negra é conviver com o racismo estrutural, cujas violações históricas geram o que chamamos de sofrimento ético-político. São dores específicas que precisam de um manejo clínico atento na Arteterapia. Ser negro no Brasil, é ser atravessado por essas estruturas sociais que moldam a saúde mental. Por isso, considerando que “a arteterapia é uma abordagem que propõe um tratamento comportando uma avaliação clínica e objetivos precisos” (Duchastel, p.31), o letramento racial por parte do profissional Arteterapeuta é indispensável para evitar a retraumatização do sujeito e o reforço de estereótipos racistas. 

Entre as maiores feridas causadas pelo racismo estão o silenciamento e a dificuldade de pertencimento. Quando o paciente não se vê representado nos espaços de poder, ele perde a capacidade de autoprojeção. Aqui o setting terapêutico precisa atuar como um espaço antirracista, permitindo que o sujeito reconstrua sua imagem através da expressão criativa. Muitas vezes, o paciente chega ao processo em silêncio sobre o racismo. Isso ocorre porque o trauma pode ser tão profundo que se torna o que Frantz Fanon descreveu como a "alienação do sujeito". Ele pode não identificar a opressão ou não se sentir seguro para falar. Cabe ao Arteterapeuta construir esse ambiente de segurança e estar letrado para identificar o "não dito", fazendo o manejo clínico que acolha essa dor invisibilizada. 

Nesse sentido, a escolha dos materiais no setting arteterapêutico não é neutra. Ao oferecer possibilidades de criação, o profissional deve estar atento à representatividade das materialidades. Isso significa incluir recursos que remetam à cultura africana, afro-brasileira e afro-indígena — desde os tons de pele disponíveis em lápis e tintas até o uso de elementos naturais e texturas que dialoguem com a cultura e com a estética negra. Essa curadoria de materiais funciona como um convite para que o paciente se aproprie de sua própria identidade visual e cultural, transformando o consultório em um território de resistência e cura. 

Além dos materiais, é fundamental que o Arteterapeuta busque referências em artistas negros e intelectuais que discutem a subjetividade preta. Autores como Lélia Gonzalez nos ensinam sobre a importância de "dar voz" a uma memória que foi silenciada pelo colonialismo. Trazer essas referências para a reflexão clínica ajuda a quebrar a barreira da invisibilidade, permitindo que o paciente perceba que sua história e sua estética têm valor e lugar no mundo, combatendo diretamente a sensação de desamparo gerada pela falta de representatividade. 

Por fim, o compromisso com uma clínica antirracista exige que o profissional reconheça que a neutralidade é impossível diante das desigualdades sociais. A Arteterapia, por ser uma prática que acessa o inconsciente através do símbolo, tem o poder de desconstruir imagens internalizadas de inferioridade. Ao validar a vivência do sujeito negro em sua totalidade, o terapeuta não apenas trata um sintoma individual, mas atua na reparação de um dano coletivo, fortalecendo a autoestima e a soberania psíquica de quem busca o acolhimento. 


Bibliografia:

DUCHASTEL, DUCHASTEL, Alexandra. O caminho do imaginário. Porto Alegre: Paulus, 2010. 232 p. 

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008. Disponível em: Repositório Institucional UFBA. 

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. Disponível em: Editora Zahar. 

SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Graal, 1983. Disponível em: Zahar/Companhia das Letras. 

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Sobre a Autora:  Sarita Elias Gama 

Formação: Pedagogia, Artes Plásticas e Pós-graduação em Arteterapia Sistêmica Área de Atuação: Arteterapeuta Clínica com foco em saúde mental antirracista, dedica-se a promover processos de cura e o fortalecimento da subjetividade. Atua também como educadora artística e facilitadora de oficinas criativas, utilizando a arte e o artesanato como ferramentas de emancipação e expressão individual.

segunda-feira, 23 de março de 2026

ARTETERAPIA: Uma ponte para transformação da realidade

 

Por Annamaria Bruno Riscarolli  - RJ

O objetivo deste texto é ajudar a compreender a função da Arteterapia ao utilizar o desenho expressivo no ateliê terapêutico. A Arteterapia é um campo de estudos interdisciplinares que integram saberes estéticos e psicológicos em benefício da saúde mental e da expressão humana.

A história da arte fornece repertórios culturais e contextos que enriquecem a prática, enquanto o alfabeto visual da arte (ponto, linha, formas, cores) oferece uma linguagem própria para a expressão subjetiva. A psicologia, por sua vez, dá sentido às manifestações criativas, permitindo que o processo artístico se torne um espaço de autoconhecimento, elaboração emocional e reconstrução de significados.

Ponte com saberes estéticos: repertório cultural simbólico

O desenho acompanha a humanidade desde seus primórdios, evoluindo de registros rudimentares para uma técnica sofisticada de comunicação e criação.

Na pré-história, o desenho esteve presente para narrar caçadas, rituais e experiências do dia a dia. No Egito, os desenhos e hieróglifos em tumbas e templos auxiliavam a relatar a vida cotidiana e crenças sobre o pós-vida. Na Antiguidade Clássica, Grécia e Roma utilizavam a técnica do desenho para representações mitológicas e arquitetônicas, com foco em proporção e harmonia. Já na Idade Média, o desenho era coligado com a arte sacra, seja para elaborar as construções, seja para propagação das narrativas e dogmas religiosos.

É a partir do Renascimento que o desenho ascende ao status de disciplina fundamental nas artes. Essa promoção se dá através do conceito de disegno, termo italiano que engloba tanto “desenho” quanto “projeto” ou “concepção intelectual”, passando do simples exercício técnico para tornar-se base de toda a produção artística, quer dizer, da concepção da ideia à materialização da obra em pintura, escultura ou arquitetura. Como representantes bem conhecidos desse movimento temos Leonardo da Vinci e Michelangelo, cada um com sua maneira singular de registrar os primeiros pensamentos, esboços rápidos e iniciais da ideia que se pretendia materializar. Eram os primi pensieri ou seja, desenhar os primeiros pensamentos enquanto forma de conceber ideias. Eles utilizaram o desenho como técnica de estudo para desenvolver ciência, arte, arquitetura, quer dizer, vale entender o desenho enquanto recurso para explorar alternativas e testar composições, refletindo o realismo da época.

Numa breve análise dentro do alfabeto visual da arte, a linha é considerada “o ponto em movimento”, sendo o elemento básico e mais versátil da comunicação visual, representando a “voz” do artista no papel. Ao longo da história, a linha pode assumir uma grande diversidade expressiva, indo além da descrição das formas. A partir da linha podem ser representadas emoções, sentimentos, pensamentos. Podemos então olhar para a linha como um reflexo da mentalidade de cada época.

Assim, no desenho, a linha é mais do que um simples traço. Pode-se dizer que a linha possui um “temperamento”. Por exemplo: no Renascimento, a linha é vista como estrutura, um mapa de localização; já no Barroco, é gesto e força de pura emoção.

Arteterapia enquanto ponte: mediadora de sentidos

Ao promover o encontro com artistas de diversas épocas e movimentos culturais, a Arteterapia faz com que o participante conheça diferentes técnicas e linguagens artísticas, amplie seu repertório cultural e utilize diversos materiais expressivos para exercitar sua capacidade criativa. Progressivamente, o participante vai entrando em contato consigo mesmo, expressando sua subjetividade e favorecendo seu processo de desenvolvimento humano.

Lembro-me que ainda estava no curso de formação em Arteterapia quando ouvi esta inspiração: “Uma linha é um ponto que saiu para passear”, de Paul Klee. Logo me senti encantada! Uma metáfora tão poética, lúdica, capaz de poder transformar uma história de vida, e que certamente na época revolucionou todo o contexto de pensamento visual. É esse encantamento que me motiva a multiplicar as minhas propostas de trabalhos, sejam nas aulas em cursos de formação, seja em meus atendimentos.

Dentro do alfabeto visual da arte, o ponto e a linha são os elementos mais simples, afinal podemos dizer que a composição plástica começa a partir desses elementos. É nessa mesma simplicidade que encontro beleza no processo terapêutico: uma travessia delicada, onde terapeuta e cliente tecem juntos uma ponte de sentidos. Nesse encontro, revisitamos memórias da infância e da adolescência — singelas em aparência, mas com raízes profundas que se entrelaçam na vida adulta e na velhice. São camadas dinâmicas e subjetivas, muitas vezes silenciosas que moldam o curso do comportamento humano.

 No ateliê terapêutico: ponte para transformação

“Pretendo convidar VOCÊ a se aventurar na história de uma linha curiosa, além de incentivar a usá-la sem restrições. Confie em sua imaginação, criatividade, e principalmente no uso com materiais simples, como lápis e papel, para traçar linhas e se divertir, abandonando o medo da folha em branco, da ideia do não saber desenhar e do não saber escrever uma boa história para sua vida.”

O trabalho arteterapêutico promove o aumento da energia criativa, liberando os participantes dos conceitos de certo e errado, feio e bonito, e de crenças limitantes, diminuindo as pressões sociais e trazendo maior qualidade de vida aos atendidos.

Citar Paul Klee é confiar na função da arte, isto é, tornar visível, através do desenho, o que está escondido (sentimentos, sonhos). A função do desenho será promover uma aproximação com mundo interno do participante. A linha deixará de ser somente um veículo para representação externa para se tornar vivência terapêutica.

Levar a linha para passear é ganhar autonomia, uma vez que se pretende estimular a vivência do passeio, da jornada.

A história da linha curiosa

Era uma vez uma linha que foi passear. Ela saiu do caderno, deslizou pela mesa e, curiosa, começou a explorar o mundo....

Primeiro encontrou um círculo, que a convidou para dançar em voltas infinitas. Depois cruzou com uma árvore, e resolveu se enrolar nos galhos, virando um balanço para os passarinhos. Mais adiante, mergulhou no rio e se transformou em onda, brincando de ser água. Até que chegou a um castelo, onde se desenhou em escadas, ajudando os moradores a subir até as torres. No fim do passeio, a linha percebeu que podia ser qualquer coisa: caminho, ponte, sorriso, ou até estrela no céu. E assim, feliz, voltou para o caderno, levando consigo todas as aventuras que viveu.

Agora é com VOCÊ! Que história você quer desenhar e escrever? Se quiser me contar vou gostar bastante. Aguardo sua partilha, gratidão!

 

Título: O movimento dos sentimentos opostos

 

 

                                                                     Título: Rota

Escrita criativa: Eu levei a minha reta para passear e descobri que nem toda reta é segura, que nem todo plano é certeiro e que tem beleza nas curvas.

O objetivo de destino é mais importante do que a rota escolhida e, não importa qual linha vou seguir, o importante é aproveitar o caminho sem perder o ponto de chegada de vista.

 

Bibliografia:

Materiais de arte : sua linguagem subjetiva para o trabalho terapêutico e pedagógico – Eveline Carrano e Maria Helena Requião – Wak Editora

Arteterapia e História da Arte – Técnicas expressivas e terapêuticas - Marcia Barreira e Naila Brasil - Wak Editora

Criatividade e Cérebro – um jeito de fazer Arte Zen – Celeste Carneiro - Wak Editora

 

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Sobre a autora: Annamaria Bruno Riscarolli  - UBAAT 01/159/1004

 


Bacharel em Publicidade e Propaganda
Arte-educadora social
Arteterapeuta e pós-graduada em Arteterapia em Educação e Saúde
Facilitadora de Biodanza
Focalizadora de Dança Circular
Facilitadora Biocêntrica
Professora de Oficina de Artes em curso de Pós-graduação de Arteterapia
Professora de Expressão Corporal/ Dança em cursos de formação em Arteterapia
Especialista em Psicologia Clínica
Coordenadora do Espaço Tessitura do Ser ( @tessituradoser )

segunda-feira, 16 de março de 2026

ARTE EM MOVIMENTO: EXPRESSÃO ABSTRATA E ESTIMULAÇÃO COGNITIVA EM IDOSAS INSTITUCIONALIZADAS

 

Por Adriana Limeira do Nascimento e Anderson Amaral - CE

A atividade de arteterapia realizada na Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) em Mossoró Rio Grande do Norte teve como proposta promover uma experiência criativa capaz de estimular percepção, cognição e expressão emocional por meio da arte. Inspirada em elementos do expressionismo abstrato, a atividade buscou aproximar as participantes de uma linguagem artística livre, na qual formas, linhas e cores ganham significado a partir da interpretação individual.

Como referência estética e conceitual, utilizou-se o universo artístico de Jackson Pollock, cuja obra é marcada por movimentos espontâneos, linhas dinâmicas e composições não figurativas. Esse tipo de expressão artística convida o observador a interagir com a imagem de forma intuitiva, estimulando a imaginação, a percepção visual e a liberdade criativa.  Em suas obras, a tela torna-se um espaço de movimento, energia e espontaneidade, onde cores e linhas revelam emoções e percepções subjetivas. Essa percepção de liberdade criativa também norteou a atividade desenvolvida com as idosas, incentivando cada participante a explorar as cores e os espaços do desenho de forma livre, sem padrões rígidos, valorizando a expressão individual, a criatividade e o prazer no processo artístico (KILIÇ; DEDE, 2024).

A criatividade é um dos maiores legados do ser humano. Na velhice ela representa um exemplo poderoso do que ainda é possível realizar ao longo do processo de envelhecimento. Embora a criatividade sempre esteja presente nessa fase da vida, muitas pessoas deixam de reconhecê-la ou desenvolvê-la porque, por muito tempo, a própria sociedade negou, trivializou ou desvalorizou o potencial criativo associado ao avançar da idade (KILGORE, 2024).

A proposta da oficina partiu da ideia de que a arte pode funcionar como um espaço de experimentação sensível e criativo, no qual o idoso é convidado não apenas a executar uma tarefa, mas a explorar formas de sentir, escolher e criar, ressignificando experiências e fortalecendo sua expressão subjetiva.

Materiais Utilizados

Para a realização da atividade foram utilizados desenhos compostos por múltiplos traços pretos abstratos, formando diversos espaços em branco entre as linhas. Esses traços criavam áreas delimitadas que convidavam as participantes a observar os formatos e decidir como preencher cada espaço com cores.

 


Desenho elaborado no site GPT

Para o processo de pintura foram utilizadas canetinhas coloridas do tipo Bobby Book, frequentemente utilizadas em atividades de colorir. A escolha desse material teve duas razões principais. A primeira foi a intensidade das cores, que se destacam com maior vivacidade sobre os traços pretos do desenho, criando um contraste visual mais marcante e valorizando as produções artísticas realizadas pelas participantes.

A segunda razão refere-se às condições motoras frequentemente presentes no envelhecimento. Muitos idosos apresentam diminuição da força de preensão e menor pressão exercida pelos dedos, o que pode dificultar o uso de lápis de cor, que exigem maior pressão para produzir pigmentação adequada. As canetinhas, por exigirem menor esforço de pressão, facilitam o processo de pintura, tornando a atividade mais acessível, confortável e inclusiva.

Dessa forma, a escolha do material buscou não apenas favorecer o resultado visual da atividade, mas também adaptar a proposta às características motoras das participantes, promovendo maior autonomia durante a execução.

Desenvolvimento da Atividade

Cada idosa recebeu uma folha contendo o desenho com os traços pretos e os espaços em branco. Inicialmente, foram convidadas a observar atentamente as linhas e os espaços formados entre elas, percebendo diferentes formas e possibilidades de preenchimento.

Em seguida, utilizando as canetinhas coloridas, as participantes foram orientadas a preencher livremente os espaços delimitados, escolhendo as cores e a forma de colorir de acordo com sua preferência. Não havia uma regra estética definida; cada pessoa poderia explorar combinações de cores, contrastes e padrões de forma espontânea.


 

Durante o processo, foi possível observar que a atividade mobilizava diferentes funções cognitivas e motoras. O ato de escolher cores, delimitar os espaços e organizar o preenchimento exigia atenção visual, coordenação motora fina, percepção espacial e tomada de decisão.

Além disso, a atividade proporcionou um ambiente de tranquilidade e concentração, favorecendo momentos de envolvimento criativo e expressão pessoal.

Sentido Simbólico da Atividade

A proposta da oficina também trouxe uma dimensão simbólica importante. O desenho inicial apresentava espaços vazios entre os traços pretos, e a atividade convidava as participantes a preencher esses vazios com cores.

Esse gesto simples de colorir tornou-se uma metáfora delicada sobre a própria experiência de vida. Assim como no papel, onde áreas em branco aguardavam intervenção, a atividade sugeria a possibilidade de ressignificar os “vazios” da vida, dando cor e sentido a espaços que antes pareciam silenciosos.

Nesse contexto, colorir os intervalos entre o preto e o branco transformou-se em um gesto simbólico de criação e reconstrução. Cada escolha de cor representava uma forma de expressão pessoal, permitindo que as participantes transformassem linhas abstratas em produções únicas e significativas.

Benefícios Observados

Durante a realização da atividade foi possível observar diversos aspectos positivos entre as participantes. A proposta favoreceu o engajamento e a participação ativa, estimulando a curiosidade e o interesse pela tarefa.

Também foram percebidos momentos de concentração, relaxamento e satisfação, especialmente quando as idosas observavam o resultado final de suas produções. O compartilhamento das pinturas entre as participantes também estimulou conversas e comentários, fortalecendo a interação social.

Além disso, a atividade contribuiu para a estimulação cognitiva, envolvendo processos como atenção, percepção visual, planejamento e tomada de decisão, bem como para o exercício da coordenação motora fina.


 

Considerações Finais

A experiência mostrou que propostas simples de arteterapia, inspiradas na arte moderna e adaptadas às condições motoras e cognitivas dos idosos, podem contribuir significativamente para a estimulação cognitiva, emocional e social de pessoas idosas institucionalizadas.

Mais do que uma atividade de colorir, a oficina tornou-se um momento de expressão criativa, reflexão e encontro. Ao transformar os espaços em branco do papel em campos de cor, cada participante também pôde experimentar a possibilidade de dar novos significados a seus próprios espaços internos, reafirmando que a criatividade e a expressão continuam presentes em todas as fases da vida.

 

Referência

KILIÇ, A.G.; DEDE, B.. Unlimited freedom in art: Jackson Pollock. Journal for the Interdisciplinary Art and Education, v. 5, n. 1, p. 67-76, 2024.

KILGORE, Christine. Supporting nursing homes during a pandemic: lessons from a quality improvement collaborative. Caring for the Ages, v. 24, n. 4, p. 8, 2024.


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Sobre os autores:



Adriana Limeira do Nascimento: Arteterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Pós-graduada em Saúde Mental, Pós-graduada em Saúde Pública e Brinquedista Hospitalar – Autora do Livro Jogos de Estimulação Cognitiva e Motora - WAK Editora e Co autora do livro Tratado do jogo: das regras às regras em jogo - WAK Editora.

 

 


Anderson Amaral: Arteterapeuta, Mestre em Saúde e Tecnologia, Pós-graduação em Geriatria e Gerontologia, Pós-graduação em Neuropsicologia com ênfase em Reabilitação Cognitiva, Pós-graduação em Neurociência e Longevidade, Coordenador do Projeto NeuroGeriatria (Faculdade de Medicina UNIG). Autor dos Livros Jogos Cognitivos um olhar multidisciplinar; Jogos de Estimulação Cognitiva e Motora - WAK Editora e Co autora do livro Tratado do jogo: das regras às regras em jogo - WAK Editora.