segunda-feira, 8 de junho de 2026

O CORPO NO "MODO AVIÃO": A Dessensibilização Contemporânea e o Resgate pela Arteterapia



Por Camila Camargo da Silva /SP


Olhe ao seu redor por um instante. No metrô, bares, restaurantes e nas salas de espera a cena se repete como um espelho coletivo: cabeças baixas, dedos num correr sem fim em telas, fones de ouvido isolando o ambiente. Na era da hiper conexão cruzamos oceanos virtualmente, acessamos dados e bibliotecas enquanto estamos falando com pessoas em fusos horários diferentes. Mas por detrás desse espetáculo tecnológico, um fenômeno silencioso e preocupante tem se instalando em nós: a dessensibilização.

Mecanizados pelo ritmo acelerado do mundo contemporâneo, estamos numa espécie de "modo avião" desconectados da existência. Bombardeados por muito estímulo e pouca presença. Como disse Byung-Chul Han em sua obra A Sociedade do Cansaço:

"O excesso de informação e de estímulos não enriquece a alma; ao contrário, ele a embota. Vivemos em uma sociedade do cansaço e da hiperatividade, onde a aceleração destrói a capacidade de contemplação e de escuta profunda de si mesmo."

Nossos sentidos anestesiados e afogados em informação; o toque é no vidro liso do celular, o olhar estreitado em telas e o próprio corpo só é notado na dor física ou se o mental grita por socorro. Desaprendemos a notar o peso de nossos passos, a textura do que nos cerca e o ritmo da nossa respiração.

Essa descolar do mundo e de si mesmo vai em busca de ambientes terapêuticos. Serviços e dicas de bem-estar se infiltram no ambiente que aumenta o mal-estar. Profissionais de saúde dispostos a ajudar e aliviar desgaste, cansaço e ansiedade quase que pandêmicos. Para quem trabalha com Arteterapia isto criou o grande desafio de não apenas entender o que o paciente vivencia, mas ajudá-lo a voltar a sentir. No mundo em que sucesso e trabalho se apresentam como o único caminho para a felicidade, pacientes intelectualizam e racionalizam suas dores com maestria: sei que tenho ansiedade por conta do problema “Y” ou de meu trauma “X".  Mas o canal de comunicação com a emoção está meio perdido. A palavra falada, que descreve para explicar, fica racional demais e reforça a anestesia. É preciso mudar a rota.

É na rachadura entre o mundo real e o digital que a arteterapia se faz urgente. Afastando-se das exigências da estética ou da performance da "obra de arte perfeita", o fazer artístico na terapia funciona como um ancoradouro seguro. Torna-se a via suave de expressão de sentimentos e dores, armazenados em áreas não-verbais do cérebro. A expressão criativa pelo desenho, pintura, modelagem, escrita etc. convidam o paciente/cliente a sujar as mãos com argila, sentir a resistência do giz de cera ou ver a imprevisibilidade da aquarela escorrer pelo papel. E isto retira do plano abstrato da mente e devolve ao reino dos sentidos. Para organizar o que está dentro, é importante primeiro restabelecer contato com o que está fora.

Quando um paciente atravessa a porta do ateliê terapêutico, imerso nessa anestesia contemporânea, o contato com os materiais expressivos tende a disparar um choque cultural interno. Adestrado na mesmice disfarçada de variedade nas telas controladas pelos algoritmos, deslizar o dedo apaga erro; o filtro corrige imperfeições. É o que faz a mente digitalizada buscar essa mesma previsibilidade no papel. Aí o setting da arteterapia revela sua faceta provocativa: a matéria resiste.

É comum nas primeiras sessões observar a ansiedade frente ao real e concreto. Diante de uma folha em branco, tintas e pincéis, o paciente por vezes paralisa ou verbaliza um medo quase infantil: "E se eu errar? Tem como apagar?". Na falta do Ctrl+Z  no traço imperfeito, a frustração é imediata. A aquarela que escorre sem pedir licença, o giz de cera que borra a margem que limita, ou a argila que racha se for manuseada com pressa, são vistos, inicialmente, como inimigos.

É a reação que mostra como a dessensibilização e o imperativo da perfeição digital andam de mãos dadas. Na vida mediada por telas, o erro se deleta, o feio se camufla e o tempo é já. A psique humana escapa da lógica matemática ou linear que se acredita infalível. Ao insistir no controle rígido, o paciente tenta racionalizar o fazer artístico da mesma forma que racionaliza seus sintomas. Ele quer um plano, uma técnica, um manual de instruções. Quando percebe que a matéria exige entrega, o corpo reage: as mãos hesitam em se sujar de tinta, o toque na argila é feito com a ponta dos dedos, quase com asco, demonstrando a dificuldade de se deixar afetar pelo mundo físico. Nossas vivências são multidimensionais e permitem que sentimentos que parecem opostos, amor e raiva, medo e coragem, coexistam e coabitem.                              

Testemunhar essa resistência é o ponto de partida do processo terapêutico. Momento de renunciar ao intelecto defensivo e deixar o corpo falar. Como afirmava Carl Jung em O Desenvolvimento da Personalidade:

"Muitas vezes as mãos resolvem um enigma contra o qual o intelecto lutou em vão."

Sustentar o desconforto da impossibilidade de apagar o traço, a obrigação de lidar com o borrão e o exercício de olhar para o "imperfeito" são o ensaio geral para a vida fora do ateliê terapêutico. Pois nossas escolhas, lutos e encontros não têm botão de desfazer. Aceitando o erro no papel, o paciente/cliente aos poucos vai tolerando falhas num pedacinho de sua história de vida.

Se a mente contemporânea flutua na abstração das nuvens digitais, os materiais da arteterapia funcionam como âncoras que a puxam de volta para a terra. Cada textura, densidade e viscosidade oferece um tipo específico de convite ao corpo. O material expressivo não é um suporte passivo para a mente; possui uma linguagem própria, densidade e resistência que convocam o corpo do sujeito ao diálogo. Ao tocar a matéria, o sujeito é, inevitavelmente, tocado por ela.

Manipulando esses elementos o paciente é obrigado a abandonar o discurso racionalizado que justifica, para entrar no reino da pura experiência sensorial.

Vou procurar descrever como recursos tão distintos, como argila e colagem, operam esse resgate:

A Argila e a Força do Enraizamento



A argila é, por excelência, o material do confronto e da corporeidade. Diferente do toque sutil em uma tela de vidro, a argila exige força física, peso e a musculatura das mãos. Ela é fria, úmida e maleável, mas também impõe seus limites.

Para o paciente dessensibilizado, tocar a argila é um choque de realidade. Não dá para moldá-la sem se sujar, e essa quebra da "limpeza digital" é profundamente terapêutica. Ao amassar o barro, o paciente descarrega tensões musculares crônicas que ele sequer notava que carregava. A argila ativa o tato profundo (a nossa percepção do próprio corpo no espaço) e obriga o sujeito a estar inteiramente ali: respirando o cheiro da terra, sentindo a temperatura mudar com o calor das próprias mãos e dando contorno físico ao que antes era apenas um vazio angustiante na mente. Na argila a forma vai saindo das mãos, ao invés de chegar dura e já pronta para nossas retinas.

A Colagem e a Reorganização do Caos



Se a argila convida ao transbordo e à força, a colagem atua na outra extremidade: a da organização, do limite e da escolha. No mundo digital, somos bombardeados por fragmentos de imagens que passam pelo nosso feed sem que possamos digeri-los. A colagem desacelera esse processo, parando o carrossel.

Rasgar uma revista, sentir a textura do papel que pode ser áspero, jornal ou papelão, recortar e escolher onde fixar cada elemento é um exercício de foco e discernimento. O paciente precisa usar as mãos de forma delicada e precisa. Além disso, a colagem permite que ele pegue os "fragmentos" do mundo e de si mesmo e os reorganize em um novo espaço com limites claros (as bordas da folha). É um processo que ajuda a dar contorno e borda para quem se sente psiquicamente transbordando ou diluído no infinito da internet.

A matéria não aceita a pressa; ela impõe o próprio tempo. E, ao respeitar o tempo do material, o paciente finalmente aprende a respeitar o tempo de si mesmo.

Em um mundo que exige produtividade e respostas imediatas, o ateliê terapêutico torna-se um "oásis de lentidão". Mais ou menos como a diferença entre fast-food e cozinhar o que se quer comer. O papel do arteterapeuta não é o de fornecer soluções rápidas como um algoritmo de rede social, mas o de sustentar o tempo do fazer: o tempo de secar da tinta, o tempo do silêncio, o tempo da tentativa e do erro.

Esse cenário é descrito no conceito de "espaço potencial" trazido pelo psicanalista Donald Winnicott em O Brincar e a Realidade:

"É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fluem em sua liberdade criativa, e é na criatividade que o indivíduo descobre o si-mesmo (Self)."

O ambiente da arteterapia resgata justamente esse espaço sagrado do brincar e do experimentar sem julgamentos. Nele, as telas são deixadas de lado para que o sujeito recupere sua capacidade de ser afetado pelo mundo. Diante das cores que se misturam e das formas que ganham vida, o paciente contemporâneo descobre que não precisa estar blindado ou anestesiado para sobreviver.

Tocar a matéria, sujar as mãos e aceitar os caminhos imprevistos da criação, são os primeiros passos para que o indivíduo saia do "modo avião", reconecte seus sentidos e volte a habitar, com presença, afeto, autoconhecimento e bem-estar a sua própria história.

“A arte não controla e não impõe. Se sente e vivência. O momento de criar é silencioso, é um estado alterado de consciência” como bem nos descreve a professora Selma Ciornai.

“Vivemos a dessensibilização das nossas necessidades de contato que a mesma Selma Ciornai cita no podcast Gestalt aberta #41 A Gestalt-terapia resiste ao tempo?

E você, como tem cuidado da sua presença no mundo hoje?

Que tal fazer um pequeno combinado consigo mesmo e passar alguns minutos da sua semana longe das telas, experimentando tocar a matéria seja cozinhando, pintando, plantando ou arriscando alguns traços no papel? Compartilhe este artigo com alguém que também esteja precisando desse "oásis de lentidão" e deixe suas impressões nos comentários!

 

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Sobre a autora: Camila Camargo

 


Idealizadora do Vidaadentro e grata por ter conhecido a arte de recordar e preservar memórias (Scrapbook), que me pôs no caminho que me trouxe até a Arteterapia, depois de ser Bacharel em Administração de Empresas e pós-graduada em Negócios. Venho, passo a passo, procurando aumentar a presença e a importância da expressão pela arte, como forma de acolher o ser humano na busca da integração saudável com a natureza e as pessoas.​

Arteterapeuta formada pelo Instituto Sedes Sapientiae (UBAAT 081239/0325), atuo na mediação de grupos terapêuticos que acolhem mulheres em situação de violência doméstica. E sou cofundadora da equipe multidisciplinar Psi+Arte, em que atuo oferecendo atendimento clínico na modalidade online.


terça-feira, 2 de junho de 2026

ÀS VEZES A MÚSICA ENTENDE ANTES DA GENTE



Por Isa Ramos – RJ 

@psicologaisaramos 

site:www.psicologaisaramos.com.br

Existem sentimentos que demoram para ganhar nome. Às vezes, a vida continua acontecendo normalmente por fora, enquanto por dentro algo já não encontra mais sentido da mesma forma e nem sempre conseguimos explicar isso. Talvez seja por isso que algumas músicas nos atravessam tanto. Não porque contam exatamente a nossa história, mas porque conseguem acessar emoções que ainda estavam silenciosas dentro de nós. 

Foi assim que muitas pessoas se sentiram ao ouvir Shallow, de Lady Gaga. A música parece tocar justamente naquele vazio emocional difícil de explicar. Na sensação de estar vivendo na superfície enquanto uma parte interna pede profundidade, conexão e verdade. 

"Tell me something, girl… are you happy in this modern world?" ("Me diga uma coisa… você está feliz neste mundo moderno?") 

A pergunta da música parece simples, mas emocionalmente ela é enorme. Porque muitas pessoas aprenderam a funcionar no automático. Trabalham, cumprem responsabilidades, cuidam de todos ao redor e seguem a rotina normalmente, mas emocionalmente já não conseguem se sentir presentes dentro da própria vida. 

Talvez seja exatamente por isso que a arte emocione tanto. Porque existem sentimentos que ainda não conseguimos dizer, mas conseguimos sentir quando uma música toca, quando uma cena de filme nos atravessa ou quando algo desperta emoções que estavam guardadas em silêncio dentro da gente. Às vezes, a arte alcança lugares que as palavras ainda não conseguiram alcançar. 

Na Arteterapia, acredita-se que a expressão artística pode funcionar como uma ponte entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos comunicar. Nem sempre é fácil explicar uma emoção. Muitas vezes, sabemos que algo nos incomoda, nos entristece ou nos inquieta, mas não encontramos as palavras certas para traduzir essa experiência. 

É justamente nesse espaço que a arte pode se tornar uma aliada. Seja por meio da música, da pintura, da escrita, da fotografia ou de outras formas de expressão. Ela oferece caminhos para que sentimentos encontrem uma forma de existir fora de nós e quando conseguimos olhar para uma emoção, ainda que através de uma música ou de uma imagem, começamos também a compreendê-la de maneira diferente.

 Quem nunca ouviu uma canção e pensou: "É exatamente isso que eu estou sentindo"? Muitas vezes, a identificação acontece porque a música dá forma a algo que ainda estava confuso internamente. Ela organiza emoções, desperta memórias, resgata experiências e nos conecta com partes da nossa história que estavam esquecidas ou guardadas. Curiosamente, a mesma música pode ganhar significados completamente diferentes ao longo da vida. Uma canção que ouvimos na adolescência pode parecer apenas bonita. Anos depois, ao revisitá-la em outro momento da nossa história, ela pode nos emocionar profundamente, não porque a música mudou, mas porque nós mudamos. 

As experiências que vivemos transformam a forma como escutamos o mundo. Uma perda, um recomeço, uma decepção, uma conquista ou até mesmo uma fase de maior amadurecimento emocional podem fazer com que determinadas letras passem a fazer sentido de uma maneira que antes não faziam.

 Talvez seja por isso que tantas pessoas tenham uma música que marcou uma fase específica da vida. Ao ouvi-la novamente, não escutam apenas a melodia. Revivem lembranças, sensações, cheiros, lugares e versões de si mesmas que existiam naquele momento. A música tem essa capacidade de conectar passado e presente de uma forma muito singular. 

E não é apenas a música. Quantas vezes um filme, uma fotografia, um livro ou uma obra de arte despertaram emoções que pareciam adormecidas? A arte possui uma linguagem própria, que muitas vezes ultrapassa aquilo que conseguimos explicar racionalmente. 

Em uma sociedade que valoriza tanto a produtividade e as respostas rápidas, nem sempre encontramos espaço para sentir. Somos incentivados a resolver, superar, seguir em frente, mas as emoções não costumam funcionar nessa lógica. Algumas precisam de tempo. Outras precisam de acolhimento e algumas simplesmente precisam ser reconhecidas. 

Nesse sentido, a arte nos oferece algo precioso: a possibilidade de pausar. De observar o que está acontecendo dentro de nós sem a obrigação imediata de mudar, corrigir ou controlar aquilo que sentimos. É um convite para a presença. 

Talvez seja por isso que tantas pessoas encontrem conforto em determinadas músicas durante períodos difíceis. Não porque elas tragam soluções prontas, mas porque oferecem companhia emocional. De alguma forma, a pessoa percebe que aquilo que sente pode ser compartilhado, compreendido e acolhido. 

Quando uma música nos emociona profundamente, ela pode estar funcionando como um espelho. Um espelho que reflete partes de nós que estavam esquecidas, silenciadas ou esperando o momento certo para serem vistas. 

No caso de Shallow, a pergunta sobre felicidade e autenticidade continua ecoando justamente porque fala de uma busca que atravessa muitas histórias: a busca por viver de forma mais verdadeira, mais conectada consigo mesmo e menos presa às expectativas externas. 

E talvez essa seja uma das maiores contribuições da arte para a saúde emocional: criar espaços de reflexão. Espaços onde não precisamos ter todas as respostas imediatamente. Espaços onde podemos apenas sentir, observar e, aos poucos, compreender melhor quem somos. 

Porque, às vezes, antes mesmo de entendermos o que está acontecendo dentro de nós, uma música já encontrou o caminho. 

Talvez seja por isso que certas músicas permanecem conosco por tantos anos. Elas não guardam apenas melodias ou letras. Guardam pedaços da nossa história, guardam emoções, lembranças e versões de nós mesmos que existiram em determinados momentos da vida. 

No final das contas, talvez a arte não tenha a função de responder todas as perguntas. Talvez sua maior contribuição seja nos ajudar a fazer contato com aquilo que sentimos. E isso, por si só, já pode ser profundamente transformador. 

Porque, às vezes, a música entende antes da gente. 

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Sobre a autora: Isa Ramos



Psicóloga atuando na área clínica e formada em Administração. Concluí uma Pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Positiva, um MBA em Gestão Empresarial e uma Pós-graduação em Gestão de Sistemas Integrados em QSMS/SGI – Qualidade, Saúde, Meio ambiente e Segurança Trilhei toda a minha caminhada profissional em corporações de médio e grande porte gerindo pessoas e administrando conflitos, porém ao percorrer essa jornada e com as experiências já vividas percebi que poderia fazer mais pelo ser humano. Sendo assim, escolhi a Psicologia com o objetivo de acolher a dor do outro e acima de tudo impactar de forma positiva a vida das pessoas.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

ARTETERAPIA PARA EDUCADORES



Por Raquel Yabu / SP

 No mundo atual sabemos o quanto precisamos ter um olhar diferenciado para os nossos educadores. Por ser Pedagoga e educadora e já atuando como arteterapeuta, observei uma oportunidade em oferecer essa técnica terapêutica e acolhedora com objetivo central de promover a saúde integral, o bem estar mental e o equilíbrio emocional para com os meus colegas de trabalho nesse retorno pós férias. 

 Sabe -se que na Educação a presença de uma ação terapêutica é muito importante e benéfica, mas é de grande valia poder realizar sessões artererapeuticas durante a semana de planejamento anual na qual geralmente acontecem nos meses de janeiro e ou fevereiro, geralmente no período de uma na semana antes do dia oficial do início escolar. E os resultados são visíveis durante todo o processo pela potência que são as sessões em grupos. 

 Hoje em dia sabemos da demanda escolar para com os educadores, tanto a nível burocrático, físico, mental e principalmente emocional. A cada dia aumenta os índices de redução de carga, atestado médico, licença medica ou mesmo o afastamento para tratamento de Burnout, depressão entre outros. Ao modo que cada dia mais a necessidade e o direito desse olhar para com a saúde mental de todos nossos educadores. 

 “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta” 

 Essa frase de Jung, convida o educador a lembrar-se sobre a importância do autoconhecimento, quem reconhece suas emoções e limites, consegue se acolher melhor o outro e ao próximo também. 

 “Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos” 

 Em um ambiente escolar, sabemos que os conflitos acontecem e podem tornar-se oportunidades de reflexão e crescimento emocional através de uma conduta adequada e equilibrada do educador para consigo e assim restabelecer e se fortalecer para a grande demanda exigida durante o ano letivo.

 Geralmente as oficinas ou setting arteterapeutico tem uma duração de 2 a 4 horas durante o planejamento. Muitas vezes a unidade lhe oferece uma ação, título ou lema escolhido para o ano letivo e então é possível planejar e organizar as atividades com relevância ao tema através do estudo e do objetivo clinico e o plano terapêutico no discorrer do processo criativo e curativo já que temos um leque artístico em mãos para ser executado através das técnicas arteterapeuticas. 

 Ao iniciar através de uma roda de acolhimento, trabalhamos a unidade e algumas falas e respiração consciente para trazer presença do momento presente e depois uma dinâmica para descontração e então durante o processo inicia-se acontecendo trocas, perguntas e muitos momentos de mais introspecções, oferecendo essa conversa interna com a arte. Na perspectiva de Jung, a criatividade possui uma função transformadora e organizadora da psique. O fazer artístico permite que conteúdos internos encontrem forma, expressão e possibilidade de elaboração desta forma a atuação da Arteterapia torna-se um recurso importante até para auxiliar na empatia entre os próprios educadores e ir criando vínculos mais humanos e efetivos no processo de aprendizagem. Atuando com a técnica especifica para o tema e após a execução desta, a troca entre eles através das artes expressadas trazem todo um momento muito importante com esse envolvimento através das trocas, empatia, olhar interno e reconhecimento orgânico e humano ao próximo. 

 Sugiro a você arteterapeuta em elaborar um projeto e com esse olhar e cuidado coletivo para oferecer nas escolas de sua região essa dinâmica e/ ou workshop para conseguir então atuar tanto no futuro planejamento anual e como em qualquer outra possibilidade durante o ano letivo, posso assegurar que haverá grandes probabilidades nos próximos anos recorrerem a você um novo convite para realizar esse momento tão importante, rico, criativo e reflexivo tão importante. As sessões finalizaram novamente. em uma roda com lagrimas, risos, trocas, palavras, arte e muitos insights adquiridos e nós arteterapeutas com aquele mix de sensação de orgulho com dedicação e responsabilidade do servir cumprido. Estou à disposição para trocas de saberes e maiores referencias dentro do possível. 

 Finalizando com essa frase tão importante e contundente de Carl Gustav Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.


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Sobre a autora:  Raquel Yabu



Sou a Raquel Yabu, atualmente atendo como Arteterapeuta Integrativa em meu espaço criativo aqui em Ilhabela, litoral Norte de São Paulo, e também no formato online. 

 Tenho como propósito ajudar meus pacientes/clientes a entenderem melhor suas emoções e a buscarem autoconhecimento através da arte, criatividade, cores, aromas, escrita e astros. Me simbolizo como uma ponte ao te ajudar a atravessar suas fases e descobertas, te acompanhando, auxiliando, acolhendo e pincelando Arte pelo processo. Atendo crianças, adolescentes, adultos e melhor idade. 

 Sou coautora de 2 livros: "Terapeutas do Século XXI” /Editora Autografia 

 1° Edição/ capitulo 6: Arteterapia: Uma eficaz ferramenta terapêutica 

 2° Edição/ capitulo 7:Arteterapia: Um universo terapêutico através das técnicas de arte 

 Graduação: •Comunicação Social. •Licenciatura em Artes e Pedagogia. •Pós-graduação em Arteterapia & Criatividade. •Formações em Terapias Holística: Pisicoaromaterapia, Cromoterapia, Grafologia e Astrologia. •Curso na Metáfora Centre D'Estudis D'Artteràpia, em Barcelona/Espanha em 2019. 

 Filiação na Associações: AATESP: 434/0118. ABRATH/CRTH-BR7832 CBO2263-10

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A ARTE COMO CAMINHO DE RESSIGNIFICAÇÃO

 Por Aline Deveza - RJ

@aline_deveza

   Nesse texto, tenho a alegria de compartilhar a trajetória dos Encontros do coletivo RessignificArte, um espaço onde a Arteterapia atuou como verdadeira tradutora da alma feminina, dando cor e forma aos nossos sentimentos mais profundos.

   Criado em 2023, esse espaço nasceu com a missão clara: Oferecer as mulheres um ambiente delas, com o propósito de despertar a consciência para a responsabilidade do autocuidado, ressignificação pessoal e o processo criativo para a vida, favorecendo assim o desenvolvimento e individual e coletivo.

   Sabíamos que a Arte seria o fio condutor, mas não imaginávamos a força da rede que iríamos tecer. O que começou com um grupo tímido, aos poucos foi se espalhando, e com muito carinho e afeto passamos a receber mulheres que, embora estivessem fora do Estado, país, precisavam do nosso acolhimento.

   Graças ao formato on-line, as fronteiras desapareceram, essa diversidade só enriqueceu nossas trocas: em cada encontro, crescemos em entrosamento, cumplicidade e humanidade.

   Nossos encontros são marcados pela ressignificação. Já rimos e choramos juntas, utilizando a expressão artística para dar um novo significado às nossas dores, memórias e sonhos. Através da Arte transformamos emoções complexas em ferramentas de cura.

   A participação de convidados especiais como ilustradores, escritores, atletas maratonistas, psicólogos, terapeutas e pessoas que tinham suas experiências de vida para compartilhar, trouxe novos olhares, tornando cada vivência ainda mais profunda e agradável.

   Nesse processo contínuo, desenvolvemos a criatividade e a escrita, o resultado desse caminhar juntas não poderia ser mais especial: Unimos nossos textos e vivências em um livro intitulado “RessignifcArte”.  

   Para celebrar essa conquista, realizamos um evento em uma maravilhosa confeitaria no Centro do Rio. A publicação da obra foi inesquecível, recheado de muita cultura, música, animação, onde cada escritora pode compartilhar da sua emoção ao ler um pouco de sua alma para os que estavam presentes no evento.

   Embora o online nos mantenha conectadas no dia a dia, nossos encontros presenciais são momentos de “recarregar as energias”. São dias com muitos abraços, sorrisos e afeto, geralmente em ambientes cercados por natureza e Arte. Ali, comemoramos cada vitória emocional e cada conquista como se fosse de todas nós.

    A Arteterapia atua nesse grupo coletivo muito mais do que podemos mensurar, ela é um processo profundo de libertação. No contexto do nosso grupo, ela atua como um catalisador de transformações, oferecendo as mulheres um lugar seguro, onde o fazer artístico dá forma a um novo experimentar, a um novo viver.

   Através da linguagem simbólica as criantes conseguem projetar suas dores, sonhos e sombras nas obras, permitindo assim a ressignificação da própria história e no coletivo esse impacto se multiplica, pois a experiência de uma mulher serve de experiência para a outra.

   Desejamos que essas vivências se espalhem, entre obras, textos,abraços e traços, com a certeza que a Arte transforma e a sororidade nos leva muito além do que construiríamos sozinhas.

   Terminamos com uma frase criada no grupo: “Aprendi a gostar de mulheres fortes, porque hoje eu sou forte.”            

 


                                 


 


                                 

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Sobre a autora: Aline Deveza



Mãe, Arteterapeuta, Artista Plástica, Arte Educadora e escritora. Pós graduada em Arteterapia. Atua como Arteterapeuta e professora de Artes na rede pública Estadual e Municipal do Rio de Janeiro.

Suas principais paixões são a família, a leitura e redescobrir a Arte como instrumento condutor a despertar o potencial criador que habita em cada um de nós.

Sua missão é adentrar nos corações, pois segundo a autora, tanto a arte como a leitura/escrita têm essa magia de tocar, transformar e ressignificar vidas.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

CORES COMO ESTÍMULO COGNITIVO: IMPACTOS NA ATENÇÃO E MEMÓRIA




Por Débora Castro

@deborarteterapia 

Durante uma sessão do grupo 60+ na modalidade continuada, desenvolvi uma proposta voltada ao estudo e à compreensão dos conceitos das cores como ferramenta de estimulação cognitiva. A atividade foi planejada para integrar teoria e prática, permitindo que os participantes explorassem a relação entre percepção cromática, memória, atenção e processos neurocognitivos.

O trabalho iniciou com a apresentação das cores primárias e secundárias, seguida da experimentação das misturas que originam cores terciárias, análogas e complementares. Esse percurso teórico-prático possibilitou que o grupo compreendesse não apenas a lógica das combinações cromáticas, mas também como essas relações influenciam emoções, lembranças e processos de organização visual.



Ao longo das três sessões de Arteterapia, cada etapa foi conduzida de maneira gradual, respeitando o ritmo e o estilo de aprendizagem dos participantes. A construção do conhecimento ocorreu de forma leve, dinâmica e interativa, favorecendo trocas significativas e estimulando a participação ativa. A cada encontro, as integrantes eram convidados a observar, comparar, experimentar e refletir sobre as cores, fortalecendo habilidades cognitivas como atenção sustentada, foco, planejamento e memória operacional.

 

A prática artística, aliada ao estudo cromático, contribuiu diretamente para a ativação da neuroplasticidade, promovendo a criação de novas conexões neurais e reforçando circuitos já existentes. O uso das cores como estímulo sensorial ampliou a percepção visual e favoreceu o resgate de memórias afetivas, enriquecendo a experiência terapêutica.

                   





Explorar as cores na Arteterapia é uma ferramenta de múltiplos significados. As cores despertam emoções, ativam canais simbólicos e permitem que cada participante utilize a paleta cromática de forma livre, intuitiva e pessoal em cada trabalho proposto nas sessões. Como arteterapeuta e mediadora do processo, é profundamente significativo observar cada integrante mergulhando na materialidade, abrindo espaço para o novo, olhando para dentro de si e cuidando das próprias emoções. Esse movimento interno, despertado pela prática artística, fortalece a expressão subjetiva e amplia a consciência emocional.

O resultado do processo foi extremamente positivo. Os participantes demonstraram maior autonomia na identificação e utilização das cores, além de relatarem sensações, lembranças e associações despertadas durante as atividades. A proposta evidenciou o potencial das cores como recurso terapêutico e cognitivo, reforçando a importância de práticas que integrem arte, percepção e estimulação mental na maturidade.


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Sobre a autora: Débora Castro




Sou Débora de Castro, educadora apaixonada pelo poder da arte e do conhecimento. Graduada em Pedagogia e Educação Artística, com pós-graduação em Psicopedagogia e Educação Especial e Inclusiva, sigo aprofundando minha jornada acadêmica como graduanda em Psicologia.

Com formação em Arteterapia (AARJ/1411), atuo há mais de 28 anos na área da Educação, compartilhando saberes como professora de Artes Visuais e História da Arte. Atualmente, dedico-me à coordenação de um grupo de Arteterapia para Mulheres e à condução de oficinas arte terapêuticas, tanto no formato online quanto presencial.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

QUANDO SEGUIR EM FRENTE NÃO SIGNIFICA ESTAR BEM



Por Isa Ramos – RJ 

@psicologaisaramos 

site:www.psicologaisaramos.com.br

Seguir em frente nem sempre é um sinal de que está tudo resolvido. Muitas vezes, é apenas o que foi possível fazer. A rotina continua, os compromissos permanecem e as responsabilidades não diminuem e aos poucos, a vida vai sendo retomada mesmo que por dentro ainda existam partes que não acompanharam esse movimento. Nem toda continuidade significa superação. 

Há momentos em que seguir é uma necessidade, não uma escolha. Um movimento automático, sustentado mais pela exigência do que pela elaboração, por fora, tudo parece organizado, as tarefas são cumpridas, as conversas acontecem e os dias seguem, mas internamente, algo ainda pede atenção e nem sempre isso é percebido de imediato, porque existe uma ideia silenciosa de que, ao continuar a dor deveria diminuir. Como se o tempo, por si só, resolvesse aquilo que ainda não foi olhado com cuidado. O tempo não elabora, ele passa. O que elabora é o espaço que se cria para compreender o que foi vivido. Sem esse espaço, o que acontece não é superação e sim adaptação. 

Uma adaptação que muitas vezes mantém o funcionamento, mas não promove integração e isso pode se manifestar de forma sutil. Um cansaço que não se explica, uma irritação que surge sem motivo claro e uma sensação de desconexão, como se algo estivesse fora do lugar. Não porque a vida parou, mas porque uma parte de si ainda não conseguiu acompanhar o ritmo que foi necessário seguir. Existe uma diferença entre continuar e estar bem. Continuar é possível mesmo quando ainda existe a dor e estar bem exige contato com essa dor e esse contato muitas das vezes acontece no mesmo tempo em que a vida exige movimento. Por isso, é comum que algumas experiências sejam deixadas para depois, não por negligência, mas por falta de condições emocionais naquele momento e tudo bem. 

Cada processo tem seu tempo, mas aquilo que não é elaborado, não desaparece, simplesmente permanece em espera e o que permanece em espera nem sempre se apresenta de forma clara. Nem sempre volta como lembrança e nem sempre aparece como pensamento, às vezes, se manifesta no corpo. Pode ser na dificuldade de relaxar, na sensação constante de alerta ou na necessidade de manter tudo sob controle. Outras vezes surge em pequenos movimentos do dia a dia, na impaciência que não combina com a situação, na vontade de se afastar sem saber exatamente por que ou até na dificuldade de se envolver novamente com aquilo que, em outro momento, já foi natural. Como se de alguma forma, o que não pôde ser elaborado continuasse tentando encontrar um espaço para existir, não para causar desconforto, mas para ser reconhecido, até porque toda experiência que atravessa a vida de alguém deixa marcas e essas marcas não dizem apenas sobre dor, mas também sobre aquilo que ainda precisa ser compreendido. 

Nem sempre esse processo é imediato, há tempos internos que não acompanham o tempo cronológico e por mais que a vida siga, há partes que precisam de pausa. Pausa para sentir, pausa para reconhecer, pausa para dar sentido ao que, em algum momento só pôde ser suportado. Talvez seja justamente nesse intervalo entre o que foi vivido e o que ainda está sendo compreendido que mora um dos movimentos mais importante do cuidado consigo. Não é o de apressar respostas e nem o de forçar conclusões, mas o de sustentar, com certa gentileza aquilo que ainda não encontrou forma, porque nem tudo o que continua em nós precisa ser resolvido de imediato, mas em algum momento precisa ser olhado. 

E talvez nem sempre seja sobre apressar esse processo, mas sobre respeitar o tempo que cada experiência precisa para ser compreendida. Porque, mesmo no silêncio, há algo em nós que continua se organizando. 

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Sobre a autora: Isa Ramos



Psicóloga atuando na área clínica e formada em Administração. Concluí uma Pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Positiva, um MBA em Gestão Empresarial e uma Pós-graduação em Gestão de Sistemas Integrados em QSMS/SGI – Qualidade, Saúde, Meio ambiente e Segurança Trilhei toda a minha caminhada profissional em corporações de médio e grande porte gerindo pessoas e administrando conflitos, porém ao percorrer essa jornada e com as experiências já vividas percebi que poderia fazer mais pelo ser humano. Sendo assim, escolhi a Psicologia com o objetivo de acolher a dor do outro e acima de tudo impactar de forma positiva a vida das pessoas.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

FOTOGRAFIA: UMA POTÊNCIA CRIATIVA NAS PALMAS DAS MÃOS



Por Ana Paula Batista - DF

Desde seu surgimento como técnica até os dias de hoje, a fotografia passou por muitos saltos tecnológicos, chegando ao momento em que temos um gerador de imagens de alta qualidade nas palmas das mãos. Ter um retrato já foi privilégio para as famílias mais abastadas, mas hoje em dia pode ser possível com a câmera do celular, de maneira muito mais acessível, tanto em termos de custos como de conhecimentos técnicos necessários.

Podemos pensar na fotografia como um recurso, com linguagem própria, para documentar, registrar e preservar memórias. Muitas vezes é difícil distinguir se uma lembrança que temos vem realmente da nossa memória ou de uma fotografia. As fotografias documentam momentos históricos da sociedade (e das nossas vidas), geram desejo quando utilizadas na publicidade, despertam emoções. Dá pra imaginar um mundo sem fotografia?

Para além do seu uso publicitário, artístico, social ou documental, a fotografia pode ser uma poderosa ferramenta para promover saúde mental e autoconhecimento. Somado a isso, considerando a capacidade para produzir imagens e seu fácil acesso, a fotografia torna-se também um recurso expressivo valioso no contexto arteterapêutico.

Quando fotografamos de forma consciente, estamos ancorados e presentes no momento, observando os detalhes e apreciando a beleza que está à nossa volta. Essa prática nos ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, afastando-nos daquelas preocupações excessivas e dos pensamentos negativos que impactam nosso humor e nos colocam em estado de alerta, de defesa. Ao fotografar paisagens, pessoas ou objetos, estamos estabelecendo uma conexão mais profunda com o mundo ao nosso redor, o que nos traz uma sensação de pertencimento.

Se quisermos aprofundar e fazer um mergulho interior, podemos aproveitar esse ato de fotografar e observar internamente os nossos pensamentos e emoções. Ao olhar para nossas próprias fotografias, podemos desenvolver uma consciência mais ampla de nós mesmos, de nossas percepções, de como nos sentimos perante nosso ambiente. Essa prática nos ajuda a nos compreender melhor e a apreciar nossas próprias qualidades, impactando em nossa auto-estima.

Devemos ressaltar também que a fotografia é uma forma de linguagem que nos possibilita expressar aquilo que pensamos ou sentimos. Ao capturar uma imagem, estamos processando nossas experiências internas e dando-lhes um significado mais profundo. Expressar aquilo que se passa em nosso mundo interno é extremamente potente em nossa jornada de autodescoberta. Além de ser uma ferramenta de expressão, a prática da fotografia é uma forma de exercitar a criatividade, tendo em vista que podemos explorar diferentes ângulos e composições para deixar nossas imagens mais atrativas e expressivas.

No setting arteterapêutico, a fotografia traz inúmeras possibilidades de trabalho. Podemos explorar, por exemplo, fotografias do acervo pessoal dos pacientes, colocando-os em contato com lembranças e emoções, com sua autoimagem, com a própria história e com as narrativas construídas em sua vida. Daqui podem surgir colagens, linhas da vida, mandalas, livretos, contos, vídeos, entre outras atividades.

Outra possibilidade é pedir que os pacientes fotografem e aqui abre-se mais um leque de caminhos a serem percorridos. Fotografar pode ser uma forma de expressar aquilo que não é possível em palavras. Um conjunto de fotografias feitas pelos pacientes de forma livre podem trazer informações ricas a respeito de como enxergam o mundo, padrões nos temas, uso da luz, enquadramento, além de possibilitar a produção de símbolos e ampliação de consciência.

Como arteterapeutas, podemos, ainda, encorajar a elaboração de um projeto fotográfico, o que pode incluir um diário. Ter o hábito de fotografar ajuda a reduzir o estresse, tendo em vista que é uma atividade relaxante, divertida, e que coloca a pessoa no tempo presente. Elaborar um projeto ou diário fotográfico pode também exercitar a criatividade e aguçar a sensibilidade para os detalhes da vida que muitas vezes passam despercebidos, tirando o foco dos problemas.

A intenção aqui não é esgotar as possibilidades de trabalho com a fotografia no processo arteterapêutico, mas sim colocar luz nesse recurso tão poderoso e acessível, mas muitas vezes esquecido ou  não explorado em toda a sua riqueza no setting.

 

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Sobre a autora: Ana Paula Batista

 

Psicóloga, fotógrafa, graduada em Fotografia, Arteterapeuta, especialista em Qualidade de Vida no Trabalho e em formação clínica em Psicologia Analítica.