Por – Débora Castro
@deborarteterapia
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O envelhecimento ativo revela uma beleza que não se mede em linhas do rosto, mas em camadas de história, presença e potência criativa. Na Arteterapia, essa beleza se manifesta quando o sujeito encontra, no fazer artístico, um espaço para reorganizar memórias, fortalecer vínculos e redescobrir sentidos. É nesse encontro entre expressão e cuidado que o tempo, antes visto como perda, passa a florescer.
A Arteterapia compreende que o processo criativo é um território fértil para a manutenção da vitalidade psíquica e cognitiva. Ao trabalhar com imagens, cores, texturas e símbolos, o idoso acessa dimensões internas que muitas vezes permanecem silenciadas no cotidiano. Não se trata apenas de “estimular a mente”, mas de permitir que cada pessoa se reconheça como autora da própria história ainda em movimento, ainda em construção.
Toda semana, o grupo se reúne em torno de uma mesa que, aos poucos, se transforma em jardim: papéis coloridos, lápis, tecidos, argila, revistas, pincéis. Cada encontro começa com uma breve roda de conversa, onde surgem relatos sobre a semana, lembranças espontâneas, pequenas conquistas e desafios cotidianos. É nesse aquecimento afetivo que o clima de confiança se estabelece.
O grupo foi convidado a refletir sobre o tema “De onde vem a beleza do envelhecimento ativo?”. A pergunta abriu um campo fértil de sensações, memórias e percepções. Aos poucos, cada participante foi se permitindo falar e se ouvir. Houve silêncio atento, escuta acolhedora e trocas que revelaram o quanto cada uma carrega uma história única e, ao mesmo tempo, o quanto todas se reconhecem no caminho da outra.
A beleza desse processo está justamente no lugar de pertencimento de cada participante. Elas sabem que o grupo de Arteterapia é um espaço seguro, onde podem se expressar sem julgamentos, onde suas vivências são valorizadas e onde o envelhecer ganha novos contornos. A cada fala, surgiam reflexões sobre força, delicadeza, autonomia, desafios e descobertas que continuam acontecendo mesmo com o passar dos anos.
Depois da roda de conversa, seguimos para a prática criativa. Entreguei a cada participante um círculo, símbolo do movimento contínuo da vida aquilo que não se interrompe, apenas se transforma. De maneira intuitiva, cada uma escolheu três palavras que, para elas, representam a beleza da vida. Palavras que nasceram de dentro, carregadas de significado.
Em seguida, essas palavras foram traduzidas em imagens, cores, formas e gestos criativos. O círculo se tornou espaço de expressão simbólica: algumas criaram mandalas vibrantes, outras optaram por composições mais suaves, e houve quem transformasse as palavras em caminhos, flores, ondas ou luzes. Cada criação refletia não apenas a estética individual, mas também a forma como cada uma percebe sua própria jornada de envelhecer.
O resultado foi um conjunto de obras que, juntas, formavam uma mandala de vitalidade, sensibilidade e potência. Mais do que um exercício artístico, foi um momento de reconhecimento: a beleza do envelhecimento ativo nasce do movimento interno, da capacidade de continuar criando, sentindo, compartilhando e se reinventando.
O que se vê nesses encontros não é apenas a melhora da atenção, da memória ou da linguagem, embora isso aconteça de forma evidente. O que realmente se revela é a beleza do envelhecimento ativo: a capacidade de continuar criando, reinventando-se, conectando-se consigo e com o outro. A Arteterapia oferece um espaço de acolhimento, escuta e de expressão . Onde cada traço, cada cor e cada gesto reafirmam que a vida segue pulsando. Onde o envelhecer deixa de ser sinônimo de declínio e passa a ser reconhecido como um campo fértil de possibilidades. Quando o tempo floresce, a beleza se torna visível não apenas no que é criado, mas no que é vivido.
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Sobre a autora: Débora Castro


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