No dia 7 de setembro, feriado em São Paulo, fui visitar a exposição imersiva de Tarsila do Amaral. Saí de lá com aquela sensação que algumas exposições provocam: a de que a gente não apenas olha para as obras, mas também se reconhece um pouco dentro delas.
Tarsila é uma dessas artistas que continuam conversando com o presente. Sua obra nos atravessa pela cor, pelas formas, pela brasilidade, pelo feminino, pela imaginação e, principalmente, pela liberdade de criar uma linguagem própria.
E talvez seja justamente por isso que Tarsila tenha tanto a contribuir para a Arteterapia.
Na Arteterapia, não buscamos simplesmente produzir uma obra bonita. A experiência artística pode abrir caminhos para que a pessoa se expresse, experimente possibilidades, reconheça aspectos de si e construa novas narrativas. A imagem pode dizer aquilo que, muitas vezes, ainda não encontrou palavras.
E Tarsila oferece um universo riquíssimo para esse encontro.
Suas cores, seus personagens, suas paisagens e suas formas nos convidam a olhar para o Brasil de uma maneira simbólica e, ao mesmo tempo, profundamente pessoal. Há espaço para falar de identidade, pertencimento, memória, infância, desejos, raízes e também do feminino.
Recentemente, tive a oportunidade de trabalhar com um grupo de mulheres a partir de uma de suas obras, Carnaval em Madureira.
A proposta não era reproduzir Tarsila. Era partir dela.
A partir daquela imagem tão cheia de movimento, cor e referências brasileiras, cada mulher foi convidada a criar a sua própria narrativa. O que existe em mim que quer ganhar cor? O que me representa? Que lugar eu ocupo na minha própria história? O que eu quero mostrar de mim?
É aí que percebo uma das grandes potências da arte na Arteterapia: uma obra de um artista pode ser a porta de entrada para uma experiência que pertence inteiramente a quem cria.
Tarsila dizia, em sua busca artística, “Quero ser a pintora da minha gente”.
Essa frase sempre me toca.
Porque existe algo muito potente em assumir a autoria daquilo que somos. Em reconhecer nossas referências, nossa história, nossas raízes e, a partir delas, criar uma linguagem que seja nossa.
Talvez seja isso que a arte possa nos oferecer: não necessariamente respostas, mas espaço para experimentar quem podemos ser.
Ao caminhar pela exposição neste
7 de setembro, olhando para aquelas obras tão brasileiras, pensei também em quantas histórias ainda podem nascer quando nos permitimos olhar para a nossa própria cultura com curiosidade e afeto.
Tarsila nos deixou imagens. A Arteterapia pode transformar essas imagens em experiências.
E cada pessoa, ao criar, pode descobrir que também é capaz de pintar — à sua maneira — a própria história.
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Sobre a autora: Mônica Ruibal
De São Paulo, graduada em Pedagogia com pós graduação em Arteterapia e Arte Reabilitação
Especialista em autismo, atuando em equipe multidisciplinar.
Em 2024 foi convidada a compor um painel sobre Arteterapia no Tearteiro, maior Festival de Autismo e Arte da América Latina.
Criadora do grupo Arte Autismo onde promove encontros e workshops sobre o tema.





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