segunda-feira, 30 de setembro de 2024

“NOVA YORK É MUITO TUDO.”: RELATO DE UM PROCESSO CRIATIVO

 


Por Vera de Freitas - RJ

                Em junho de 2024 visitei uma exposição de colagem no Parque Lage, Nno Rio de Janeiro, e saí super inspirada. Queria criar algo muito grande, como já havia sido orientada, e enfim era hora de criar algo realmente de grandes dimensões, mas não tive coragem de iniciar. Era uma proposta, uma ideia desafiadora, exigindo dedicação, trabalho e muita criatividade.

Saí da exposição inspirada e desafiada. Precisava pensar rapidamente e fazer, produzir, realizar, criar. Grandiosamente.

                Resolvi trabalhar com papel Paraná, de 1m x 80cm. Seriam 3 placas desse tamanho. Ou seja, 2,40m x 1m de altura. Pensei no vínculo, numa sequência, na junção de uma placa na outra e na outra, para parecer uma única obra, a unidade, o todo.

                Todas as etapas foram deliciosas de pensar, de planejar e de fazer.  Muitas não foram fáceis nem simples e algumas desafiadoras. O tema, não tinha ideia. Fui criando e acreditando que alguma hora eu o definiria. Fui produzindo com muita liberdade e por isso, brincando com a criatividade, simplesmente fazendo.

                Comecei o processo fazendo essa união entre as 3 partes, depois coloquei cor nos papéis, por indicação do meu arteterapeuta, e realmente ficou bem melhor. Pintei flores que eu amo, mas depois de prontas não gostei. Ainda assim, deixei e continuei, fazendo uma parte e outra, depois mais uma e assim fui indo, simplesmente criando, fazendo, juntando, compondo. Ainda insatisfeita com as flores, pensando em como refazer, achei uma alternativa, cobri de papéis, fiz outras flores, recortei, colei e adorei. Resolvido. Satisfeita.

                A partir daí comecei a amar o trabalho. A cada movimento, cada imagem, símbolo ou qualquer coisa eu o amava mais. Mas ainda não sabia o que ele me dizia, nem aonde chegaria. Do mesmo jeito que simplesmente só criava, também simplesmente o amava, e por tudo isso, estava super feliz. Foram dias e meses de criações, transformações e composições. Até que agosto chegou, ele ainda não estava pronto, guardei e fui viajar. Ainda não sabia como ele terminaria, não tinha título, nem mensagem, nem história, nada. Faltava alguma coisa importante e eu não tinha ideia do que era.

                Deixei o trabalho guardado e fui para Nova York, um lugar ao qual eu nada sabia ou conhecia. Fiz uma viagem maravilhosa, completa, repleta de passeios, pontos turísticos, muita arte e beleza, lugar de muita riqueza, luzes, cores, novidades, intensidade, muita grandeza. Nova York é muito tudo. Muito mesmo. Eu me surpreendi e me encantei. Foi muito melhor do que eu podia imaginar. Voltei lotada de estímulos, de vontade, de energia e com vontade de todo tipo de arte. Era muito tudo.  Precisei escrever para registrar, relembrar, para fixar e não esquecer, sobre muitas coisas vistas, experimentadas e vividas. Produzi, com sacolas e embalagens que trouxe de lá, um caderno para esses registros. Escrevi sem parar, precisava organizar e também esvaziar. Escrevi muito.

                Alguns dias se passaram e ainda com a cabeça, o coração e a alma cheios de ideias e vontades, lembrei do meu grande trabalho. E, para minha surpresa percebi que tudo que havia visto e vivido, estava representado naquele trabalho, guardado atrás da porta do quarto, aguardando o meu retorno. Mesmo sem estar finalizado, ele já representava a minha viagem. Era Nova York com muito de tudo. Tudo se encaixou. Das imensas flores que me encantaram no primeiro momento, de passeios por lugares lindos, de tantas pessoas diferentes, pessoas com estilos próprios de simples a exuberantes, dos mosaicos e todo tipo de arte nas diversas estações do metrô, de arte em todo lugar, dos muitos tênis, sapatos e andanças durante toda a viagem, e todo meu deslumbramento. Tudo muito. Maravilhoso, grandioso, estimulante, inspirador e acima de tudo surpreendente. E agora, era fácil finalizar com algumas coisas que eu trouxe exatamente para fazer arte.

                Comecei esse trabalho grande antes de conhecer o que ali representei. Antecipei, não sei como aconteceu. “Só se que foi assim...” como diria Ariano Suassuna. Trabalhei com a minha subjetividade, com a minha alma, com liberdade e criatividade, com a minha intuição mais profunda.

Sincronicidade e transcendência são conceitos da psicologia analítica de Jung, que estudo há anos e agora consegui vivenciar e realizar. Quando revejo meu processo criativo percebo que fui além. Ultrapassei meus limites conscientes para trabalhar, expressar, representar coisas muito internas da minha alma, da minha psique. Foram inshigts criativos e livres a partir da intuição, de uma percepção inconsciente. E foi isso que aconteceu. Foi disso que esse trabalho grande nasceu. Muito além de mim. Ultrapassei, transcendi, criei.

                Nova York fez isso comigo. É muito tudo.

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Sobre a autora: Vera de Freitas



Advogada, Fomação e Pós Graduação em Arteterapia e Envelhecimento Ativo,  Subjetividade e Arte(POMAR).

Administradora do Instituto VENHA CONOSCO - Tijuca, RJ

Professora de Iniciação Artística - Instituto ZECA PAGODINHO 

Professora de Ateliê Terapêutico/Curso de Formação - POMAR

Diretora Administrativa  da AARJ 

Facilitadora de Grupo de Arteterapia  para adultos e Grupo de Desenho Livre.

Ateliê  de PAPEL MACHÊ e Diário Criativo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

A BUSCA PELO PERTENCIMENTO - REFLEXÕES NA ARTETERAPIA

 


Por Sarita Elias 

@sarita_arteterapeuta


O tema do pertencimento tem sido uma constante na minha trajetória como Arteterapeuta. Já escrevi um artigo sobre este assunto no contexto de idosos residentes em uma Instituição de Longa Permanência e atendo uma cliente que mora fora do Brasil há 12 anos, estando sempre em diálogo com essa temática, ainda que de forma inconsciente. Recentemente, recebi uma nova cliente que expressou a seguinte inquietação: “Não me sinto bem neste lugar, não me sinto pertencente”. Pertencimento! Palavra que tem o mesmo significado de pertença, que significa "aquilo que faz parte de; pertence, propriedade; atribuição". Como seres sociais, faz parte da nossa natureza humana a necessidade de pertencer, de fazer parte de algo. De acordo com Cardella (2015): 

"A vida humana é sempre vida de alguém, que acontece em meio aos outros. O outro, o diferente, o estranho, nos limita, desafia, contesta, desaloja, desarruma e também confirma, testemunha, acolhe e se deixa transformar pelo nosso modo de ser. Paradoxalmente, nos faz outros para nós mesmos e possibilita que nos apropriemos do próprio" (CARDELLA, 2015, p. 181). 

Sendo o pertencimento uma necessidade humana fundamental, naturalmente, essa questão chega à clínica arteterapêutica. Isso me faz refletir sobre a importância de estarmos preparados para acolher essa busca, o que implica, entre outras coisas, compreender o que significa pertencer para cada cliente. No entanto, é igualmente crucial diferenciar entre um desejo autêntico e legítimo de pertencer e o anseio por "encaixar-se" em um contexto de forma irrefletida. 

Esse desejo irrefletido de "se encaixar" pode estar fortemente ligado à perda de identidade, causada por uma variedade de fatores. Um caminho terapêutico pode ser criar propostas que fortaleçam a autoestima e o senso de identidade. Ao perceber-se como único e singular, o indivíduo tende, naturalmente, a descobrir a sua pertença nos espaços que lhe são dignos, afastando-se dos lugares que não lhe cabem.

 Além disso, o pertencimento é apenas uma das várias dimensões que constituem a dignidade humana. Observar como o cliente se relaciona com essas diferentes dimensões – como a sua criatividade, senso de responsabilidade, hospitalidade, reconhecimento de si e do outro, entre outros aspectos – é essencial. Isso nos permite compreender melhor as razões pelas quais essa necessidade de pertencimento emerge nas sessões. 

Compreender as necessidades do cliente requer uma abordagem cuidadosa, uma vez que é o próprio cliente quem sabe o que precisa ser trabalhado em terapia. Como afirma Cardella (2015): "Só quando aceitamos que não conhecemos o outro é que podemos, de fato, reconhecê-lo" (CARDELLA, 2015, p. 51). 

Com esses pontos em mente, o acolhimento, as propostas e os materiais selecionados na arteterapia devem funcionar como uma ponte entre a dor inicial que a ausência de pertencimento provoca e a descoberta do lugar do cliente no mundo. Isso, por sua vez, permite que o pertencimento seja vivido como uma consequência natural do "ser". 

Bobliografia CARDELLA, B e a t riz. D e v olt a p a r a c a s a. 2. e d. A m p a r o: G r á fic a F o c a, 2 0 2 0. 2 9 6 p.


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Sobre a autora: Sarita Elias - AATESP 1104/0923 


Formação: Graduação em Pedagogia e Artes Visuais e pós graduação em Arteterapia pelo instituto Faces 

Área de atuação/projetos/trabalhos: Sou Sarita Elias, Arteterapeuta, Arte-Educadora e Artesã. Atuo como Arte-Educadora com crianças de escola pública e Arteterapeuta com atendimentos individuais e em grupo no formato online e presencial. Atualmente faço parte do projeto de Atendimento Social do Não Palavra como Arteterapeuta e coordeno o grupo de Arteterapia online “Criar, cuidar e ser!”. 

Contato: @sarita_arteterapeuta (instagram); sarita.arteterapeuta@gmail.com (email) 

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

UM OLHAR ARTETERAPÊUTICO SOBRE A VIDA E OBRA DA ARTISTA BOTÂNICA MARGARET MEE “DAMA DAS FLORES”

 Por Débora Castro - RJ

@deborarterapia

Sou Débora de Castro, Graduada em Pedagogia e Artes Visuais e hoje tenho muito orgulho de me apresentar também como ARTETERAPEUTA. Minha trajetória vem sendo trilhada com muita sensibilidade e sempre com um olhar atento no que os artistas/pintores, podem nos possibilitar e nos ajudar no nosso processo de AUTOCONHECIMENTO.

Hoje apresento a artista botânica, ambientalista, escritora  e professora, Margaret Ursula Mee. A artista botânica britânica, nasceu em (1909-1988),  viveu no Brasil  durante trinta anos e devotou a vida a viajar acima do rio Amazonas. Dos seus vários tributários, realizou expedições onde coletou e pintou  várias plantas da Amazônia, nomeadamente orquídeas, bromélias e outras espécies da flora tropical. 

 

Margaret Mee perpetuou  pelas suas obras a delicadeza dos desenhos e a fidelidade à natureza. Suas pinturas foram importantes não só para o desenvolvimento da botânica, mas também preciosas ao estudo das cores, das formas e da técnica de grafite e aquarela sobre papel. Uma poeta da botânica, que escrevia seus versos com pigmentos suspensos em água. A natureza era o tema; a aquarela, o verbo de Margaret Mee. Sépalas e pétalas versam a obra desta artista inglesa que se especializou em plantas da Amazônia brasileira. 

A artista foi capaz de superar a própria natureza, (aparentemente) frágil, de mulher quase octogenária, para colher, nos confins de uma densa floresta, em noite de lua cheia, a beleza de uma única flor: a FLOR DA LUA, que se abre, exala seu perfume, oferece seu pólen e se fecha, em uma só noite - um reflexo lunar da rosa de Malherbe.

A Flor da Lua inspirou uma das aquarelas mais caras à Margaret Mee, retratada em seus diários. Ela teve muita dificuldade em encontrá-la, devido a sua existência efêmera, pois esta flor vive apenas uma noite, durante a lua cheia. E assim como é possível conhecer suas estruturas pelas vias da ciência, também é possível ter sensações potencializadas pela sensibilidade artística de Margaret Mee.

                                                      


Ilustração em aquarela “FLOR DA LUA” – Floresta da Amazônia

Seu trabalho artístico era repleto de pinceladas em aquarela, as cores dialogavam com o ambiente livre, intenso, um mergulho profundo em meio da Floresta Amazônica, destemida e corajosa, a artista nos inspira e nos mostra o quanto somos capazes de enfrentarmos nossos medos e superá-los com determinação e resiliência.

Margaret Mee é fonte de inspiração para meu trabalho como Arteterapeuta.  Assim, apresentei a de forma poética a história da artista a um grupo arteterapêutico de mulheres que atendo na modalidade continuada. A proposta do encontro foi despertar nas participantes um olhar sobre o quanto precisamos “Regar para Florir”  para que nossas  flores internas possam desabrochar, com Liberdade e sensibilidade. Aprender com as flores é entender a importância de olharmos para dentro e cuidarmos daquilo que realmente importa, nosso INTERIOR. O jardineiro somos nós e o jardim é o nosso interno, nossa consciência, nossas emoções, nossos sentimentos e a forma como cuidamos do nosso interno, de nós mesmos.

Durante a sessão de Arteterapia o grupo também assistiu um pequeno fragmento do documentário: “FLOR DA LUA” – Dama das Flores

 


Documentário completo: https://www.youtube.com/watch?v=Mr70PGqAgSw

A partir das reflexões sobre a história da artista e das analogias feitas no nosso processo de AUTOCONHECIMENTO, fiz as seguintes perguntas para o grupo:

      Convido você nesse momento, a olhar para essa FLOR que existe dentro de você.

      Observe como está a raiz que sustenta essa flor, as cores, as folhas, as texturas.

      Como você tem nutrido e regado o solo para essa FLOR crescer e desabrochar cada vez mais.

              Em seguida fomos para plástica arteterapêutica, as participantes foram convidadas a mergulhar no seu jardim interno, observando as flores, raizes, texturas e suas nuances que fazem parte da estrutura emocional do grande Jardim chamado “INTERIOR”.

Registro das participantes:

“O sol me dando energia e assim como a Margareth Mee, um olhar determinado para frente, estando em um mar de emoção (água), mas sendo capaz de ser frágil como as flores e a Flor da Lua, mesmo com os espinhos”.

 


Participante “D”

“A encontro mediado pela arteterapeuta Débora de Castro, sobre a  artista botânica Margaret Mee foi de uma profundidade sensacional tudo pensado com carinho do relato sobre a artista , passando pelas imagens e músicas belíssimas. Fomos incentivadas a cuidar do nosso jardim interno, de forma suave e bela. A sessão foi muito reflexiva e o que a artista me despertou é que tenho  que ser resiliente e corajosa. Podemos tudo, basta a gente querer. Se empenhar e não deixar nada para depois”.

 


Participante “S”

Transitar pelo campo das flores e trazer à tona aquilo que precisamos regar, cuidar e preservar é algo muito potente na vida de todo ser humano. Vivemos num cotidiano com tantas tarefas e responsabilidades que a vida nos apresenta, que esquecemos  de usar o nosso regador emocional. Não podemos deixar de lado aquilo que nos rege todos os dias, nossos sentimentos. Reguemos nossas flores no individual e no coletivo. Somos uma grande floresta que precisa de cuidado para se manter viva e com saúde.

Como Arteterapeuta me coloco num lugar de muita responsabilidade e acolhimento durante meus atendimentos seja em grupo ou individual.  Falar da Margaret Mee para mulheres num grupo de Arteterapia,  foi um  fio condutor muito reflexivo e potente, pois, o  despertar através da arte, dos materiais expressivos e também das obras da artista , ajudou a ampliar o olhar das participantes, estimulando-as  a cuidarem cada vez mais dos seus Jardins Interno. 

Encerro esse texto com uma frase de Margaret Mee:

“Sei que minha morte não significará o fim do meu trabalho. Onde quer que eu esteja, tentarei influenciar aqueles que estão destruindo o planeta para que deem à natureza uma chance de sobreviver”.

Reflitamos, então, que Margaret cumpriu o seu legado até o fim, mas os frutos de seus trabalhos e conhecimento continuam se multiplicando até os dias de hoje e a beleza e importância de seu trabalho sempre será lembrado! Como em 1994, ano em que foi tema do enredo da Escola de Samba Beija Flor, no Rio de Janeiro, com a música "Margaret Mee a dama das bromélias".

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Sobre a autora: Débora Castro



Sou Débora de Castro, graduada em Pedagogia, Educação Artística, com pós-graduação em Psicopedagogia e Pós-Graduação em Educação Especial e Inclusiva. Com formação em Arteterapia. Atuo na área de Educação há mais de 28 anos, como professora de Artes Visuais e História da Arte. Atualmente coordeno um grupo de Arteterapia para Mulheres e ministro oficinas Arte terapêuticas no online e presencial.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

UM ESPAÇO PARA A EXPRESSÃO



Por Elaine Tomaz - SP

Arteterapeuta - AATESP 335/0616

@tessera.arteeterapia

Quando um novo paciente chega à Clínica Arteterapêutica e o acolhemos, iniciam-se vários processos – as primeiras conversas e entrevista para conhecer o histórico biopsicossocial do indivíduo, explicar o funcionamento do processo Arteterapêutico, estabelecer as bases do vínculo entre paciente e Arteterapeuta. 

No decorrer dessa relação, como profissional, vamos percebendo quais as demandas deste paciente, e uma que eu gostaria de destacar é: qual espaço essa pessoa necessita para se expressar? 

No atendimento presencial, estruturamos o setting arteterapêutico de forma que a pessoa se sinta bem vinda, cuidada, segura e no atendimento on-line estabelecemos uma organização da sessão que também proporcione essa mesma sensação. Há uma atenção especial com este ponto – no presencial ou no virtual o paciente precisa confiar que pode se abrir, que neste local ele está seguro com o profissional que ele confia, mesmo que estejamos em lugares separados fisicamente. Que a atividade proposta também vai proporcionar um momento de acolhimento, de entrega, de consciência e descoberta de si. 

Há um termo grego que define bem esta intenção – Têmenos, que significa um espaço sagrado e protegido de transformações. Esta é uma metáfora para o setting arteterapêutico. 

Quando um material ou uma proposta de trabalho da Arteterapia é oferecido, normalmente temos uma mesa, cadeira, uma base de apoio que pode ser um papel específico, um recipiente para que o paciente possa criar. E aqui, ressalto a importância de estarmos atentos a que espaço vai fazer sentido para que o indivíduo trabalhe, poder estar confortável física e emocionalmente e, muitas vezes, a mesa e a cadeira, o sofá, o papel, seja qual for, não são suportes suficientes para o que é preciso expressar, experimentar, sentir. 

Algumas pessoas podem querer trabalhar em pé, usando um cavalete, a parede, sentar no chão, ter outro apoio para o corpo, andar, se movimentar, se cobrir, sentar e colocar as pernas para cima. Pensando no ambiente virtual, ele pode estar no quarto, na varanda, na cozinha, com tantos materiais diversos, que a princípio, podem não ser considerados materiais artísticos, mas que atendem os objetivos terapêuticos e das demandas emocionais do paciente. 

A flexibilidade do espaço e dos materiais precisam estar à serviço da necessidade do cliente. Outros tamanhos, outros lugares, outras posições, sensações e tantas possibilidades buscando acolher e viabilizar uma expressão genuína do universo de cada um. 

De que espaço você necessita?

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Sobre a autora:  Elaine Cristina Tomaz



Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário Barão de Mauá, com Habilitação em Administração 

Escolar.

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional - Centro Universitário Barão de Mauá.

Formação em Educação em Valores Humanos (Básico) pelo Instituto Sathya Sai de Ribeirão Preto.

Especialista em Arte e Arteterapia aplicada à Educação, Saúde, Social e Organizações pelo 

NAPE – Nucleo de Arte e Educação/FAVI – Faculdade Vicentina – AATESP 335/0616.

Formação em Mandala Terapêutica pelo CEIMAS® (Centro Internacional de Mandala, Arte e Simbolismo) - SP 

Formação como Facilitadora SoulCollage® pelo SoulCollage® Brasil. 

Atuou como Gerente de Projetos e Coordenadora de Formação de Mediadores de Oficinas de Leitura e Escrita na Fundação Palavra Mágica em Ribeirão Preto/SP

Professora Alfabetizadora das Redes Estadual e Municipal de Ribeirão Preto/SP. 

Atendimento em Arteterapia, Mandalaterapia e SoulCollage® para  jovens e adultos, individual e grupos, presencial e online em clinica própria – Téssera Arte & Terapia

@tessera.arteeterapia

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

"QUANTO TEMPO?": EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES

 



Por Jeany Amorim - RJ

@jeanysamorim.arteterapia

A palavra “tempo” tem aparecido com certa frequência nos atendimentos. Normal. Afinal, nossa sociedade tem sido cada vez mais enredada por Cronos. A questão  é que o tema “tempo” vem sendo reflexão para diferentes idades...e, se aparece no setting, é preciso olhar...com tempo!

Uma criança de 5 anos chega, apontando para o relógio, e pedindo que eu lhe mostre o caminho que os ponteiros farão até que acabe a sessão...conversamos sobre aproveitar o momento. E ele teve uma grande  ideia: “quando eu me cansar de estar aqui, podemos encerrar”. Mais tarde um pouco, em outra sessão, uma senhora de 71 anos, enquanto vivencia um escalda-pés, enumera tudo que lhe traz relaxamento e prazer. Interrompe de súbito a lista  para dizer sobre o medo de estar “perdendo tempo” com seus pequenos prazeres...e surge a pergunta: quanto tempo tenho?

Seja por uma agenda repleta de compromissos, por afazeres sem fim, ou por simplesmente nos esquecermos da necessidade do ócio criativo, estamos com a sensação de que o tempo está passando mais rápido. Sem pequenas pausas em nossas rotinas, nos tornamos cada vez mais eficientes em nos enquadrar no que ditam os ponteiros do relógio. Há como fazer diferente?

Como dizer para uma criança de 5 anos que ele não pode viver organicamente, no fluxo de suas necessidades e potências? Como dizer para uma senhora que viva seus dias se dando o direito de gozar de todos os prazeres? No fundo, os dois têm as mesmas questões, vivenciadas em fases bem distintas da vida, e que ao invés de serem ignoradas e transformadas em sintomas de ansiedade, são acolhidas e bem escutadas, recebendo a importância que tem. Fiz um convite: viver o momento presente. Agora. Aqui. O que sentem? Estão bem? Vamos viver!

Ele colocou seus pés no chão e seguiu feliz entre os lápis de cores e tintas e está apreendendo a brincar com o tempo. Ela diz ter descoberto um novo mantra: o tempo é meu e gasto como quiser!

Descobrir novas potências, expandir horizontes, desbloquear a criatividade, assumir o que se quer, descobrir o que te prende...há tantas formas de seguir - e fazer diferente! Sigamos, sempre é tempo! Mas despertos, para que como na mitologia, não sejamos devorados por Cronos.

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Sobre a autora: Jeany Amorim


Jeany Amorim é Arteterapeuta, Psicopedagoga, professora de Arte na Rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro, Mediadora de Conflitos - e de pessoas! - ilustradora de livros infantis, contadora de histórias e de estrelas. Mora em meio a Mata Atlântica, na região serrana do Rio, e vem se dedicando ao estudo "das coisas naturais", trazendo ao setting - e expandindo - o ser orgânico e a natureza que somos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

A PRÁTICA DA ARTETERAPIA: ESTUDOS E APLICAÇÕES


 


Por Eliana Moraes – MG

@naopalavra

@atelienaopalavrabh

 

Dentre os estudos escolhidos para 2024, resgatei um livro que já havia lido por duas vezes. Meu primeiro encontro com “A prática da psicoterapia” de Carl G. Jung foi na faculdade de psicologia, por volta de 2006, e me identifiquei amplamente com as palavras do autor. Alguns anos mais tarde, já profissional atuante de psicologia, reli o livro, solidificando alguns recursos terapêuticos que eu intuitivamente, já fazia uso. 

Neste ano, decidi ler pela terceira vez esse livro, mas agora com as lentes de uma arteterapeuta propriamente dita, e também como supervisora e colaboradora para o desenvolvimento de arteterapeutas na formação continuada. Meu objetivo é buscar na Psicologia Analítica (como em outras abordagens teóricas) as possíveis aplicações na Arteterapia como prática, saber e profissão. O texto de hoje é o compartilhamento da primeira parte desse estudo e articulação. 

Para nós, arteterapeutas brasileiros, está claro que uma das principais referências teóricas advindas das teorias da psicologia é a Psicologia Analítica e sua imensa contribuição para a leitura simbólica das imagens produzidas nas sessões arteterapêuticas. Além disso, o próprio manejo terapêutico junguiano é bastante instrumentalizador do arteterapeuta. Entretanto, resgatei a memória de que um dos pontos que mais me encantaram em “A prática da psicoterapia” foram as palavras de Jung que compreendia a razão de ser das diversas teorias da psicologia e sugeria que os representantes de cada ponto de vista se resguardassem de classificar como errôneos pontos de vista diferentes:

 

Para os representantes de cada um dos pontos de vista, era bastante natural e mais simples considerar errônea a opinião do outro. Uma apreciação objetiva dos fatos reais mostra, no entanto, que cada um desses métodos e teorias tem sua razão de ser, não só pelo êxito obtido em certos casos, como também por mostrarem realidades psicológicas que comprovam amplamente os respectivos pressupostos... a existência de múltiplos enfoques psicológicos possíveis não deveria ser pretexto para se considerarem as contradições insuperáveis, e as interpretações, internamente subjetivas e não mensuráveis. As contradições em qualquer ramo da ciência comprovam apenas que o objeto da ciência tem propriedade, que por ora só podem ser apreendidas através de antinomias. (JUNG, 1971/2004, p 2) 

Tenho defendido em minhas aulas e escritos, a importância do arteterapeuta em formação continuada, ter a oportunidade de ampliar seu repertório teórico, conhecendo outros referenciais e desenvolvendo seu estilo próprio de ser e atuar como arteterapeuta. Não se trata de fazer uso de diversas frentes de orientações sem critérios, mas sim a ampliação progressiva de recursos para a contemplação da diversidade de aspectos humanos a serem acolhidos no setting. Da mesma forma, se compreendemos a complexidade humana atualizada nos diversos pacientes/clientes recebidos, podemos considerar que essa diversidade também irá comparecer nas diferentes interpretações dos fenômenos humanos. Nas palavras de Jung:

 

A psicoterapia é um campo da terapêutica, que se desenvolveu e atingiu uma certa autonomia somente nos últimos cinquenta anos. As opiniões nesta área foram mudando e diferenciando-se de várias maneiras. As experiências foram se acumulando e dando lugar a diversas interpretações. A causa disso está no fato de a psicoterapia não ser um método simples e evidente, como se queria a princípio. Pouco a pouco foi-se verificando que se trata de um tipo de procedimento dialético, isto é, de um diálogo ou discussão entre duas pessoas... O primeiro desses fatos deve ter sido a necessidade de reconhecer que era possível interpretar os dados da experiência de diferentes maneiras. Desenvolveram-se diversas escolas de concepções diametralmente opostas. (JUNG, 1971/2004, p 1) 

Em seu livro, ao apresentar a sua teoria prática da psicoterapia, Jung adverte:

 

Para prevenir equívocos quero logo acrescentar que essa mudança de ponto de vista, de modo algum declara incorretos, supérfluos ou ultrapassados os métodos anteriormente existentes. Isto porque, quanto mais o conhecimento penetra na essência do psiquismo, maior se torna a convicção de que a multiplicidade de estratificações e as variedades do seu humano também requerem uma variedade de pontos de vista e métodos, para que a diversidade das disposições psíquicas seja satisfeita. (JUNG, 1971/2004, p 7) 

Mais além, ele nos faz um pedido (por vezes esquecido):

 

Logo, se venho a público para dizer algo a respeito das minhas ideias, peço, por favor, que isso não seja interpretado como uma propaganda de uma nova verdade, ou como anúncio de um evangelho definitivo. (JUNG, 1971/2004, p 36) 

As palavras de Jung nos convidam a uma postura profissional adulta, que busca os embasamentos teóricos sem uma postura arrogante frente a teorias diferentes, bem como sem eleger uma teoria como um “evangelho” a ser seguido. Pelo contrário, nos diz que o terapeuta deve buscar os métodos que lhe fazem sentido e que possa neles depositar confiança:

 

Só importa os métodos em que o terapeuta tem confiança. Sua fé no método é decisiva. Se acreditar, ele fará por seu paciente tudo quanto estiver ao seu alcance, com seriedade e perseverança, e esse esforço voluntário e essa dedicação têm efeito terapêutico... (JUNG, 1971/2004, p 4-5) 

Aqui registro minha primeira reflexão e sugestão ao arteterapeuta, conhecedor da Arteterapia como um procedimento terapêutico riquíssimo de modalidades práticas, referências teóricas e repertórios técnicos: que o arteterapeuta se permita e permaneça se atualizando e buscando conhecer as tantas possibilidades proporcionadas pela Arteterapia. E que passo a passo, dia após dia, vá costurando sua colcha de retalhos, que construirá sua identidade e estilo profissional, singular e irrepetível. 




Uma Arteterapia não diretiva/invasiva

 Jung adverte aos terapeutas sobre a necessidade de não se colocarem em uma posição de saber superior. Compreende que um terapeuta não tem condições de julgar a integralidade daquele sujeito e aponta que o caminho do processo terapêutico é dialético, abrindo espaço para que o outro se apresente, sem limitá-lo com pressupostos teóricos:

 

Se, na qualidade de psicoterapeuta, eu me sentir como autoridade diante do paciente e, como médico, tiver a pretensão de saber algo sobre a sua individualidade e fazer afirmações válidas a seu respeito, estarei demonstrando falta de espírito crítico, pois não estarei reconhecendo que não tenho condições de julgar a totalidade da personalidade que está lá à minha frente. Posso fazer declarações legítimas apenas a respeito do ser humano genérico... [mas] só posso afirmar sobre a individualidade de outrem, o que encontro em minha própria individualidade, corro o risco, ou de violentar o outro, ou de sucumbir por minha vez ao seu poder de persuasão. Por isso, quer eu queira, quer não, se eu estiver disposto a fazer o tratamento psíquico de um indivíduo, tenho que renunciar à minha superioridade no saber, a toda e qualquer autoridade e vontade de influenciar. Tenho que optar necessariamente por um método dialético, que consiste em confrontar as averiguações mútuas. Mas isto só se torna possível se eu deixar ao outro a oportunidade de apresentar seu material o mais completamente possível, sem limitá-lo pelos meus pressupostos. (JUNG, 1971/2004, p 3) 

O autor ainda complementa suas orientações dizendo que o terapeuta deve sempre manter seu olhar sobre a dimensão individual, que ultrapassa qualquer possibilidade de previsão e interpretação:

 

Como explicamos na introdução, a parte individual é única, imprevisível e não interpretável. O terapeuta deve renunciar neste caso a todos os seus pressupostos e técnicas e limitar-se a um processo puramente dialético... em fazer da atitude menos preconcebida possível. Em outras palavras: o terapeuta não é mais um sujeito ativo, mas ele vivencia junto um processo evolutivo individual. (JUNG, 1971/2004, p 5) 

Trazendo as orientações de Jung para a Arteterapia propriamente dita, precisamos reconhecer que como arteterapeutas possuímos um desafio o mais. Quando compreendemos o manejo arteterapêutico, que ouve a demanda do sujeito e lhe oferece aquele material (o estímulo projetivo, a materialidade, o processo criativo...) pertinente e facilitador, faz-se aqui um grande desafio para que essa condução não seja diretiva e invasiva. E mais, que a leitura das imagens resultantes não sejam fruto de interpretações projetivas, (advinda dos conteúdos psíquicos do próprio arteterapeuta), abusivas, previsíveis e gerais. 

O desenvolvimento do arteterapeuta em sua formação continuada colabora que ele crie recursos para a sustentação de uma escuta sensível, num lugar de mediador (não de protagonista), decodificando o pedido do paciente/cliente em sua demanda terapêutica  quanto ao material que lhe será pertinente naquele contexto clínico. 



O fazer arteterapêutico e a individuação

 Um dos principais pilares da Psicologia Analítica está no caminho individual de “cura” de cada sujeito: sua individuação, seu autoconhecimento e seu processo de se tornar aquilo que ele é. E que dessa forma tenha condição de assumir a coragem e a responsabilidade de ser quem é:

 

Em todos esses casos, o médico deve deixar aberto o caminho individual da cura, e neste caso o processo terapêutico não acarretará nenhuma transformação da personalidade, mas será um processo, chamado de individuação. Isso significa que o paciente se torna aquilo que de fato ele é. (JUNG, 1971/2004, p 8)

 

Com isso, não se visa o “individualismo”, mas unicamente uma forma de estabelecer a condição prévia indispensável a todo ato responsável, que é que cada qual se conheça a si mesmo e a sua própria maneira de ser, e que tenha a coragem de assumi-la. O homem só passa a ser responsável e capaz de agir, quando existe a seu modo. (JUNG, 1971/2004, p 24) 

O método vivencial de processos criativos e a formações das imagens advindas do universo simbólico do sujeito, são especificidades da Arteterapia dentre os procedimentos terapêuticos, colaborando  e potencializando cada indivíduo rumo ao seu autoconhecimento, responsabilização de seus atos e conteúdos psíquicos bem como a apropriação e coragem de assumir-se em sua integralidade. 

Encerrando essa primeira etapa de estudo e aplicação do livro “A prática da psicoterapia” em territórios arteterapêuticos, fica claro que ser arteterapeuta não é fácil. É um caminho trabalhoso de desenvolvimento continuado, com seus altos e baixos, luzes e sombras, dores e delícias... Mas se ao longo dessa caminhada surgir a sensação de fracasso ou incapacidade, lembremos das palavras de Jung:

 

Na minha prática psicoterapêutica de quase trinta anos acumulei uma série considerável de fracassos, que me influenciaram mais do que meus sucessos... O psicoterapeuta pouco ou nada aprende com os sucessos, principalmente porque o fortalecem nos seus enganos. Os fracassos, ao invés, são experiências preciosíssimas, não só porque através deles se faz a abertura para uma verdade maior, mas também porque nos obrigam a repensar nossas concepções e métodos. (JUNG, 1971/2004, p 36) 

Em um próximo texto continuaremos nosso bate papo entre “A prática da psicoterapia” e a prática da Arteterapia.



Referência Bibliográfica:

JUNG, Carl G. A prática da Psicoterapia. 

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Sobre a autora: Eliana Moraes




Arteterapeuta e Psicóloga
Pós graduada em História da Arte
Especialista em Gerontologia e saúde do idoso.
Cursando MBA em Logoterapia e Desenvolvimento Humano
Fundadora e coordenadora do "Não Palavra Arteterapia".
Escreve e ministra cursos, palestras e supervisões sobre as teorias e práticas da Arteterapia. 
Faz parte do corpo docente de pós-graduações em Arteterapia: Instituto FACES - SP, CEFAS - Campinas, INSTED - Mato Grosso do Sul. 
Atendimentos clínicos individuais e grupais em Arteterapia online, sediada em Belo Horizonte, MG. 

Autora dos livros "Pensando a Arteterapia" Vol 1, 2 e 3

Organizadora do livro "Escritos em Arteterapia - Coletivo Não Palavra"

segunda-feira, 29 de julho de 2024

ENCONTRANDO A FAMILIA NA ARTETERAPIA

 


por Elaine Cristina Tomaz - Ribeirão Preto/SP

Arteterapeuta - AATESP 335/0616

@tessera.arteeterapia

 

Na clinica Arteterapêutica, quando recebemos crianças e adolescentes para atendimento acredito ser fundamental acolher a família como um todo. Creio não ser possível atender esse público sem olhar para seu entorno, seu contexto, seu ambiente. Família é base, estrutura e nesse espaço  onde pode haver desequilíbrios e sintomas de adoecimento,  também podemos encontrar força e pulsão de vida, apoio para que crianças e jovens possam saber da sua história,  saber de si, ter alegria, saúde mental e emocional. 

Contudo, em minha experiência, quando os pacientes são adultos, trazer outros membros da família para sessões pontuais no setting arteterapêutico também proporciona benefícios importantes para  a terapia, para o paciente, para a visão do Arteterapeuta e principalmente para a família. 

Houve uma circunstância em que para uma mulher adulta e suas dificuldades com a maternidade, fizemos  algumas sessões em que as filhas pequenas puderam participar propiciando brincadeiras, expressões artísticas, momentos lúdicos, de descobertas e reflexões da relação entre elas. Foi uma oportunidade onde tive a chance de observar  e ampliar a compreensão da dinâmica do relacionamento e trazer falas e exemplos claros vividos nestas sessões do grupo familiar. Por outro lado,  a paciente também pode mostrar como  atua e como se sente diante de determinados comportamentos das filhas que ficaram evidentes no contexto arteterapêutico e puderam ser trabalhados nas sessões individuais com um maior aprofundamento. 

Usei essa possibilidade da participação familiar em outros atendimentos também  com resultados positivos e relevantes para que o processo terapêutico pudesse avançar.  São necessários alguns cuidados para que o paciente não se sinta exposto, nem julgado, que as sessões sejam planejadas de forma prazerosa, com uma condução sensível que não permita acusações  entre os membros mas, principalmente, que possam visualizar e sentir que podem construir algo bom juntos e fortalecer os vínculos. 

Atender famílias é viabilizar que o grupo possa olhar, sentir, expressar sua visão, peculiaridades, experiências, emoções,  ressignificando, de forma mais saudável,  as relações e a convivência. 

 É importante que o profissional crie dinâmicas simples e de aprendizado, tendo por objetivo alcançar alguns  benefícios para os membros da familia:


·         Ouvir e ser ouvido, ver e ser visto, se sentir pertencente.

·         Compreender os papeis, funções de cada um, seus lugares e serem acolhidos.

·         Poder expressar suas emoções com mais assertividade

·         Permitir um outro olhar para a relação.

·         Poder expressar em arte o que muitas vezes as palavras não alcançam no dia a dia. 

São vivências assim que enfatizam a Arteterapia  como  território sagrado de bem estar, restauração crescimento e transformações possíveis.



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Sobre a autora:  Elaine Cristina Tomaz



Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário Barão de Mauá, com Habilitação em Administração 

Escolar.

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional - Centro Universitário Barão de Mauá.

Formação em Educação em Valores Humanos (Básico) pelo Instituto Sathya Sai de Ribeirão Preto.

Especialista em Arte e Arteterapia aplicada à Educação, Saúde, Social e Organizações pelo 

NAPE – Nucleo de Arte e Educação/FAVI – Faculdade Vicentina – AATESP 335/0616.

Formação em Mandala Terapêutica pelo CEIMAS® (Centro Internacional de Mandala, Arte e Simbolismo) - SP 

Formação como Facilitadora SoulCollage® pelo SoulCollage® Brasil. 

Atuou como Gerente de Projetos e Coordenadora de Formação de Mediadores de Oficinas de Leitura e Escrita na Fundação Palavra Mágica em Ribeirão Preto/SP

Professora Alfabetizadora das Redes Estadual e Municipal de Ribeirão Preto/SP. 

Atendimento em Arteterapia, Mandalaterapia e SoulCollage® para  jovens e adultos, individual e grupos, presencial e online em clinica própria – Téssera Arte & Terapia

@tessera.arteeterapia