segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PINTURA ESPONTÂNEA





Hoje gostaria de falar sobre um livro que estou gostando muito! Na verdade, foi ele que me despertou para o estudo do Surrealismo, que tanto tem me motivado. Recomendo a leitura de “Pintando sua Alma – Método de Desenvolvimento da Personalidade Criativa” de Susan Bello.
Pintura espontânea é:
“... relaxar a mente crítica racional e pintar corajosamente o que aparecer na mente inconsciente. Na Pintura Espontânea, em vez de usarmos nossos olhos sensoriais para copiar e reproduzir o mundo exterior, expressamos nossa visão interior... A psique fará o trabalho. Nossa mente racional somente tem de suspender seu domínio...” pag 67
            Inspirada no Surrealismo:

“A Pintura Espontânea também está interessada em promover a transformação social, ajudando cada indivíduo a descobrir sua essência única e seu objetivo de vida. Ela ajuda cada pessoa a entrar em contato e a expressar seus próprios potenciais e a manifestar sua presença autêntica e sua contribuição à sociedade. É uma forma de Arte cujo significado está totalmente integrado a vida diária do pintor.” Pag 12

            Esta técnica, surgiu como o desenvolvimento da arteterapia e da terapia expressiva:
“... é um ato profundo, através do qual pintamos as emoções que vivem na nossa mente inconsciente. Um de nossos objetivos é abrir um canal para que a expressão inconsciente ocorra”. Pag 65

O pintor/paciente recebe um estímulo ou inspiração e pinta sem saber, sem preocupação com considerações estéticas ou regras de composição. Parte de uma idéia inicial, mas ao dar seguimento não necessariamente permanece fiel à ela até o final.
“... o pintor não tem nenhuma idéia do conteúdo que será pintado. As imagens interiores aparecem espontaneamente nas telas e tomam forma através das pinceladas... Muitas vezes, depois que terminamos de pintar, não sabemos intelectualmente o que as pinturas significam, porque são registros visuais da psique, ainda não percebidos pela mente consciente.” Pag 13
           
            A Pintura Espontânea tem um grande efeito expressivo e curativo:

“Frequentemente não entendemos de maneira imediata o que essas imagens estranhas significam. O inconsciente pessoal está liberando conteúdos emocionais que o ego ainda não está pronto para aceitar ou entender. Os impulsos proibidos e dos desejos reprimidos são pintados. Muitas vezes o método acelera o processo terapêutico. Descarregar o conteúdo psíquico em pintura espontânea é bastante libertador, esteja você consciente de seu significado ou não.” Pag 69

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O AUTOMATISMO EM IMAGENS



Embora o Surrealismo tenha se originado como um movimento literário, no campo das artes visuais ele foi um dos mais vorazes de todos os movimentos modernos. Entretanto, houve até quem afirmasse que a pintura surrealista não existia, como Pierre Naville, um dos primeiros editores de La Révolucion Surréaliste.
A partir de 1925 Breton passa a escrever em resposta à esta acusação uma série de artigos que acabaram por serem editados em um livro chamado Le Surréalist Et La Peinture, citando pintores como De Chirico, Max Ernst, Man Ray, Masson, Miró e Tanguy. 
Breton em Gênese Artística e Perspectiva do Surrealismo:
“Insisto em que o automatismo, tanto gráfico quanto verbal – sem prejuízo das profundas tensões individuais que ele é capaz de manifestar e, em certa medida, resolver – é, o único modo de expressão que satisfaz plenamente o olho ou o ouvido, ao realizar a unidade rítmica (tão reconhecida no desenho ou no texto automático...)” *
Em seus textos, Breton não tenta definir a pintura surrealista, mas aborda o tema de modo diferente, avaliando o relacionamento de cada pintor com o surrealismo, evitando qualquer discussão sobre estética. Posicionou-se de modo um tanto vago, “dizendo estar unicamente interessado numa tela na medida em que é uma janela que olhava para algo; afirma também que o modelo do pintor deve ser ‘puramente interior `”. *
            Na realidade, diz-se que os pintores surrealistas conseguiram obter uma maior independência do que os escritores do movimento no que se refere à personalidade dominante de Breton, talvez até porque  a pintura não fosse o seu campo de atuação. Pode-se dizer que os pintores puderam experimentar as idéias surrealistas sem se subjugarem a elas.
            O desenho automático do artista Masson (técnica frequentemente usada em aulas de artes e em arteterapia, mas que muitas vezes não sabemos aonde está contextualizada na história da arte) é considerado um dos mais notáveis produtos do surrealismo. A idéia consiste em: mover as mãos de forma que o lápis ou o pincel mova-se rapidamente, sem uma idéia consciente de um tema, traçando uma teia de linhas nervosas, mas firmes, das quais emergem imagens que são, por vezes, aproveitadas e elaboradas, outras vezes deixadas como sugestões. Os mais bem sucedidos desses desenhos possuem uma integridade que provém da elaboração inconsciente de referências textuais e sensuais, tanto quanto visuais.
            Na prática da arteterapia, esta técnica é utilizada com excelentes resultados, pois naturalmente a imagem que o paciente visualiza e ressalta dentre o emaranhado de linhas é um símbolo que lhe pertence e está fatalmente atrelado às suas questões. Este símbolo se constitui em um material que deve ser trabalhado dentro do processo terapêutico.

 * “Conceitos da Arte Moderna – com 123 ilustrações” org. Nikos Stangos




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

SUSTO



“O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse.”
Clarice Lispector


             É um fenômeno interessante (e não raro de acontecer) quando um paciente está falando em palavras algo sobre si e está convencido disto, porém a imagem que ele cria em uma sessão de arteterapia contradiz absolutamente aquilo que “conta”. Se a boca diz que o sentimento é desânimo mas a imagem nitidamente diz desespero. Se a boca diz pessimismo e depressão e a imagem diz os “coloridos do carnaval”. Se a boca diz que se está em um bom momento de vida, mas só foram escolhidas imagens de depreciação pessoal. Muitas situações de descompasso entre a mensagem verbal e a mensagem “atuada” pelo paciente.
Ao se trabalhar com imagens, cria-se um canal de expressão ao qual os conteúdos desprezados por repressão ou resistência se presentificam e são convocados à um diálogo entre as partes.
É importantíssimo ressaltar que é possível que, mesmo com este confronto “físico”, o paciente ainda sim recuse-se a encarar os conteúdos, deixando-os permanecer inconscientes e em uma atuação “irresponsável”. Se isto acontece, o terapeuta deve respeitar este limite do paciente pois se ele não o reconhece, não é por acaso, e tem direito a ter seu tempo próprio.
Porém, em muitos momentos, o que se dá é um susto. Quando o paciente percebe a discrepância entre o que ele está dizendo com a boca e o que ele está dizendo com as mãos, ele se depara com suas incoerências, sua não consciência e dá-se uma grande oportunidade para que ele se reconheça, se pense e se fale realmente. Nas palavras de Maria Cristina Urrutigaray:

“... pois fica um pouco mais difícil para alguém negar aquilo que acabou de fazer, bem como de perceber o quanto se posiciona... As possibilidades de se perceber nas suas dificuldades, dadas as imposições deferidas pelo próprio uso dos materiais plásticos, confere ao usuário as noções de limitação, aceitação e humildade diante de suas dificuldades, tonando-o mais humano, mais próximo de si mesmo e dos demais.”. (URRUTIGARAY)

URRUTIGARAY, Maria Cristina. Arteterapia: a transformação pessoal pelas imagens.  Ed Wak. Rio de Janeiro, RJ. 2011. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O AUTOMATISMO SURREALISTA E A ASSOCIAÇÃO LIVRE


            Fiquei surpresa ao aprender que embora seja através das artes plásticas que o Surrealismo se tornou conhecido do grande público, em certo sentido elas são “auxiliares” ao movimento. Na realidade, os principais interesses eram poesia, filosofia e política.
O Manifesto Surrealista se apresentou como um movimento literário, mencionando a pintura apenas como uma nota de rodapé. Nele continha a seguinte definição para o Surrealismo.
“Puro automatismo psíquico, através do qual se pretende expressar, verbalmente ou por escrito, o verdadeiro funcionamento do pensamento. O pensamento ditado na ausência de todo o controle exercido pela razão, e à margem de qualquer preocupação estética ou moral.” *

            Os surrealistas defendiam que o automatismo revelaria a “verdadeira natureza individual de quem o praticasse”, uma técnica muito mais completa do que as “criações conscientes”, pois este seria o meio “mais perfeito para alcançar e desvendar o inconsciente”.*
André Breton, líder Surrealista, psiquiatra de formação, afirmava que seu interesse pelo automatismo se originava em Freud. Escreveu no Manifesto:
“Completamente ocupado com Freud, como eu ainda estava nessa época, e familiarizado com os seus métodos de observação, que eu tivera ocasião de aplicar em pacientes durante a guerra, decidi obter de mim mesmo o que tentamos obter deles, um monólogo pronunciado o mais rapidamente possível, sobre o qual a mente crítica do indivíduo não deve produzir qualquer julgamento, e que portanto, não seja embaraçado por nenhuma reticência e seja, tão exatamente quando possível pensamento falado”.*
            Em parceria com Philippe Soupault, Breton produziu inúmeras páginas de escrita automática e ficaram espantados com o resultado e sua “qualidade tal que não teríamos sido capazes de produzir usando a escrita comum”. *
Breton aplicou para fins artísticos o que Freud cunhou como a regra fundamental da psicanálise: a associação livre. Nesta época, Freud estava em pleno desenvolvimento de suas técnicas terapêuticas para o tratamento das doenças nervosas, em especial a histeria. Estabeleceu que o tratamento psíquico se dava através da fala e como parte do método catártico, Freud  pedia que o paciente falasse, sem restrições ou censuras, tudo o que atravessasse a sua mente, com ou sem sentido. Eis a associação livre, técnica fundamental à teoria psicanalítica ao qual visa alcançar seu objeto, o inconsciente.
Na prática da arteterapia, é muito interessante estimular que o paciente tenha um momento em que se debruce sobre um trabalho ou uma temática e escreva automaticamente, tudo o que lhe vier a mente, sem a obrigatoriedade das “regras para boas redações” como as ensinadas na escola. Tenho obtido resultados muito interessantes com pacientes que ao se entregarem a esta proposta, se surpreendem com o resultado de seus escritos, conteúdos tão íntimos a serem trabalhados no processo terapêutico.

* “Conceitos da Arte Moderna – com 123 ilustrações” org. Nikos Stangos


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

DO DADAISMO AO SURREALISMO


            (Dando seguimento à série de textos sobre o Surrealismo e  a Arteterapia. Ver textos anteriores.)

O surrealismo nasceu de um desejo de ação positiva, de reconstrução a partir das ruínas do Dada, que ao negar tudo acaba por negar a si mesmo. De fato, Dadaísmo e Surrealismo são bastante semelhantes, principalmente no que se refere ao posicionamento político e no ataque às formas tradicionais da arte. A diferença fundamental entre eles estava na formulação de teorias e princípios do Surrealismo em vez do anarquismo Dadaísta. O Surrealismo aboliu o veto que o Dada aplicou à arte e devolveu ao artista a sua razão de ser, sem impor um novo conjunto de regras estéticas.
O lugar do “acaso” nas obras Dadaístas se transformou na influência do inconsciente na arte, na teoria Surrealista. André Breton, líder do movimento, era médico psiquiatra e estudioso de Freud, que na época estava em pleno desenvolvimento da teoria psicanalítica, baseada no conceito do inconsciente. Para Breton, no inconsciente pensa-se por imagens, e como a arte produz imagens é o meio mais adequado para trazer à superfície os conteúdos profundos do inconsciente.
Breton explora todo o potencial deste novo paradigma no contexto da arte:
“... em 1928 Breton publica Le Surrealisme et la peiture...[e defende que] O inconsciente não é apenas uma dimensão  psíquica explorada com maior facilidade pela arte, devido à sua familiaridade com a imagem, mas é a dimensão da existência estética, e portanto, a própria dimensão da arte. Se a consciência é a região do distinto, o inconsciente é a região do indistinto: onde o ser humano não objetiva a realidade, mas constitui uma unidade com ela. A arte pois, não é representação, e sim comunicação vital, biopsíquica, do indivíduo por meio de símbolos. Tal como na teoria e na terapia psicanalíticas, na arte é de extrema importância a experiência onírica, na qual coisas que se afiguram distintas e não-relacionadas para a consciência revelam-se interligadas por relações tanto mais sólidas quanto mais ilógicas e incriticáveis.”*

            Entretanto é interessante ressaltar que embora a origem do Surrealismo se desse na teoria psicanalítica, seus fins se diferenciavam. Os surrealistas viam nos sonhos a imaginação em seu estado primitivo e uma expressão pura do “maravilhoso”, sem qualquer espírito de pesquisa científica. Freud, certa vez recusou-se a colaborar com uma antologia de sonhos organizada por Breton porque não conseguia vislumbrar  em que uma coletânea de sonhos, sem as associações e as lembranças da infância do sonhador, poderia ter de interesse para seus estudos e para a psicanálise.
            Desde o início da formação de arteterapia já somos apresentados ao grande potencial de comunicação que as mais variadas linguagens da arte possuem. Já somos ensinados também sobre o potencial expressivo de conteúdos que estão para além da razão e do racional, mas estão no campo do inconsciente. E nossa prática, que é soberana, nos confirma estes fenômenos.
            Porém, de minha parte, acho fascinante e creio que amplia nossa percepção como arteterapeutas, conhecer os caminhos que nossos precursores traçaram até chegarmos aqui.
           
* “Arte Moderna” Giulio Argan

* Material de apoio: “Conceitos da Arte Moderna – com 123 ilustrações” org. Nikos Stangos

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

TERAPIA OCUPACIONAL E ARTETERAPIA


            É comum quando as pessoas se interessam pela arteterapia imaginarem se tratar da Terapia Ocupacional. Por isto me motivei a escrever este texto. São dois campos de saber legítimos, pertinentes e coexistentes em serviços de saúde. Embora tenham suas interseções, são distintos e cada um tem seu objeto e sua função no desenvolvimento ou na recuperação do individuo. 
           Em linhas gerais, a Terapia Ocupacional é um campo de estudo que envolve três grandes áreas: a Reabilitação Física, a Saúde Mental e a Área Social. A ocupação humana é o objeto de estudo.e, dentro desse contexto, é especializada em análise de AVDs (Atividades de Vida Diária) – alimentar-se, tomar banho, vestir-se com independência etc – como também de AVIs (Atividades de Vida Instrumentais) – lazer, trabalho, comunicação, etc – gerando condutas de prevenção, manutenção e tratamento, fazendo inclusive adaptação de materiais e treino de uso dos mesmos. Numa análise de atividade considera as articulações, os grupos musculares, tipo de movimentação envolvida, características específicas de possíveis estímulos neuropsicomotores e outros. Entretanto também é papel do TO avaliar e lidar com fenômenos que permeiam o processo de tratamento a partir do uso de atividades: o envolvimento emocional, social e afetivo do sujeito, o vínculo terapêutico, a tolerância à permanência em atividade, o significado que se dá a este “fazer”, o desenvolvimento de um começo, meio e fim... Ou seja, fenômenos que acontecem em um atendimento, onde o encontro desse triângulo “paciente – atividade – terapeuta” podem gerar processos semelhantes de expressão e/ou internalização, porém cada campo de atuação acolherá este sujeito e suas questões com sua visão e estratégia diferenciada.
            De fato, a Arteterapia pode manejar em sua atuação estes benefícios que a Terapia Ocupacional visa, como o efeito terapêutico do “fazer” e o desenvolvimento do corpo em suas partes motoras e cognitivas. Entretanto seu foco primário, seu objeto é outro. Para além disto, sua “matéria prima” é outra: o inconsciente.
            A Arteterapia se faz em um modo de atuar, pelo qual a utilização das técnicas gera um efeito no psiquismo. Não está propriamente dita no campo do desenvolvimento de habilidades ou das finalidades artísticas, mas visa a expressão e a comunicação de conteúdos psíquicos: sentimentos, pensamentos, conteúdos inconscientes.
            Jung no Livro “A Prática da Psicoterapia” dá valor à utilização de técnicas expressivas pois por meio das imagens criadas o sujeito vê-se diante da circunstância de “traduzir o indizível em formas visíveis.” Este recurso tem benefício ao favorecer posteriormente a expressão em palavras daquilo que antes não tinha nome, identidade ou sequer lugar ou espaço para manifestar-se.
            Nas palavras de Maria Cristina Urrutigaray, a Arteterapia:

“... é um passo viável, visível objetivado que possibilita aproximar elementos ou realidades ocultas (inconscientes) às dimensões mais acessíveis de serem compreendidas, facilitando a conscientização dos mesmos.” **

* Este texto foi escrito com a colaboração de minha amiga, Terapeuta Ocupacional Aline Bini.
** Meterial de Apoio: “Arteterapia – A transformação pessoal pelas imagens” Maria Cristina Urrutigaray

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ANTES DO SURREALISMO, O DADAISMO


            Há algumas semanas escrevi sobre meus estudos sobre o Surrealismo e meu desejo de compartilhar, passo a passo, minhas descobertas e aplicações para o trabalho da arteterapia. Mas antes de se falar em Surrealismo é necessário falar de Dadaísmo, um movimento artístico imediatamente anterior.
O termo Dada foi escolhido por ser o primeiro som emitido pela criança denotando o primitivismo, o começar do zero, o novo na arte. De fato o Dadaísmo é marcado pela idéia de se romper com tudo o que existia e desconstruir o estabelecido. Estavam reagindo ao horror da Primeira Guerra Mundial:
“Em Zurique, em 1915, tendo perdido o interesse pelos matadouros da guerra mundial, voltamo-nos para as Belas Artes. Enquanto o troar da artilharia se escutava a distância, colávamos, recitávamos, versejávamos, cantávamos com toda a nossa alma. Buscávamos uma arte elementar que,,pensávamos, salvasse a espécie humana da loucura destes tempos.” Revista Dada, organizada por Tzara

As obras Dada eram uma grande explosão de atividade que tinha como objetivo provocar o público, destruir as noções tradicionais de bom gosto e libertar as amarras da racionalidade e do materialismo.  Arp, um poeta e artista plástico, pertencente ao movimento dizia:
“Dada visou destruir as razoáveis ilusões do homem e recuperar a ordem natural e absurda... Dadá é a favor do não-sentido, o que não significa contra-senso. Dada é desprovido de sentido como natureza. Dada é pela natureza e contra a arte...Dadá é pelo sentido infinito e pelos meios definidos.”

Este artista aderiu ao ataque contra a linguagem que o Dadá iniciou e o surrealismo deu seguimento à sua maneira.
Em sua obra, ele começou a permitir que o acaso se apresentasse. Utilizou técnicas como rasgar um desenho em pedaços e deixar que os fragmentos caíssem, formando um novo padrão. Também lançou mão do desenho espontâneo permitindo o livre fluir da tinta. Da mesma forma, permitiu o acaso em seus poemas, “rasgando” frases para que não houvesse coerência lógica, embora não estivessem desprovidas de sentido,
Para o arteterapeuta, este movimento artístico traz muitas possibilidades. Ele apresenta, de forma extremada, o binômio razão / não-razão e convida ao paciente à refletir sobre aonde ele se encontra neste “jogo dos opostos”. Para pacientes que apresentam características de enrijecimento, inflexibilidade e apego, técnicas que propõem a desconstrução os tiram de sua zona de conforto e apresentam um desafio. Para aqueles extremamente racionais e controladores, técnicas que propõem o acaso e a aleatoriedade são extremamente desafiadoras e fazem com que o paciente se perceba nesta realidade da vida: a impossibilidade racionalizar e ter controle sobre tudo.


* Fonte: “Conceitos da Arte Moderna” Nikos Stangos