Neste final de semana estive no I Colóquio sobre Arte e Psicanálise, promovido pelo Hímeros – Departamento de Mestrado e
Doutorado em Psicanálise e Arte da UVA.
Durante as exposições me vi envolvida com todo o
embasamento e as considerações teóricas da Psicanálise sobre o artista e suas
produções. Ouvi. “A arte é o que separa a
Psicanálise da Medicina e da Psicologia.”
A
teoria da Psicanálise me atrai. Mantenho com ela um “flerte desconfiado”.
Acredito que ela é base para qualquer um que queira trabalhar com o
inconsciente. E nos últimos momentos do Colóquio, escrevo este post com minha
inquietação: Se a Psicanálise reconhece a arte como tal e se propõe a embasá-la com sua teoria, por que não se
pode pensar a prática da arte no
contexto da sua clínica? O modelo da prática analítica, baseado na fala
(palavra), no divã e demais pilares da psicanálise é definido e (me parece que)
não há espaço para outras possibilidades – salvo muito específicos contextos,
mas não como uma prática continuada.
A
arte na prática da psicanálise é estabelecida com a clínica da psicose, como signo, pois através dela o psicótico
representará seu discurso. Com a justificativa de que o neurótico FALA, a arte
não possui lugar nesta clínica.
Porém,
embasada em minha prática, penso que o neurótico FALA através da palavra mas
também FALA através de outras linguagens, e então todas as possibilidades da
arte encontram seu lugar. Alias, o nome deste blog e sua inspiração inicial
nascem justamente da possibilidade real da “fala sem a palavra”.
Voltando
ao Colóquio, ouvi: “A obra de arte torna visível o desejo”. “Arte,
presentificar o não sabido”. “Poesia: tensão entre a linguagem e o indizível.”
Eu
me atrevo a ampliar o último conceito:. Seria a arte a tensão entre a fala e o
indizível? Se sim, por que não dar espaço para esta técnica na prática da
clínica da psicanálise, como recurso para que o sujeito FALE?